O Bê-a-bá do Sertão

Presidente de Guiné-Bissau é morto por soldados

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Bernardo Vieira era acusado da morte de chefe do Estado-Maior

Bissau(Guiné Bissau) – O presidente de Guiné-Bissau, João Bernardo Vieira, foi morto a tiros por soldados na manhã desta segunda-feira(02Mar2009), de acordo com autoridades militares do país.

Um porta-voz do governo disse que os responsáveis pelo assassinato pertencem a um grupo isolado e estão sendo procurados.

O assassinato de João Bernardo Vieira(camisa azul, abraçando Tagmé) é apontado como uma vingança pela morte do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do país, o general Tagme Na Waie, ocorrida horas antes em um ataque a bomba. Os militares negam que esteja acontecendo um golpe militar.

O assassinato
Militares guineenses reagiram violentamente à morte num atentado bombista do Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, Tagmé Na Waié, atribuído aos homens do Presidente da República.

O corpo de "Nino" Vieira, assassinado esta manhã, foi retirado da residência oficial do presidente da Guiné Bissau, debaixo de disparos de militares que cercam a casa. A esposa de Nino Vieira, Isabella, foi retirada, com vida, para a embaixada de Angola. O ataque à casa do Presidente guineense aconteceu poucas horas após o Chefe de Estado-Maior General das Forças Armadas, Tagmé Na Waié, ter morrido num atentado à bomba contra o quartel-general guineense.

Forças militares atacaram a residência oficial do Presidente da Guiné-Bissau, Nino Vieira, tendo o chefe de Estado sido morto às primeiras horas da manhã, parecendo tratar-se de um acto de retaliação pelo atentado mortal, na véspera, contra o chefe de estado-maior das Forças Armadas do país.

Em declarações à AFP, Zamora Induta disse que Nino Vieira foi “morto pelo exército quando tentava fugir” de sua casa, tendo sido “varrido por balas disparadas pelos soldados”.

O ataque ao chefe de Estado guineense, que ocorreu às 04h00m da madrugada locais(a mesma hora em Portugal), foi conduzido por “um grupo de militares próximo do chefe de estado-maior das Forças Armadas de Bissau, Tagmé Na Waié”, precisou ainda aquele responsável militar, apontando Nino Vieira como "um dos responsáveis pela morte de Tagmé”.

O general Tagmé Na Waié(Foto) morrera na noite de domingo(01Mar2009), sucumbindo aos ferimentos sofridos num atentado à bomba ao quartel-general das Forças Armadas em Bissau. O número um militar guineense – crítico feroz de Nino Vieira – afirmara, em Janeiro passado, ter escapado a uma tentativa de assassinato, da qual responsabilizou directamente o clã presidencial. Disse então que o queriam “liquidar”.

Nino Vieira(Foto), de 69 anos – e quase 23 à frente dos destinos do país –, disse há três meses ter sido alvo de um ataque conduzido durante a noite por um grupo de militares, durante o qual morreram dois membros da sua guarda presidencial. Fora reeleito em 2005, nove anos depois do fim da guerra civil(1998-1999) que o afastara do poder. Tagmé Na Waié, de resto, integrara a junta militar que pusera então termo à liderança de Nino Vieira.

Testemunhas ouvidas pela AFP relatavam que a residência oficial do Presidente da Guiné-Bissau estava esta manhã a ser alvo de pilhagens. “Vimos militares tiravam de lá de dentro tudo quanto podiam, os seus bens pessoais, mobiliário, tudo”, era narrado.

A noite de ontem para hoje em Bissau foi marcada, de resto, por constante violência, desde o anúncio da morte de Tagmé Na Waié. Tiros de armas automáticas e disparos de rockets repetiram-se ao longo de toda a noite e pela madrugada dentro, em diferentes locais da capital guineeense – sobretudo em redor do quartel-general das Forças Armadas e na zona da residência oficial do Presidente.

Histórico
Correspondentes dizem que o presidente e o general estavam em conflito há meses.

Em novembro, o país foi cenário de uma tentativa fracassada de golpe de Estado, quando soldados invadiram o palácio presidencial a tiros.

O presidente então organizou sua equipe de segurança com 400 homens armados, mas, em janeiro, o grupo foi dissolvido, acusado de tentar assassinar o general Tagmé Na Waie.

João Bernardo Vieira, conhecido como "Nino", controlou Guiné-Bissau por quase 23 anos. Ele havia sido reeleito para a Presidência do país do oeste africano em 2005, após passar nove anos fora do poder, deposto durante uma guerra civil que durou 11 meses.

Guiné-Bissau tem um histórico de golpes e motins desde que se tornou independente de Portugal, em 1974.

Nos últimos anos, o país se tornou uma rota do tráfico de drogas da América Latina para a Europa, o que, na opinião de analistas, contribui ainda mais para abalar as já fragilizadas instituições estatais.

O governo de Portugal divulgou um comunicado dizendo que pretende convocar uma reunião de emergência da Comunidade Portuguesa de Língua Portuguesa(CPLP) para debater os acontecimentos em Guiné-Bissau.

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