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Assassinato de Irmã Dorothy completa quatro anos

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Acusado de ser mandante da morte da missionária ainda não foi julgado pelo crime. Outro fazendeiro acusado foi inocentado.

São Paulo (SP) – Quatro anos depois da morte da Irmã Dorothy Stang, que trabalhava com pequenos agricultores na região de Anapu, no Pará, nenhum dos acusados de serem mandantes do crime foram punidos. O fazendeiro Vitalmiro Moura foi inocentado em um segundo julgamento, realizado em 2008, e Regivaldo Galvão, apontado pelo Ministério Público como responsável direto pelo assassinato da missionária americana, sequer foi julgado. Quis o destino, porém, que Galvão fosse preso no final do ano passado acusado de grilagem e tentativa de comercialização ilegal de terras públicas.

"Irmã Dorothy morreu defendendo os assentamentos de Anapu, em terra pública, do governo. O que me revolta mais, é que o próprio governo, até hoje, faz muito pouco para defender essas terras e as pessoas que vivem ali", afirma o padre Amaro Lopes, da Comissão Pastoral da Terra(CPT).

O trabalho que Dorothy Stang vinha realizando na região também está ameaçado de desaparecer. Seu plano de transformar uma área de cerca de 200 mil hectares em Anapu em modelo de exploração sustentável por pequenos agricultores está paralisado e as terras foram invadidas por fazendeiros e madeireiros.

O Greenpeace tem feito sua parte para manter viva a memória de Irmã Dorothy e sua luta pela atividade sustentável na floresta. Em Belém, durante passagem do navio Arctic Sunrise pela cidade como parte da expedição Salvar o Planeta. É Agora ou Agora, exibimos o documentário "Eles Mataram Irmã Dorothy", do diretor Daniel Junge, em auditório do cinema da Universidade Federal Rural do Pará(UFRA), durante o Fórum Social Mundial, e também em praça pública, na Estação das Docas da capital paraense.

"Os advogados de defesa dos acusados do crime, que tanto chocam as pessoas que vêem o filme, são apenas atores fazendo o seu trabalho. Mas se este filme não alavancar o debate sobre o sistema judicial e a certeza de impunidade que permeia a nossa sociedade atual, eu terei prestado um desserviço à sociedade", disse Daniel Junge, o diretor do filme.

Assassinada a sangue frio
A missionária americana Dorothy Stang(Foto), de 73 anos, foi assassinada na manhã do dia 12 de Fevereiro de 2005, com 3 tiros, no Travessão do Santana, município de Anapu, no Estado do Pará, 16 anos depois da morte de ativista Chico Mendes. O crime aconteceu quando irmã Dorothy, como era conhecida, seguia para o Projeto de Desenvolvimento Sustentado(PDS) Esperança, junto com mais companheiros.

A então ministra Marina Silva, que estava em Porto de Moz participando de reunião para implementação da reserva extrativista Verde para Sempre, afirmou que não haver relação direta entre a criação da resex e o assassinato de irmã Dorothy, mas que o crime poderia ser uma tentativa de intimidar o governo federal em sua política de criar áreas protegidas e fortalecer as comunidades tradicionais da Amazônia. Emocionada, Marina Silva disse que o governo não ia recuar e nem ser intimidado por criminosos. “O sangue da irmã Dorothy vai regar a reserva Verde para Sempre”, declarou. A ministra disse ainda que pediu investigação rigorosa por parte do governo do Pará, inclusive com a participação da Polícia Federal.

Irmã Dorothy vivia há mais de 30 anos na região da Transamazônica e dedicou quase a metade de sua vida a defender os direitos de trabalhadores rurais contra os interesses de fazendeiros e grileiros da região. Desde 1972, ela trabalhava com as comunidades rurais de Anapu pelo direito a terra e por um desenvolvimento sem destruição da floresta.

Trabalhava intensamente na tentativa de minimizar os conflitos fundiários, principalmente a grilagem de terras e a extração ilegal de madeira. Por causa disso, chegou a ser acusada, em 2001, de instigar a violência no município e recebeu inúmeras ameaças de morte nos últimos anos de vida por causa de sua luta pela preservação da Amazônia. Também fez diversas denúncias sobre a participação de policiais civis e militares na expulsão de trabalhadores a mando de fazendeiros e grileiros da região.

A defesa da Amazônia continua sendo regada com o sangue dos justos. Irmã Dorothy defendia como poucos o patrimônio nacional dos ataques dos grileiros e tentava, de maneira incansável, que o Estado se fizesse presente em regiões remotas da Amazônia”, disse Paulo Adário, coordenador da campanha da Amazônia, do Greenpeace, que esteve em Anapu.

Representações
O Ministério Público Federal pediu ao Superior Tribunal de Justiça que o assassinato de irmã Dorothy seja considerado um crime contra os direitos humanos.

Nos últimos meses, o Ministério Público havia enviado mais de 10 representações sobre as ameaças contra irmã Dorothy e outras lideranças de Anapu para o Secretário Especial de Defesa Social, Manoel Santino Nascimento Junior, pedindo medidas para garantir a integridade física dos ameaçados. “Mesmo sabendo dos riscos que irmã Dorothy corria, o governo do estado do Pará não tomou uma medida para garantir sua segurança”, disse Adário do Greenpeace. “É inaceitável que os marginais continuem imperando na Amazônia, silenciando a voz daqueles que defendem a preservação e os povos da floresta contra os interesses de grileiros, madeireiros e fazendeiros que operam ilegalmente na região”.

O Pará apresenta o maior índice de assassinatos ligados às disputas de terra. Entre 1985 a 2001, quase 40% as 1237 mortes de trabalhadores rurais no Brasil aconteceram no Pará. Não é a toa que o Pará é o estado campeão de desmatamento ilegal, exploração de madeira, grilagem de terras, trabalho escravo e palco de escandalosas denúncias de abuso aos direitos humanos, conforme descrito no relatório “Pará: Estado de Conflito”, lançado pelo Greenpeace em outubro de 2003.

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