Definição aconteceu durante ciclo de debates promovidos nos campi envolvidos
Campina Grande(PB) – Antes de concluir o ciclo de debates programados para discutir a viabilidade de criação da Universidade Federal do Sertão, a partir do desmembramento dos campi Patos, Pombal, Sousa e Cajazeiras da Universidade Federal de Campina Grande(UFCG), o reitor Thompson Mariz, presidente da comissão institucional responsável pelos estudos e condução das discussões públicas, resolveu encerrar os trabalhos no decorrer do debate diurno no campus Cajazeiras, na última sexta-feira(21Agosto2009), por entender que já dispunha de elementos que demonstravam de forma cabal a rejeição à proposta.
Essa decisão começou a ser delineada com a reprodução sistemática das manifestações contrárias ao desmembramento, debate a debate, acontecidas em todos os campi diretamente envolvidos com o processo, desde o início das discussões na quarta-feira, 20, no campus Patos.
Argumentos
Em todos os campi, sem distinção, as intervenções quase chegaram à unanimidade no combate ao desmembramento, com os mais variados argumentos. Dentre eles, o elevado conceito que a UFCG desfruta no País, o que garante aos seus alunos perspectivas favoráveis na conquista do mercado de trabalho; além da atual valorização dos campi, com a modernização de suas instalações, novas salas de aula, bibliotecas, ginásios de esportes e laboratórios; a construção do campus Sousa – único que não dispõe de sede própria – e a implantação do campus Pombal. “Ações que dão credibilidade e reconhecimento ao modelo de gestão democrática praticado na instituição”, considerou o reitor.
Mariz também destacou as incertezas externadas, principalmente por alunos e professores, sobre as políticas que poderão ser implantadas no futuro governo federal. “Tais observações foram consideradas pertinentes pela natureza das mudanças governamentais e recebidas como razões suficientes para que houvesse ponderação”.
Ele salientou que os debates poderão continuar existindo em outras esferas, organizados por representantes da sociedade civil ou da própria instituição, a exemplo de sindicatos e associações. “Não cabe, no entanto, sob a minha presidência, continuar insistindo numa tese amplamente rejeitada pela comunidade acadêmica. A UFCG é uma instituição plural e democrática e, assim sendo, continuará aberta a discussões com qualquer segmento interno e externo sobre esse ou qualquer outro tema relevante, demandado pela comunidade acadêmica ou pela sociedade”.
Surpresa
Thompson Mariz se disse surpreso com o destino tomado pelos debates. A maneira e a segurança como as opiniões foram sendo expostas e a repercussão que provocaram internamente, sobretudo no seio da comunidade discente. “Como expansionista e defensor da interiorização do Ensino Superior, sempre acreditei que a criação da Universidade Federal do Sertão fosse uma justa reivindicação, até porque ela atenderia aos anseios da comunidade acadêmica e da sociedade civil da região. Recebi inúmeros pedidos e ouvi argumentos consistentes que me levaram a pôr essa discussão como meta na carta- programa para o segundo reitorado”.
Uma nova instituição, segundo o Mariz, traria consigo a possibilidade de criação de outros campi e cursos. “Consequentemente, mais oportunidades na educação superior para tantos e tantos jovens ainda excluídos dessa modalidade de educação, bem como novos caminhos poderiam ser traçados para o desenvolvimento regional”.
Perguntado se, de certo modo, encerrava os trabalhos da comissão frustrado, Mariz(Foto) disse que o que lhe importava era ter a consciência tranqüila de que havia propiciado uma oportunidade democrática para que todos pudessem se pronunciar. Lamentava, naturalmente, que os defensores dessa causa tenham perdido a oportunidade de se expressar tão incisivamente quanto os que foram contrários.
“Partindo do pressuposto que, em certos casos, a voz do povo é um caminho para se chegar a uma verdade, ponho-me na posição de quem aprende a repensar projetos e redirecionar sonhos”, concluiu.
* Com Marinilson Braga – Ascom/UFCG.
