O Bê-a-bá do Sertão

Espancamento provoca afastamento do Diretor do Róger

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João Pessoa(PB) – O gesseiro Carlos José dos Santos, de 37 anos, assassino confesso que matou sete pessoas de uma família no bairro do Rangel, em João Pessoa, na última quinta-feira(09Julho2009) escapou da fúria da população, mas não teve a mesma sorte no Presídio do Roger, onde se encontra preso.

O gesseiro Carlos José foi submetido a sessões de tortura numa cela isolada no presídio do Roger, onde foi colocado para não ser morto pelos presos da própria unidade. As cenas da tortura foram gravadas em vídeo por celular e divulgadas na TV. No vídeo, o preso é xingado e espancado com socos e pontapés, sendo jogado no chão várias vezes. Sem conseguir esconder o aspecto de pânico e gritando de medo, Carlos José tenta se proteger das agressões e um policial militar fardado desfere um "telefone"(golpe nos ouvidos com as duas mãos ao mesmo tempo) para em seguida uma outra pessoa com fardamento de agente penitenciário desferir socos nas costas do acusado, cuja chacina provocou grande dor e revolta à população paraibana.

O vídeo foi entregue à TV O Norte momentos antes de o diretor do presídio do Roger, Dinamérico Cardim, ter sido afastado do cargo pelo secretário de Cidadania e Administração Penitenciária, Roosevelt Vita. A acusação contra o então diretor: prática de tortura contra apenados. Ao ser informado sobre a denúncia de que Carlos José tinha sido vítima de tortura na prisão, o secretário-executivo da Cidadania e Administração Penitenciária, coronel Maurício Souza, anunciou que uma sindicância será instaurada para investigar e identificar quais os policiais espancaram o preso.

Outra medida do secretário-executivo foi encaminhar Carlos José(Foto) para ser submetido a exame de corpo de delito no Departamento de Medicina Legal. Uma operação sigilosa foi montada para que o preso fosse retirado do Roger, já que havia risco dele ser reconhecido pela população e ser vítima de linchamento.

A prática de tortura contra o acusado da chacina no Rangel também foi condenada pela Comissão dos Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasi, secção da Paraíba. O presidente da comissão, Alexandre Guedes, lembrou que o Brasil tem um tratado internacional de combate à prática de tortura e não é admissível que o estado, sendo o responsável pela garantia da integridade de pessoas sob sua guarda, pratique esse tipo de violência.

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