João Pessoa(PB) – A Superintendência Regional da Conab na Paraíba começou a pagar nesta semana os valores referentes ao programa de subvenção da cana-de-açucar aos canavieiros que solicitaram o benefício no estado. No total estão serão liberados R$ 4,5 milhões por 1 milhão de toneladas do produto, constantes em 880 propostas enviadas pelos produtores à estatal. A expectativa é de que o programa atenda duas mil solicitações no total, resultado em novo aporte de recursos.
Cada plantador pode receber o valor de até R$ 5 por tonelada de cana, num total de 10 mil toneladas, determinadas pelo Governo Federal. A ação foi definida pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em ajuda aos produtores de cana que foram prejudicados com o baixo preço de comercialização de sua produção nesta safra.
* Jonas Cavalcanti, com Thadeu Melo(Estagiário/PB).
Cana, Acúcar e Álcool:
Tendência de margens negativas para o setor
O Brasil deve processar 598,0 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2009/2010, uma alta de 5,7% em relação às 565,6 milhões de toneladas moídas nas usinas na safra 2008/2009. O Centro-Sul deve moer 530,0 milhões de toneladas de cana nesta safra 2009/2010, uma alta de 6,1% sobre às 499,6 milhões de toneladas da safra 2008/2009. Já a região Nordeste, cuja safra começa no segundo semestre, deverá processar as 68,0 milhões de toneladas restantes. Assim como na safra passada, a oferta de cana-de-açúcar será maior e as usinas não conseguirão processar toda a matéria-prima disponível. Em 2008/2009 cerca de 20,0 milhões de toneladas de cana deixaram de ser processadas.
O freio no avanço do setor sucroalcooleiro, que cresceu 13% ao ano na oferta de açúcar total nos últimos três anos, deve-se à crise nos preços e da crise mundial de liquidez. Crédito agora é escasso e as usinas, que tinham de 6% a 8% de custo financeiro nos empréstimos, passaram a pagar de 20% a 23% ao ano, o que é alto para um setor que tem entre 11% e 13% ao ano de retorno sobre investimentos. Isso reduziu muito o capital de giro. Com o crédito escasso, as usinas deverão ter dificuldades de iniciarem a moagem da safra 2009/2010 e as unidades produtoras, que passaram por manutenções deficientes na entressafra, podem ter mais problemas de quebras durante a moagem.
O setor sucroalcooleiro foi atingido pelas crises de preços e liquidez em um momento de grande expansão. O mix de destino da cana-de-açúcar em 2009/2010 deve ser de 56,5% para a produção de álcool no Brasil. Na safra passada, o destino da matéria-prima para a produção de álcool foi de 58,46% no País e atingiu 60,26% no Centro-Sul. A safra 2009/2010 ainda será alcooleira, mas a redução no mix do álcool será destinada para o aumento da produção de açúcar.
As usinas de cana-de-açúcar do Centro-Sul do Brasil estão moendo a nova safra mais cedo do que o normal para levantar dinheiro em meio ao aperto de crédito, segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica). 36 usinas tinham começado a moer a safra 2009/2010 de cana até 15 de março, contra 10 na mesma época do ano passado. Entre essas que já estavam operando, 20 não pararam durante a entressafra. Essa temporada foi sem precedentes. O alto número de usinas já operando deve-se ao impacto da crise no setor e ao volume de cana deixada nos campos na temporada passada, segundo a Unica.
A crise financeira global reduziu a disponibilidade de crédito para financiar operações, deixando algumas empresas sem outra opção a não ser acelerar a produção e vender açúcar e álcool para cobrir os custos diários. Os preços para esses produtos caíram no mercado doméstico por causa do movimento de vendas. Os preços do etanol caíram em mais de um terço nas últimas sete semanas, provocando alguns contratos de exportação. Cerca de 40 milhões de toneladas de cana foram deixadas nos campos no ano passado depois que as chuvas prejudicaram a colheita.
Além disso, as usinas enfrentaram atrasos nas entregas de equipamentos. A colheita na Região Centro-Sul do Brasil, que responde por cerca de 90% da produção nacional de cana, começa oficialmente em 1º de abril. A primeira estimativa da Unica para a safra 2009/2010 deve sair em meados de abril. Deve haver um aumento na disponibilidade de cana, assim como na produção de açúcar e etanol em relação à temporada passada. Como mais usinas começam a moer a safra cedo, deve haver mais açúcar e álcool disponível em abril do que no mesmo mês do ano passado. Até o final de abril de 2008, as usinas do Centro-Sul tinham moído 22 milhões de toneladas.
