Candidato derrotado em eleições pede que pessoas vistam roupas pretas em manifestações marcadas para esta quinta.
Teerã(Irã) – Novos protestos estão marcados para esta quinta-feira(18Junho2009) no Irã depois de o oposicionista Mir Houssein Mousavi, que foi derrotado nas eleições da última sexta-feira(12Junho2009), ter convocado seus partidários para "um dia de luto" em homenagem aos mortos nas manifestações desta semana.
Mousavi pediu que os partidários da oposição se vistam com roupas pretas e promovam protestos pacíficos ou se reúnam em mesquitas para homenagear as oito pessoas mortas por membros da milícia governista Basij, na última segunda-feira(15Junho2009).
Espera-se que as manifestações sejam ainda maiores do que as desta quarta-feira(17Junho2009), quando centenas de milhares de pessoas marcharam em silêncio pelas ruas do centro da capital Teerã.
Estimativas que não podem ser confirmadas de maneira independente apontam que entre 70 mil e 500 mil pessoas podem ter participado das últimas manifestações.
De acordo com o correspondente da BBC em Teerã, Jon Leyne, a convocação de novas manifestações por Mousavi é um claro desafio à autoridade do líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, que pediu que a nação se unisse sob o regime islâmico.
As autoridades iranianas já prometeram uma recontagem dos votos, mas a promessa não satisfez os oposicionistas, que continuam pedindo novas eleições, já que milhões de cédulas eleitorais teriam desaparecido, de acordo com a oposição.
Em outro desafio aberto ao governo do Irã, nesta quarta-feira(17Junho2009), seis jogadores da seleção iraniana de futebol, incluindo o capitão do time, entraram em campo com faixas verdes nos braços para disputar uma partida pelas eliminatórias da Copa do Mundo em Seul, na Coreia do Sul. A cor verde é associada à campanha de Mousavi.
Insatisfação
Correspondentes afirmam que a disputa em torno das eleições da semana passada provocou ainda mais uma população que já estava frustrada com um governo e um sistema que são incapazes de satisfazer suas aspirações.
"Intromissão"
Enquanto as manifestações da oposição continuam, o governo iraniano convocou, nesta quarta-feira(17Junho2009), embaixadores estrangeiros para reclamar do que classificou como "intromissões" e "comentários impertinentes" a respeito de assuntos internos do país.
Entres os convocados para prestar contas no Ministério das Relações Exteriores do Irã estava o enviado suíço, que representa os interesses dos Estados Unidos. As autoridades iranianas queixaram-se a respeito do que classificaram como "abordagem intervencionista" de Washington nas eleições. A Casa Branca, no entanto, negou as acusações.
Informações dão conta de que membros da oposição e figuras que defendem reformas no país teriam sido presos nesta quarta-feira(17Junho2009). Membros da milícia governista Basij também teriam realizado batidas em dormitórios de universidades. Alguns estudantes teriam sido agredidos.
As autoridades iranianas proibiram os jornalistas estrangeiros de acompanhar manifestações não autorizadas e também de se movimentar livremente pela capital, mas não há controle sobre o que esses jornalistas podem escrever ou afirmar. O governo também estaria tentando bloquear sites e redes sociais de internet usadas pelos oposicionistas para divulgar informações e fotos das manifestações em Teerã.
Mousavi, um reformista por acidente
Ambos participaram da Revolução Islâmica, em 1979. Entre 1981 e 1989, inclusive, Mousavi foi primeiro-ministro do Irã. A maioria dos jovens que o apoiam hoje não recorda desse período. Eles ouviram falar que Mousavi administrou de maneira competente a economia à época, mas os mais velhos contam que seu governo não era muito tolerante com contestações.
