O Bé-a-bá do Sertão - Paraíba - Há 55 anos, pai de Fernando Collor matou um senador dentro do Congresso
Política 29.09.2019 -

Há 55 anos, pai de Fernando Collor matou um senador dentro do Congresso

     
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H 55 anos, pai de Fernando Collor matou um senador dentro do Congresso



Os senadores Arnon de Mello e Silvestre Péricles de Goés Monteiro se desentendiam com frequência no Congresso, numa tentativa de medir forças - ambos tinham Alagoas como estado de origem.

Em 4 de dezembro de 1963, Arnon abriu os trabalhos com a seguinte frase: “Senhor presidente, com a permissão de Vossa Excelência, falarei de frente para o senador Silvestre Péricles de Góes Monteiro, que me ameaçou de morte”.


Momento da discussão no Senado Federal

Silvestre não aceitou o desaforo de seu inimigo político e atacou verbalmente Arnon, que sacou um revólver e disparou várias vezes. Nenhum dos tiros atingiu Silvestre, que também estava armado, “mas jogou-se no chão e rastejou entre as fileiras de poltronas com seu revólver na mão”, como relata reportagem do Jornal do Brasil.


Senador acreano José Kairala é amparado por colegas do Senado depois de receber tiro | Agência O Globo/04-12-1963

Dois tiros, no entanto, acertaram José Kairala, senador pelo PSD do Acre, que, junto com João Agripino, tentava parar a briga. Kairala, de 39 anos, substituía José Guiomard, do mesmo partido. Eram suas últimas horas como senador – devolveria o cargo no dia seguinte ao titular.

Ele foi baleado no abdômen na frente do filho pequeno, da esposa e da mãe, que o prestigiavam no último dia de trabalho. Embora tenha sido socorrido, Kailara morreu no mesmo dia, poucas horas depois.


Silvestre Péricles é retirado do plenário do Senado após tiros de Afonso de Melo | Agência O Globo/04-12-1963

Pressionados pela população, os demais parlamentares aprovaram, por 44 votos a 4, a prisão dos dois colegas atiradores. Apesar do flagrante, assim como ocorre hoje, os outros senadores precisavam dar o aval para que Arnon e Silvestre fossem detidos. Não demorou para serem soltos e em 1964 foram declarados inocentes pelo Tribunal do Júri de Brasília.



Senador Arnon Afonso de Farias Melo

Depois de deixar a prisão, Arnon foi nomeado novamente em 1970 para o mesmo cargo que ocupara antes. E, quando faleceu, em 1983, ainda representava o Estado de Alagoas no Senado.

                       

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