O preço da cana seguiu abaixo do custo de produção na safra 2008/2009. O preço pago pelas usinas ao produtor pela tonelada cana-de-açúcar no Estado de São Paulo, maior produtor do País, encerrou a safra 2008/2009 em R$ 39,85 por tonelada, uma alta de 11,3% sobre os R$ 35,81 a tonelada da safra 2007/2008, segundo dados do Conselho dos Produtores de Cana-de-Açúcar, Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo(Consecana). Os cálculos são feitos a partir da média dos preços de nove produtos derivados da cana e de outras variáveis, como a qualidade da matéria-prima.
Segundo a Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil(Orplana), mesmo com o aumento no preço, o valor da cana-de-açúcar recebido pelo produtor é até 24% abaixo do custo de produção, estimado entre R$ 52,00 e R$ 52,50 por tonelada. O preço recebido não remunera os investimentos já há duas safras e o cenário para a próxima não é diferente. Com isso, o produtor investe menos tem dificuldades de cumprir seus compromissos. O preço da cana deve seguir sob pressão baixista em 2009/2010. Com o temor de que os baixos preços serão predominantes nos próximos meses, começa a safra de cana-de-açúcar 2009/2010 em São Paulo, principal polo sucroalcooleiro do país, que abre a moagem com o mais baixo valor do litro do álcool para o período desde 2004.
Mas as dificuldades vão além do preço do etanol e passam pela crise global, que fez secar a torneira do crédito para usineiros, emperrando, por exemplo, o financiamento de equipamentos. Com isso, usineiros e o Estado preveem dificuldades para a safra. Do ponto de vista financeiro, será mais difícil, pois há escassez de crédito, provocada pela crise mundial. No Centro-Sul foram 505 milhões de toneladas de cana na safra passada e a previsão agora é de 540 milhões de toneladas. Se for confirmada, será mais um ano ruim para o setor, com muita cana. Enquanto não der uma parada nos aumentos, o setor segue financiando o prejuízo. O setor opera há dois anos no prejuízo, com preços abaixo do custo de produção.
A falta de crédito emperra, ainda, a estocagem de etanol – que recebeu incentivo de R$ 2,5 bilhões do governo para um programa de financiamento – e a expansão das usinas. Na última safra, cerca de 40 milhões de toneladas de cana sobraram nas lavouras do país. Com produção maior neste ano, a perspectiva é de que os preços sejam ruins para produtores e usinas, mas bons para consumidores.
O preço do álcool, nesta semana, é vendido a R$ 0,99 em postos de Ribeirão Preto (SP). Isso ocorre porque, nas usinas, o litro tem saído pelo mais baixo preço desde 2004. Hoje, sem impostos, custa R$ 0,6809, contra R$ 0,7622 da terceira semana de março do ano passado e R$ 1,2286, de 2006. Mas a safra inicia não só com perspectivas ruins. O setor também vê pontos otimistas, como a expansão da exportação de açúcar e a alta nas vendas de carros flex. Para efeito de demanda, a crise não trouxe pontos negativos. Há um déficit mundial de açúcar, a safra na Índia quebrou e, por duas safras consecutivas, será expandida a produção do açúcar sem gerar excedentes, além de uma taxa de câmbio favorável, segundo a Unica (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).
Segundo a entidade, há dificuldade financeira e a alternativa é ofertar o produto. Sobre os excedentes, não houve produto em excesso nas últimas safras, mas uma desorganização. O principal caminho apontado para superar as dificuldades pode estar no açúcar. Há uma semana, o país soube que 5,8 milhões de toneladas de açúcar produzido na Europa serão retirados do mercado internacional, o que equivale a 20% do total produzido na última safra e abre lacuna para que o país possa entrar nesse mercado. A Unica evita prever, mas indica que o açúcar pode dividir em partes iguais com o etanol a produção. Na última safra, 39,6% da cana virou açúcar, e os 60,4% restantes, álcool.
Açúcar:
Tendência de alta dos preços futuros sustentam cotações internas
A tendência é de alta dos preços futuros no ciclo 2009/2010. A expectativa de déficit mundial de açúcar já foi digerida pelo mercado e os preços futuros devem se acomodar em níveis mais elevados, entre 14 centavos de dólar por libra-peso e 15 centavos de dólar por libra-peso. Dois anos seguidos de grandes excedentes na Índia e margem de lucro negativa para processadores privados usando importações podem limitar a demanda por importação da Índia(que este ano terá uma produção menor de açúcar).
