Segundo a equipe médica, com a parada cardíaca, somente as córneas poderão ser doadas, após avaliação.
A autorização para a retirada dos órgãos havia sido dada por assessores do deputado e pelo Ministério Público, uma vez que ele não tem parentes próximos com os quais mantinha contato. A assessora de imprensa do deputado, Berta Pellegrino, disse que Clodovil havia manifestado várias vezes a intenção de doar seus órgãos quando morresse.
O hospital Santa Lúcia, em Brasília, anunciou hoje a morte cerebral do deputado Clodovil Hernandes (PR-SP), internado ontem após sofrer um AVC (acidente vascular cerebral). A informação foi dada pelo médico Cícero Henriques Dantas Neto, diretor técnico do hospital.
De acordo com o hospital, houve a autorização de amigos e do Ministério Público para a doação dos órgãos de Clodovil pela falta de parentes próximos com quem ele mantinha contato. Clodovil era adotado e sua mãe já havia morrido. Devem ser doados a córnea, a íris, o fígado e o coração.
Pelos cálculos do hospital, a cirurgia para retirada de todos esses órgãos deve durar cerca de cinco horas. Clodovil deve ser dado oficialmente como morto por volta das 22h desta terça-feira.
Clodovil foi submetido hoje a uma série de exames para diagnosticar a gravidade da lesão cerebral. O hospital suspendeu a divulgação do boletim que estava previsto para as 13h. Em vez disso, marcou uma entrevista coletiva para as 16h para anunciar a morte cerebral.
Agravamento da saúde
O quadro de saúde do deputado federal, estilista e apresentador de TV Clodovil Hernandes(PR-SP), 71, segundo informações do hospital Santa Lúcia, de Brasília(DF), piorou nesta tarde desta desta terça-feira(17Mar2009). Ele foi internado na UTI(Unidade de Terapia Intensiva) do hospital, em decorrência de um AVC(acidente vascular cerebral), sofrido no domingo(15Mar2009). Por volta das 14h15m, Clodovil teve uma parada cardíaca que durou cerca de cinco minutos, segundo a equipe médica, como resultado do quadro de hemorragia. A parada cardíaca foi revertida pelos médicos.
O deputado encontrava-se em coma profundo, mas os sinais vitais estáveis às custas de medicações e equipamentos. "As respostas neurológicas pioraram muito. Ele não tinha resposta motora, mas ainda apresentava movimentos respiratórios(com a ajuda de aparelhos)" afirmou o neurocirurgião Benício Oton de Lima.
Segundo o médico, o estado de coma de Clodovil chegou ao nível 3 da escala Glasgow – o grau mais grave, na escala de 3 a 15. Anteriormente, o nível era 5.
Questionado sobre casos semelhantes, Lima chegou a afirmar que há pacientes que reverteram o quadro, mas a taxa de mortalidade é muito alta. Quanto à possibilidade de lesões, caso Clodovil conseguisse sobreviver, o médico afirmou ser muito elevada.
De acordo com o médico intensivista Alan Ricardo Coutinho Ferreira, integrante da equipe que cuidou do deputado, o quadro clínico era grave. "O prognóstico ainda é ruim. O estado é grave. O risco de morte é muito alto, mas os procedimentos médicos foram feitos sem maiores problemas. Se não houvesse chance de recuperação, não teríamos feito nada. Em cima desta chance é que estamos trabalhando", afirmou antes da morte do deputado.
O intensivista afirmou também que ainda não tinha como avaliar a lesão porque a preocupação era com a vida do paciente.
A assessoria do hospital confirmou também que o parlamentar sofreu uma queda em sua casa, mas afirmou que a queda foi causada pelo AVC, e não o contrário. Ainda de acordo com a assessoria, Clodovil teve sorte porque caiu de bruços, o que impediu que ele ingerisse o próprio vômito e sofresse asfixia.
O deputado chegou ao hospital às 08h17m da segunda-feira(16Mar2009), conduzido pelo serviço médico da Câmara dos Deputados. No momento da entrada, Clodovil estava com o corpo duro e o lado esquerdo comprometido, segundo a assessoria do Santa Lúcia. O neurocirurgião Benicio Othon e o cardiologista Álvaro Achar comandam a equipe que esteve cuidando de Clodovil.
