Itaporanga(PB) – Uma caravana da Polícia Federal está percorrendo algumas cidades do estado, 26 ao todo, conscientizando a população sobre a entrega voluntária de armas e recolhendo o armamento devolvido pela comunidade.
A campanha, que é uma iniciativa do delegado Derly Brasileiro, foi iniciada dia primeiro em Piancó e já passou por Itaporanga e Conceição, devendo ser encerrada no antepenúltimo dia do mês em Picuí. Por cada arma entregue, a pessoa recebe uma indenização que varia de 100 a 300 reais, dependendo do calibre, modelo e condições do material.
“Nós queremos dizer à população que qualquer pessoa que tenha uma arma em casa e queira desfazer-se dela poderá, sem nenhum problema, procurar a delegacia da Polícia Federal de Patos ou de qualquer uma outra cidade ou procurar nossa caravana e fazer a entrega dessa arma”, comenta o dr. Derly, ao observar que as pessoas também podem registrar sua arma para legalizar a posse ou tentar o porte legal, que é muito mais difícil: “este ano, por exemplo, nós já registramos mais de 300 armas, mas autorizamos apenas quatro portes no estado”.
O objetivo maior da caravana, conforme o delegado, é fazer com que a Polícia Federal aproximese da sociedade, estabelecendo com ela um diálogo sobre um dos mais graves problemas do país, que é a violência produzida pela arma de fogo.
No Brasil, atualmente, morrem, em média, 40 mil pessoas por ano vítimas de bala, e a maior parte dos crimes é cometida por pessoas comuns, consideradas de bem, mas que, em um momento de fúria, recorreram à arma para resolver o que seria um pequeno problema e criaram outro maior.
No contato direto ou via imprensa, a caravana da Polícia Federal tem conscientizado as pessoas da necessidade de registrarem suas armas ou entregá-las ao governo, sendo indenizadas por isso, já que a partir do próximo ano a posse ilegal de arma passa a ser crime, como já é o porte atualmente. “Eu disse ao superintendente que, em vez do povo ir até a polícia, a polícia deveria ir até o povo, e ele deu apoio a minha idéia e hoje nós estamos aqui, percorrendo o estado e conscientizando as pessoas de que elas podem entregar suas armas sem medo, e da contribuição que estarão dando para a queda da violência”, argumenta dr. Derly, que está há seis anos na Polícia Federal e atualmente ocupa a Delegacia de Defesa Institucional em João Pessoa, segmento da PF que cuida dos crimes eleitorais, controle de armas, movimentos sociais, proteção de autoridades e outros delitos.
No ano passado, ele coordenou os trabalhos da Polícia Federal na campanha para prefeito e vereador em todo o estado. Elaborou noventa inquéritos por crimes eleitorais cometidos por candidatos a prefeito e a vereador, processos que tramitam na Justiça Eleitoral e que devem resultar na punição de muitos políticos.
Criminalidade no Vale
Por mais de dois anos Derly Brasileiro, que é natural de Igaracy, comandou a delegacia da PF de Patos, onde desencadeou várias operações, entre as quais Fim da Linha e Rede Marginal contra o tráfico de drogas e a pistolagem.
Muitas pessoas foram presas e as que não estão na cadeia terminaram mortas a mando do tráfico. “Como foi noticiado nacionalmente, a Polícia Federal conseguiu livrar muita gente da morte graças às ações preventivas contra o tráfico”, enfatiza o delegado, que já atuou também em outros estados brasileiros, entre eles Pará, Bahia e Pernambuco.
Sobre os crimes que lideram as ações da Polícia Federal especialmente no Vale, Dr. Derly enfoca que o maior número de inquéritos diz respeito a tráfico de drogas, desvio de verbas públicas e crimes eleitorais, muitos deles do último pleito. Sobre os crimes contra o erário público envolvendo autoridades, o mais recente foi o do prefeito de Catingueira, Edvan Félix, preso pela PF e solto por determinação da Justiça para responder ao processo em liberdade, mas há outros gestores e ex-gestores sendo investigados.
“No Vale também há crimes contra a previdência e outros menos freqüentes”, comenta o delegado, que já recebeu convites para atuar em Brasília, mas não pretende deixar a Paraíba. “Brasília é para almejar fazer carreira, alcançar postos mais elevados dentro da polícia, mas eu não planejo isso”, diz dr. Derly, que deverá ser nomeado também assessor de comunicão da PF na Paraiba.