Segundo a Organização Internacional do Açúcar, a produção mundial da commodity deve cair 4,2% na safra 2008/2009, para 161,53 milhões de toneladas. Trata-se de um volume 4,3 milhões de toneladas abaixo da demanda. A queda do plantio de cana-de-açúcar na Índia, segundo maior produtor mundial e maior consumidor, é a principal responsável pelo déficit de açúcar no mundo, após anos de excedentes. A Índia deve consumir cerca de 22,5 milhões de toneladas de açúcar este ano, para uma produção estimada em apenas 15,5 milhões de toneladas, segundo a Associação das Usinas de Açúcar Indianas.
Contudo, mesmo com o cenário de aperto na oferta, o ritmo das importações de açúcar demerara e refinado tem sido lento em todo o mundo. Para países que geralmente importam o açúcar demerara para refiná-lo localmente, como a própria Índia, o atraso pode significar problemas no futuro, quando os estoques domésticos definharem. Alguns importadores estão demorando para reagir e podem ter de importar açúcar refinado em vez de demerara. A expectativa é de que a Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, importe até 2,5 milhões de toneladas na safra 2009/2010, com início em outubro, contra 1,5 milhão de toneladas neste ciclo 2008/2009.
A estimativa para o déficit mundial de açúcar em 2008/2009 é de até 4,3 milhões de toneladas, em decorrência da forte queda da produção da Índia, que deve totalizar menos de 12,0 milhões de toneladas, e à produção menor na China e na Austrália. O déficit em 2008/2009 pode resultar em preços mais altos este ano.
No ciclo 2010/2011, a cotação do açúcar demerara na ICE Futures US (Bolsa de Nova York) pode voltar à tendência de alta e subir para até 19 centavos de dólar por libra-peso. Como o horizonte para o álcool combustível não está animador no curto prazo, com preços em queda mesmo durante a entressafra, as usinas do Centro-Sul deverão aumentar a produção de açúcar de olho no mercado internacional, uma vez que a Índia, o segundo maior produtor e maior consumidor mundial, deverá elevar as importações nos próximos meses.
Em 2008/2009, a demanda mundial por açúcar deve crescer 1% a 2%. O ambiente econômico está bem pior do que o previsto anteriormente, mas ainda se espera um aumento na demanda mundial. A única vez na história recente em que a demanda mundial caiu em mais de 1% foi durante a escassez de açúcar em 1974, quando a demanda teve redução de 4,6%.
A perspectiva de um salto na demanda por açúcar refinado fez com que o prêmio sobre o produto bruto subisse de US$ 100 por tonelada, em fevereiro, para US$ 115 no começo deste mês, antes de recuar um pouco pelo fato de a demanda não ter se concretizado ainda. Os traders vão manter o olho nas atividades da Índia, já que o país terá de importar tanto açúcar demerara quanto processado antes de a safra 2009/2010 começar, em setembro.
Os Estados Unidos também podem ter de importar cerca de 1 milhão de toneladas por causa do aperto na oferta doméstica. Os americanos podem ir direto para o açúcar refinado, porque a capacidade doméstica de processamento é limitada. Países como Paquistão, Irã e Iraque também devem pressionar a demanda por açúcar refinado devido ao aperto nos estoques locais. A reforma do setor de açúcar da União Europeia também colocou o bloco na condição de importante importador e um óbvio condutor do rali de preço do refinado em relação ao demerara. O spread entre as duas variedades pode subir para mais de US$ 150 durante o ciclo 2009/2010.
A demanda por açúcar refinado é a primeira a crescer, quando há falta de açúcar no mercado. Os preços do açúcar refinado negociado no mercado futuro da Bolsa de Londres, já subiram cerca de 17% desde o começo do ano, enquanto os preços do demerara, negociado na ICE Futures US, em Nova York, subiram cerca de 9%.
No mercado externo, a tendência é de alta dos preços no ciclo 2009 e 2010. A estimativa de déficit mundial de açúcar em 2008/2009 deve ser revisada para cima em relação à projeção atual de 4,3 milhões de toneladas, segundo projeção da Organização Internacional do Açúcar (OIA).
Números preliminares mostram que a diferença esperada entre consumo mundial e produção deve crescer em virtude da queda da produção na Índia e na China, segundo a OIA. As necessidades de importação da Índia continuam incertas, podendo chegar a 5,5 milhões de toneladas. Mas os estoques do país devem ser liberados para atender parte da demanda, deixando a demanda por importação em torno de 2,0 milhões de toneladas.