Telefonemas
Segundo a assessoria de imprensa do deputado, amigos e parlamentares telefonaram para o hospital prestando apoio, entre eles os presidentes da Câmara, Michel Temer(PMDB-SP), e do senado, José Sarney(PMDB-AP), além dos ministros que fizeram o julgamento de Clodovil na última semana no TSE.
Polêmico e extrovertido
Em julho de 2007, Clodovil Hernandes prestou uma entrevista a Revista ÉPOCA relatando sobre sua personalidade. Em sua fala, o estilista e apresentador de TV também deixou transparecer sua infelicidade. "A maior mentira que já contei é a de que sou feliz”, revelou.
Confira trechos da entrevista:
Qual é seu maior medo?.
Não tenho medo de nada. Porque, se eu tivesse, não acreditaria em Deus.
Figura histórica com que mais se identifica.
Fernando Pessoa e Eva Perón.
Pessoa viva que mais admira.
Dalai Lama.
Característica que você mais odeia em si mesmo.
São tantas, nem sei se eu tenho qualidades.
Uma extravagância.
Uma vez, em Milão, vi um casaco de US$ 28 mil. Apaixonei-me e o comprei. Dali, tive de voltar para o Brasil porque não tinha dinheiro para continuar a viagem. Hoje, o casaco apodreceu.
Maior mentira que já contou.
Que eu sou feliz.
Quando foi mais feliz?.
Quando a mamãe estava viva, há 20 anos.
O que mudaria em você?.
Tudo o que pude mudar já mudei – nariz, orelhas. Agora, se eu pudesse me recuperar do câncer de próstata (ele extraiu o órgão no início do ano), era algo que eu faria. Assim, eu voltaria a sentir desejo sexual.
Bem mais precioso.
Meu caráter.
O que escreveria em sua lápide?.
É preferível afrontar o mundo e servir nossa consciência a afrontar nossa consciência para ser agradável ao mundo.
O lugar mais estranho em que já fez amor.
Num avião, indo para Paris.
Pior inimigo.
Eu mesmo.
O que os outros falam de você?.
Não me importo com o que falam pelas minhas costas. Meu traseiro não tem ouvido.
Que música está na campainha de seu celular?.
O miado de uma gata.
Qual é seu preço?.
Um tostão. Já é alguma coisa, pois as pessoas dizem: “Fulano não vale um tostão”.
Um objeto do desejo.
Um sapo de diamante da Tiffany.
Maior vexame pelo qual já passou.
Numa festa, sentado no colo de uma pessoa que eu adoro, meu dente caiu.
Maior desafio.
Viver.
Última compra.
Uma sauna portátil.
Xingamento favorito.
Gosto de falar para minha empregada: “Tomara que você ganhe na Loto, pois assim você terá empregados iguaizinhos a você".
Biografia
Nascido em 17 de junho de 1937, em Elisário, cidade localizada a 402 km de São Paulo, Clodovil foi adotado por um casal de origem espanhola, Domingos Hernandes e Izabel Sanches Hernandes. Não conheceu seus pais verdadeiros e estudou em colégio interno. Homossexual assumido, não casou e nem teve filhos.
Estilista de alta costura, ator, cantor, apresentador de TV e professor primário, Clodovil iniciou a carreira política quando se filiou ao PTC, em 2005. Em 2006, foi eleito deputado federal com 493.951 votos, terceira maior votação do estado de São Paulo. Seu mandato iria até 2011. Antes de ingressar na política, Clodovil foi professor primário, fez teatro, construiu longa carreira na televisão e foi estilista de sucesso.
Um de seus primeiros trabalhos na televisão foi no início da década de 80, quando apresentou o "TV Mulher", da TV Globo, voltado para o público feminino. Na época, dava dicas de moda e desenhava modelos ao vivo. Ele dividiu o cenário com a jornalista Marília Gabriela e com a sexóloga Marta Suplicy, que também ainda não tinha entrado para a política.
