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Diplomata e escritor lança livro sobre coronelismo

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João Pessoa(PB) – O diplomata e escritor pernambucano André Heráclio do Rêgo lança, nesta sexta-feira(20Mar2009), às 19h00m, na Livraria Esquina das Letras, no Zarinha Centro de Cultura, o livro “Família e Coronelismo no Brasil – Uma História de Poder”(A Girafa Editora, São Paulo). Após a sessão de autógrafos, o autor profere palestra sobre a gênese da obra e o tema que em suas páginas é abordado. O ZCC está localizado na Avenida Nego, 140, Tambaú, telefone (83)4009-1130.

Não é preciso ir ao interior de qualquer estado brasileiro para se comprovar a perenidade do fenômeno do coronelismo, que se transforma, assume características diferentes nas várias regiões, mas parece nunca ter fim, no Brasil. Basta acompanhar o dia-a-dia do Congresso Nacional e conhecer as origens e práticas políticas de suas principais lideranças.

Ao estudar o fenômeno do coronelismo, André Heráclio do Rêgo(Foto) foi ao encontro do que Caio Prado Júnior chamou de “sentido da colonização” que os portugueses estabeleceram no Brasil, desde o século XVI, quando procuraram desenvolver um sistema de exploração da terra em benefício da metrópole que também utilizasse a mão de obra forçada do nativo do país e dos negros trazidos da África.

Essas idéias que influenciaram Heráclio do Rêgo ligam o seu pensamento ao do mestre paulista e à velha idéia de Gilberto Freyre que, com a sua formação de antropólogo, descreveu o processo da miscigenação, de vez que no Brasil ocorreu durante cinco séculos um forte cruzamento entre o europeu, o português, o indígena americano e o negro da África.

“Família e Coronelismo no Brasil” tem como primeiro objetivo analisar as relações entre a família e o poder local, mais conhecido no Brasil como “coronelismo”. O autor tem como personagem central sua própria família, especialmente seu tio avô Francisco Heráclio do Rêgo, popularmente conhecido por coronel Chico Heráclio, personagem fundamental na história política pernambucana, famoso não só pelo seu poderio político e pelo seu carisma, mas também pelo folclore que se criou em torno de sua figura.

Enriquecido com uma série de documentos, como folhetos de cordel, nos quais o coronel Chico Heráclio fazia a sua propaganda política e divulgava suas ações de ordem econômica, social e política, o livro(Foto/capa) traz ainda uma rica iconografia familial, projetando fatos importantes para as famílias ilustres não somente do Nordeste, mas do país inteiro, como batizados, primeiras comunhões, casamentos e posse em cargos eletivos, entre outros. Tais documentos revelam uma estratégia muito bem concebida de divulgação e imposição de uma imagem ideal, que se revela uma excelente fonte de poder político.

Uma preocupação que norteou a feitura do livro, segundo André Heráclio do Rêgo, foi que sua condição de membro da família estudada não prejudicasse sua visão crítica da história. “Mas o fato de pertencer a essa família foi também um elemento favorável, que permitiu o conhecimento próximo dos personagens e o acesso privilegiado aos arquivos familiais”, ressalta. “A utilização desse material – prossegue o autor -, em sua maior parte inédito, e a análise das fontes, realizada segundo um método rigoroso e bem orientado, permitiu-me conservar a distância crítica indispensável para que fosse possível elaborar uma contribuição original ao conhecimento da família e do coronelismo no Brasil”.

No prefácio de “Família e Coronelismo no Brasil”, o conhecido geógrafo e historiador Manuel Correia de Andrade, autor do clássico “A Terra e o Homem do Nordeste”, afirma que o livro de André Heráclio do Rêgo, com segurança, a um só tempo relata a história de um grupo familiar poderoso de Pernambuco e leva o leitor a formular reflexões variadas sobre estes complexos sócio-culturais de Pernambuco e do Brasil. “Por isto o considero um grande livro”, ressalta.

Sobre o autor
André Heráclio do Rêgo, pernambucano do Recife, diplomata e escritor, é doutor em Letras e Ciências Sociais pela Universidade de Paris X – Nanterre.

Nesta universidade, faz parte do Centro de Interdisciplinares sobre o Mundo Lusófono. Além do coronelismo e da família patriarcal, seus campos de estudo incluem a literatura brasileira, a cultura popular e o folclore.

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