Embora indicações iniciais apontem para uma produção maior de açúcar em 2009/2010, a Índia provavelmente continuará sendo um importador em grande escala na próxima temporada, já que a recuperação da safra ainda poderá ficar abaixo do consumo, enquanto os estoques devem atingir um nível criticamente reduzido no começo da temporada em outubro, segundo a OIA.
O Brasil deve produzir 35,2 milhões de toneladas de açúcar em 2009/2010, uma alta de 11,4% em relação as 31,6 milhões de toneladas da safra passada (2008/2009). As exportações brasileiras da commodity devem disparar 19,2% se comparados os mesmos períodos, de 19,63 milhões de toneladas, para 23,4 milhões de toneladas, graças às perspectivas de déficit mundial de açúcar, que deve atingir cerca de 5,0 milhões de toneladas e que será praticamente todo suprido pelo produto brasileiro.
A Região Centro-Sul deve produzir 30,1 milhões de toneladas de açúcar em 2009/2010, uma alta de 12,5% sobre as 26,753 milhões de toneladas da safra passada. A região deve ainda exportar 20,7 milhões de toneladas de açúcar, um crescimento de 23,2% em relação as 16,8 milhões de toneladas da safra 2008/2009. O cenário de preços para o açúcar é positivo, com o aumento da cotação da commodity no mercado internacional e a valorização do dólar.
O custo de produção atual é de 10,70 cents por libra-peso, contra um custo de 15,30 cents por libra-peso antes da desvalorização do Real. Já o preço pago em torno de 14,70 cents por libra-peso passou a ser remunerador desde o ano passado. Houve recuperação da margem para o açúcar, que esteve negativa em 2007 e em 2008, e a demanda segue em expansão.
No mercado interno, inicia o período de safra e de tendência de baixa dos preços. A mesma crise de crédito que obrigou as usinas a liquidarem álcool para levantar recursos e pagar dívidas mina agora às cotações internas do açúcar.
Sem dinheiro para iniciar a safra 2009/2010 e com o álcool fechando no vermelho, as indústrias optaram por ofertar mais açúcar no mercado. A pressão nos preços fica mais intensa porque os compradores estão mais retraídos, à espera de cotação menor. Quem costumava comprar 1 mil sacas por semana, em vez de comprar tudo de uma vez, negocia metade em um dia, e depois compra a outra parte. A perspectiva é que no dia seguinte sempre estará mais barato. O resultado é que em dez dias, o preço da saca de 50 quilos em São Paulo caiu 5,4%, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP), de R$ 49,53 para R$ 46,82.
Os preços do açúcar praticados no mercado interno, na região Centro-Sul estão remunerando 83,8% mais que o álcool hidratado. No início do mês de março, a remuneração do açúcar era 62,8% superior ao do álcool hidratado. Este preço mais remunerador para o açúcar deve levar ao setor sucroalcooleiro a confirmar uma safra 2009/2010 mais açucareira em relação à registrada na safra 2008/2009.
A queda significativa do etanol no mercado interno brasileiro começa também a pressionar os preços do açúcar. No entanto, a retração das cotações do álcool permanece maior do que as do açúcar, o que tem permitido que a diferença entre os dois valores continue se expandindo. No início de março, os preços do açúcar praticados na Bolsa de Nova York (Ice Futures) estavam 30,9% acima do álcool hidratado do mercado doméstico brasileiro. Atualmente, a Bolsa de Nova York remunera 38,7% mais que o álcool hidratado. O preço do açúcar no mercado interno também se encontra em 32,6% acima dos preços praticados na Bolsa de Nova York (Ice Futures), referência para o mercado internacional. No início de março, o açúcar no mercado interno estava 24,4% acima da Bolsa de Nova York.
Em relação ao álcool anidro, os preços do açúcar no mercado interno estão 69,5% superiores. Na paridade com os preços da Bolsa de Nova York, o açúcar no mercado interno é cotado a 16,64 centavos de dólar por libra-peso na Região Centro-Sul e no mercado internacional a 12,55 centavos de dólar por libra-peso. O álcool hidratado é cotado a 9,05 centavos de dólar por libra-peso no mercado interno e o álcool anidro a 9,82 centavos de dólar por libra-peso.
