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Nota promissória substitui o crédito

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SÃO PAULO(SP) –  O encarecimento das linhas de crédito no mercado como um todo fizeram com que a emissão de notas promissórias – títulos de dívida curtos, com vencimento em até 360 dias – mais que dobrasse entre 2007 e 2008. De acordo com dados dispostos na Comissão de Valores Mobiliários, o registro de lançamentos deste títulos está em aproximadamente R$ 20 bilhões no acumulado deste ano, mais que o dobro dos cerca de R$ 9,3 bilhões verificados em todo o ano passado.

Analistas do setor explicam que muitas companhias que utilizariam debêntures – títulos de dívida longos, com vencimento entre três e cinco anos – e até aqueles que optariam pelo crédito bancário, como as companhias de menor porte, acabaram por utilizar esse recurso, tanto pelo aumento da rentabilidade do primeiro quanto pela escassez do segundo.

Apenas neste mês de novembro(2008), já estão contabilizados R$ 3,6 bilhões em notas, sendo que em novembro de 2007, nenhuma oferta foi registrada na CVM. Em outubro, foi R$ 1,189 bilhão, mostrando uma alta de 8,2% sobre o R$ 1,1 bilhão do mesmo mês do ano passado. Por outro lado, o lançamento de debêntures neste ano soma R$ 37,5 bilhões – 17,4% a menos do que os R$ 45,4 bilhões do mesmo período de 2007. Em novembro, não foi feita uma emissão sequer, enquanto no mesmo mês do ano passado, ao todo, foram R$ 5,2 bilhões. Em outubro, houve o lançamento de R$ 560,89 milhões, cifra bem inferior aos R$ 10,9 bilhões do mesmo mês do ano passado. Setembro e outubro também não apresentaram lançamentos.

Segundo especialistas, essa é uma forma encontrada pelas empresas de conseguir "fôlego" para garantir suas operações, sem comprometer a empresa por um longo período. Por conta da crise, há uma escassez de crédito bancário, (os bancos) estão mais seletivos em seus empréstimos.

Para se ter uma idéia, a escalada dos juros teve efeito até mesmo sobre a criação da supertele, que ocorrerá com a compra da Brasil Telecom pela Oi(ex-Telemar). Conforme apurou o DCI, a Invitel, uma holding controladora da BrT, anunciou na semana passada o alongamento de outro título de dívida por meio da emissão de R$ 950 milhões em notas promissórias, com prazo de vencimento de seis meses. O volume necessário superava a casa do bilhão, mas por conta do aumento dos juros, explicou uma fonte ligada à operação, optou-se por retirar o máximo possível de dinheiro de caixa para financiar um valor menor. "Tivemos dificuldade com o custo de captação. Ano passado, o pagamento representava o CDI mais 0,7%. Hoje está no CDI mais 4,5%", explicou uma fonte, citando que o valor a ser rolado era superior a R$ 1,1 bilhão.

Pesquisa feita pela Associação Nacional das Instituições do Mercado Financeiro mostra que das nove emissões de "commercial papers" feitas entre o fim de setembro e a última semana de novembro, três tiveram como intuito alongamento de dívida. No caso de debêntures, de nove lançamentos verificados entre setembro e outubro, seis tiveram esse fim. "Ao contrário das emissões de 2007, feitas para expansão da capacidade produtiva e aquisição de empresas, a busca agora é por mais prazos para pagar dívidas", explicou o superintendente de Produtos e Relações Institucionais da Andima, Luiz Macahyba.

"Enquanto não se resolver essa crise, que afeta, sobretudo, a credibilidade, e que gera incertezas, o mercado vai continuar caminhando de lado. E as emissões que virão serão destinadas muito mais para atender as necessidades específicas e imediatas do emissor", concluiu o especialista.

"As notas promissórias são ótimos papéis para épocas de crise", avaliou a presidente da Associação dos Analistas e Profissionais do Mercado de Capitais de São Paulo, Lucy Souza. "Ela é flexível e mais fácil de emitir: dependendo do tamanho da especificação, a empresa não precisa nem ter capital aberto. Os requerimentos de emissões também são mais simples que as debêntures, deixando o processo mais rápido e menos custoso", completou. Conforme Lucy, historicamente, em épocas de fortes turbulências econômicas – como foi o caso da crise da Rússia e da Ásia – aumenta o número de emissão das notas. Exatamente por esse momento da economia, a tendência é de que mais empresas lancem mão do artifício. "Esse é o único valor mobiliário que, no momento, consegue ser alocado. Como ninguém consegue ver o médio e o longo prazos, opta por visualizar o curto prazo", finalizou.

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