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Licitação do trem-bala sai em outubro

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Brasília(DF)
– A licitação para a construção do trem-bala que fará a ligação Rio-São Paulo-Campinas deverá ser anunciada em outubro. O anúncio foi feito pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cerimônia de liberação de recursos de mais de R$ 200 milhões para obras do PAC em Campinas e região. No evento, Lula fez questão de citar o empenho da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff que realizou viagem ao Japão e Coréia tratando justamente do projeto do trem-bala. “Ela esteve mostrando o projeto a esses países e podemos fechar consórcio para a construção do trem-bala”, afirmou.

O presidente citou que a obra está orçada em quase US$ 9 bilhões. “Se Deus quiser, tudo está muito bem encaminhado”, reiterou, destacando o empenho da ministra Dilma em conseguir parceiros para o projeto.

Empresas japonesas e coreanas disseram à ministra Dilma que vão participar do leilão de concessão. A licitação internacional deve atrair ainda consórcios da Alemanha e da França, países que detêm a tecnologia de trens de alta velocidade.

A ex-ministra do Turismo, Marta Suplicy, aproveitou para cobrar agilidade na construção. Para ela, o trem será fundamental para a Copa do Mundo de Futebol de 2014, que será no Brasil. “Estamos no limite para conseguir ficar pronto até 2014 e o trem-bala é vital para a Copa Mundo”, disse a ministra. “Achamos que fica pronto, mas o prazo é exíguo e precisamos correr.”

Marta Suplicy disse que em passado recente participou de uma reunião com a Casa Civil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social(BNDES) para discutir a construção do trem e o assunto “está em andamento”. “Nós acreditamos que é(o trem) imprescindível. Sem ele, durante a copa do mundo de 2014 no Brasil, a população visitante terá muito mais dificuldade de se locomover e vamos congestionar aeroportos que não precisamos, porque com o trem será uma viagem de 80 minutos”, acrescentou a ministra.

Em março, o BNDES realizou a primeira reunião com o consórcio responsável pelo estudo de viabilidade do trem de alta velocidade(TAV). Uma versão completa do documento deverá ser apresentada até o fim deste ano. Ainda para facilitar acesso a destinos turísticos, a ministra defendeu a ampliação da malha aérea e disse que entregará ao Ministério da Defesa, na próxima semana, um estudo sobre a malha aérea regional.

Transferência de tecnologia

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, informou que o governo exigirá transferência de tecnologia das empresas estrangeiras que participarem do projeto de implantação do trem de alta velocidade(TAV) no Brasil. Este foi um dos temas da viagem que a ministra levou à Coréia do Sul e ao Japão, dois países detentores de tecnologia nessa área. Lá, ela se reuniu com empresários e autoridades governamentais tratando do assunto.

Em entrevista, a ministra explicou que os estrangeiros interessados no negócio, estimado entre US$ 8 bilhões e US$ 11 bilhões, terão que necessariamente firmar parcerias com empresas brasileiras para o projeto. O trem de alta velocidade vai ligar Campinas(SP) a São Paulo e a capital paulista ao Rio de Janeiro – o projeto inicial envolvia apenas as capitais.

Para haver transferência de tecnologia, disse a ministra, é preciso ter companhias brasileiras envolvidas na obra. “O Brasil está demandando um trem-bala. A troco de quê eu desvio para o exterior toda a demanda? Uma parte eu tenho que desviar porque talvez não valha a pena produzir aqui dentro por não ser viável do ponto de vista econômico. Mas, e o resto, que temos "know-how" para fazer?”, indagou a ministra.

O plano do governo é obter transferência de tecnologia nas áreas que considera mais importantes do projeto do TAV – trilho, material rodante, sistema operacional e operação. Segundo Dilma, o governo apoiará as empresas nacionais a se prepararem para futuras parcerias com o grupo estrangeiro que ganhar a licitação.

“Vamos ter que fazer um trabalho com essas empresas e, quando formos promover o leilão, teremos que ter um item dizendo que, quem ganhar a licitação, a condição prévia para participar do projeto será fazer transferência de tecnologia. Vi modelo similar na Coréia. O chinês também é assim e o de Taiwan é uma variante”, comparou a ministra Dilma Rousseff(Foto). “As empresas brasileiras terão, obrigatoriamente, algum nível de participação. Em algum momento, elas terão que ter contato com a empresa privada internacional”, acrescentou.

Na opinião da ministra, o Brasil tem empresas em condições de participar do projeto do trem-bala. Desculpando-se por não se lembrar de todas, ela mencionou a CSN e o Grupo Gerdau na área de trilhos. No que diz respeito a material rodante, citou a Cobrasma(Companhia Brasileira de Materiais Ferroviários) e, no de vagões, a Maxion.

O país já está se beneficiando da transferência de tecnologia, disse a ministra, no caso da indústria naval. No Rio Grande do Sul, assinalou, empresas de Cingapura estão construindo cascos de navio em série num projeto apelidado de “dique seco”. “Essa é uma boa experiência. Quando pensamos em construir isso no Brasil?”, indagou.

A ministra quer dar agilidade ao projeto do trem-bala. A despeito do pessimismo que ronda a obra, ela disse que o governo fará um “esforço enorme” para o projeto estar em pleno funcionamento durante a Copa do Mundo de 2014, cuja sede será no Brasil.

Dilma informou que já está definido que o projeto contemplará dois trechos básicos – Campinas-São Paulo e São Paulo-Rio, com ligações aos principais aeroportos das três cidades. Haverá linhas ligando essas cidades ponto-a-ponto e também com paradas ao longo do trajeto. Não está decidido ainda se o projeto será viabilizado por meio de Parceria Público-Privada(PPP) ou de uma concessão.

Representantes de empresas da Alemanha, Itália, Japão e Coréia procuraram o governo brasileiro para mostrar as vantagens de suas tecnologias. O governo já decidiu, porém, que não escolherá, a priori, como fez em relação ao padrão da televisão digital, uma tecnologia específica. “Olhamos todas as exposições e chegamos à conclusão de que o que temos que fazer é estruturar uma licitação que deixe a tecnologia em aberto”, revelou.

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