As exportações brasileiras de açúcar atingiram em março o volume de 1,297 milhão de toneladas, o menor volume exportado desde abril de 2008. O volume é 9,3% inferior as 1,431 milhão de toneladas exportadas em fevereiro, mas 42,6% maior que o registrado em igual período de 2008, quando o volume exportado ficou em 910 mil toneladas. Do total exportado em março, 865,2 mil toneladas foram de açúcar demerara, alta de 49,58% contra março de 2008, e 432,4 mil toneladas foram de refinado, alta de 30,4% contra igual período do ano passado.
Em março, a receita obtida com as exportações ficou em US$ 406,5 milhões, uma queda de 7,35% em relação a fevereiro, mas uma alta de 63,41% em relação ao mês de março de 2008, quando as vendas atingiram US$ 249 milhões. Do total registrado em março, US$ 254,3 milhões vieram de venda de demerara e US$ 152,6 milhões da venda de refinado.
Álcool:
Preços internos em forte queda e demanda em alta em 2009
O preço do álcool hidratado despencou 4,6% e o do álcool anidro recuou 4,34% nas usinas paulistas na última semana, segundo o Indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada(Cepea/Esalq). O litro do álcool hidratado foi negociado a R$ 0,5654, contra R$ 0,5926, em média, e o preço do álcool anidro recuou 4,34% na semana, para R$ 0,6514, contra R$ 0,6809 na semana anterior. São os menores valores nominais dos combustíveis desde a semana encerrada em 8 de julho de 2004. À época, o preço do álcool hidratado, utilizado nos carros a álcool ou flex fuel, foi negociado a R$ 0,54 e o do álcool anidro, misturado em 25% à gasolina, R$ 0,6325.
Os preços dos combustíveis não incluem impostos. Os fundamentos para o álcool seguem os mesmos das semanas anteriores, com uma alta na oferta das usinas, em decorrência do início da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil e em São Paulo. A demanda foi um pouco maior, mas a oferta ainda alta pesou na queda dos preços. Desde o início da série de recuos, há oito semanas, o preço do álcool hidratado, caiu 31,11%, já que era comercializado, em média, a R$ 0,8208 o litro na semana terminada em 6 de fevereiro. Já o álcool anidro recuou pela sexta semana seguida acumulando uma baixa de 21,33% no preço do combustível, que foi negociado a R$ 0,8280 o litro, em média, na semana de 27 de fevereiro, a última antes dos períodos de baixa.
Segundo dados do Secex, as exportações de álcool em março de 2009 atingiram 157 milhões de litros, contra 118,5 milhões de litros em fevereiro de 2009 e 278,8 milhões de litros em março de 2008. Com isso, o volume de álcool exportado pelo Brasil em março subiu 32,5% em relação ao exportado em fevereiro deste ano, mas registrou uma forte queda de 43,7% se comparado ao montante exportado em março de 2008. A receita obtida com as exportações atingiu US$ 71 milhões em março de 2009, uma alta de 31% em relação a fevereiro, mas uma queda de 56,64% em relação ao mês de março de 2008, quando as vendas externas geraram receita de US$ 125 milhões.
O ano de 2008 será lembrado como um marco para a indústria sucroalcooleira no Brasil. Pela primeira vez desde 1994, o volume de álcool comercializado ultrapassou o da gasolina, segundo dados preliminares do Ministério de Minas e Energia(MME). No ano passado, foram consumidos no país 19,58 bilhões de litros de álcool, contra 18,88 bilhões de litros de gasolina. Em 2007, haviam sido comercializados 17,62 bilhões de litros de gasolina e 16,60 bilhões de álcool. O sucesso dos carros flex e o preço bastante competitivo do álcool em relação ao da gasolina são os grandes responsáveis pela ultrapassagem, segundo Ricardo Dornelles, diretor de Combustíveis Renováveis do MME.
Os brasileiros, no entanto, continuam abastecendo mais a gasolina. Dos 19,58 bilhões de litros de álcool comercializados em 2008, 13,29 bilhões são de álcool hidratado, aquele comprado pelo consumidor final no posto de gasolina. O restante, de 6,3 bilhões litros, é de álcool anidro, usado na gasolina. A tendência é que mesmo o consumo de álcool hidratado ultrapasse o da gasolina nos próximos anos, embora não haja uma estimativa oficial de quando isso possa ocorrer.
Atualmente, 25% da frota do país são de carros flex. No médio e longo prazo, não há perspectiva de que o álcool fique mais caro do que a gasolina. Para ser mais vantajoso, o álcool precisa custar até 70% do preço da gasolina. Com exceção da região Norte e de alguns estados do Nordeste, a relação, na maioria das vezes, costuma ser mais favorável ao álcool. A diferença de preços entre as unidades da federação, de fato, é grande. Pesquisa da Agência Nacional do Petróleo(ANP) mostra que, em março, o litro do álcool era cotado a R$ 1,325 em São Paulo, enquanto custava R$ 1,859, no Rio Grande do Norte, e R$ 2,089, no Acre. Do ponto de vista estratégico, o ganho de participação do álcool no mercado importante.
A produção do álcool é menos concentrada do que a da gasolina, o que acaba beneficiando as economias locais. Além disso, existe uma redução de 80% nas emissões de gás carbônico em comparação com a gasolina.
O mercado mais remunerador para o açúcar deve fazer com que a produção brasileira de etanol cresça apenas 2,9% na safra 2009/2010, para 27,905 bilhões de litros, contra 27,098 bilhões de litros no ciclo passado(2008/2009). O cenário negativo é internacional e a redução nas importações norte-americanas e a queda nos preços do petróleo devem reduzir em 25,7% o volume exportado de álcool brasileiro se comparados os mesmos períodos, de 5,05 bilhões de litros, para 3,75 bilhões de litros.
Maior produtora e exportadora do País, a região Centro-Sul deve produzir, em 2009/2010, 25,676 bilhões de litros, uma alta de 3,5%, e exportar 3,5 bilhões de litros, uma queda de 24,7% sobre a safra 2008/2009. No entanto, a demanda total de álcool, somando o mercado interno e as exportações, deve ficar ajustada à oferta em 2009/2010. A demanda deve atingir 27,82 bilhões de litros de álcool no Brasil, o que aponta para uma reserva de 100 milhões de litros no País. A queda nas exportações deve ser suprida pelo aumento da demanda interna de álcool, já que são previstos mais 2 milhões de veículos flex fuel novos no País em 2009. Mesmo com a queda de 21% prevista para os veículos novos em 2009 sobre 2008, a demanda pelo álcool deve crescer.
Usinas:
Cancelamentos e adiamentos com endividamento elevado
O Brasil possui 420 fábricas de açúcar e de etanol, segundo levantamento do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento(Mapa) disponível desde o último dia 13 deste mês de março. São 248 unidades mistas(produzem o alimento e o biocombustível), 157 destilarias(fazem exclusivamente etanol) e 15 produtas apenas de açúcar. O estado de São Paulo segue à frente no ranking de maior número de plantas industriais, com 200.
Em segundo lugar vem Minas Gerais, com 37 fábricas, seguido do Paraná, com 33, e de Goiás, com 29. Alagoas e Pernambuco ocupam a quinta posição, com 24 unidades cada estado. Em seguida vêm Mato Grosso do Sul(14), Mato Grosso(11), Paraíba(9), Rio de Janeiro(7), Sergipe(6), Espírito Santo(6), Rio Grande do Norte(4), Maranhão(3), Bahia(3), Tocantins(2) e Ceará(2). Há apenas uma planta instalada os estados de Roraima, Rio Grande do Sul, Piauí e Amazonas.
De 35 novas usinas previstas para entrarem em operação na safra do Centro-Sul 2009/2010, apenas cerca de 15 a 20 devem efetivamente ligar suas caldeiras, de acordo com a União da Indústria de Cana-de-Açúcar(Unica). Segundo a entidade, o efeito da crise de liquidez ainda está incerto o que tem postergado a divulgação, pela entidade, de uma estimativa de produção para a safra que se inicia oficialmente em abril.
Além da quantidade de usinas em operação, há o problema da falta de manutenção por falta de recursos, o que deve impactar na produção da próxima safra. A entidade estima que o mix de produção na próxima safra 2009/2010 deverá ser de 43% para o açúcar e 57% para o etanol depois de registrar 39,6% de cana destinada para o açúcar e 60,4% para o etanol em 2008/2009. Será a primeira vez em duas safras que haverá um aumento de cana para o açúcar, mas mesmo assim este aumento é limitado.
Em 2007/2008, o mix foi de 44,2% para o açúcar e 55,8% para o etanol. Todas as novas usinas que entrarão em operação produzirão apenas etanol o que vai equilibrar a maior produção de açúcar por outras usinas. Cerca de 20% da cana produzida na nova safra 2009/2010 terá como destino certo o etanol. Os 80% restantes poderão ser utilizados para o açúcar ou para o etanol. Um cenário de maior produção de açúcar só será possível quando as usinas voltarem a investir em maquinário para produção e isto deve acontecer apenas se os preços do produto se mantiverem elevados por umas duas safras.
* Com http://www.deere.com.br
