Aparecida, antigo distrito de Sousa tornou-se emancipada no ano 1994, mas somente em 1996 é que a houve a primeira eleição para prefeito. Houve cidade, o município é um exemplo de administração para a região. A perspectiva de crescimento local é bastante promissora, uma vez sendo implantado o Projeto "Várzeas de Sousa", que na realidade a maior parte fica dentro do município, inclusive o gerenciamento e a estação de bombeamento.
Originalmente chamada de "Canto", numa alusão a determinado "canto" de uma propriedade, doada para construir uma capela e conseqüentemente um "arruado", cresceu significativamente com a construção da BR 230, tornando-se ponto estratégico para várias atividades econômicas, inclusive o turismo. Seu maior atrativo é o Patrimônio Histórico de Acauã, construído em 1757 e morada ilustre do escritor Ariano Suassuna, fazenda que marcou profundamente a história sertaneja, local onde pernoitou como prisioneiro, o famoso Frei Caneca, residência do padre revolucionário Luiz Correia de Sá, entreposto importante para a rota econômica sertaneja, onde outrora funcionou uma estação de trem.
A educação é outra preocupação prioritária, com capacitação de professores, elevando a auto-estima da população local que se sente integrada a escola, através da várias atividades integradas, e exemplo da Noite Junina, aonde as escolas vão a comunidade mostrar seus talentos, na realização da Semana da Cidade, parte cultural que antecede a grande festa de aniversário do município.
Ruas limpas, arborizadas, dão um ar de elegância a esta cidade que é chamada por alguns de "Princesinha do Sertão" pela sua beleza e ares amenos, marcado pela simplicidade da população local e suas atividades, como o artesanato do crochê e da palha de carnaúba, que marcam a economia local.
A nova Paróquia da Diocese
Parte de trechos retirados dos documentos da Paróquia e do livro: “Aparecida um canto da Paraíba” de autoria da escritora Alvanira Azevedo e de Laércio Filho:
“As ruas de Aparecida foram se constituindo ao longo da sua formação a partir do ano de 1927, com a construção da primeira casa pertencente a João Amâncio Pires. A residência localizava-se à margem esquerda do Rio do Peixe, onde foi celebrada a primeira missa pelo Padre José Borges.
No ano de 1927, a Mitra Diocesana, representada pelo Revmo.Pe.José Neves de Sá, recebeu em doação, por escritura pública, uma quadra de terra contitúida de 100 braças de comprimento por 300 braças de fundos, correspondente a 30.000 braças quadradas, situadas no Sítio Canto, data de Acauã, para ali ser erguida uma capela pública dedicada a Nossa Senhora da Conceição.
A primeira capela era pequena e ficava com a frente para o norte. Foi demolida em 1946, com a autorização do Pe. José Borges para dar lugar à construção da atual Igreja de Nossa Senhora Aparecida.
Nesta época, a vila chamava-se Canto, por se tratar de lugarejo localizado no Canto da Fazenda Gado Bravo, de propriedade de Tiburtino Sá, adquirida por Antônio Amâncio Pires, no ínicio da década.
Vários Padres contribuíram e ajudaram na construção de uma comunidade voltada para fé. Entre eles: Pe. Bento, Pe. Guilherme, Pe. Lambert e Pe. José Mangueira Rolim, onde dedicou 38 anos de fé e compromisso pela Capela de Nossa Senhora Aparecida.
No dia 12 de Dezembro do ano de 2004, aconteceu a solenidade da criação da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, sendo então desmembrada da Paróquia Santana-Sousa-PB e passando a ter todos os direitos e obrigações contempladas no Código de Direito Canônico. E necessitando de seu pastor próprio, após consultas ao Conselho Presbiteral, Colégio de consultores e às partes interessadas, nomeando o Reverendo Padre Josinaldo Pereira de Lima, administrador paroquial da referida Paróquia e o Reverendo Padre Ernaldo José de Sousa, vigário paroquial.
No dia 1º de Janeiro de 2005, aconteceu a solenidade de posse às 10h00s da manhã, onde toda a comunidade de Aparecida recebeu com alegria o novo vigário.
Esperamos que com a criação da Paróquia, todos os fies e devotos de Nossa Senhora Aparecia, colaborem em todos os sentidos com sua igreja e com seus administradores paroquial, para juntos construírem uma Igreja unida na fé.
Aparecida, 26 de Abril de 2005. – Secretária: Betânia”.
DOIS POEMAS
Abaixo, dois poemas em que recordo minha infância ali no "CANTO", hoje Aparecida.
O Rio do Peixe
Cenário:
Século XX – Década de 50 – Aparecida – Sousa – Paraíba
O nosso Rio do Peixe
– Um ziguezague no chão –
Um bordado de mil esses(SS)
Atravessando o sertão…
“S” da palavra "seca",
“S” de sofreguidão!
O nosso Rio do Peixe,
No inverno, quando enchia,
A imensa felicidade
Em suas águas trazia…
Depois ficava soturno
Qual uma estrada vazia…
Às margens daquele Rio
Fui feliz quando criança…
Misturada às suas águas,
Vinha também a bonança…
Pra nós o Rio do Peixe
Era o rio da esperança.
Mas nosso Rio do Peixe
Muito ligeiro secava…
Era como um viandante
Que bem depressa passava…
Sumia a água e o peixe,
Somente areia ficava…
Hoje eu sei que aquele Rio
Não era efêmero assim…
Eu o trouxe dentro d´alma
Lá do sertão donde eu vim…
E é rio que nunca seca
Nas saudades que há em mim!
(Anchieta)
Menino da Rua do Bagaço
Que bom voltasse tudo uma outra vez…
A rua, a vida, o tempo e o mesmo espaço…
Meninos lá da Rua do Bagaço,
Neste momento, onde é que estão vocês?
Dispersos pela vida amarga e crua,
Na vã procura da felicidade!
Oh! como dói saber que na verdade
Ela morava ali na nossa rua!
Eu me lembro de cada desatino,
Que sempre me valia algum castigo…
Mas, que bom que voltasse o tempo antigo
E eu voltasse de novo a ser menino!
Namorar escondido a Eleonora,
Ser bamba do pião, craque da bola,
Frequentar novamente a mesma escola
E apaixonar-me pela professora!
Infernizar a louca – a Dona Xica,
Só pra ver a coitada esbravejando,
Olhar as moças nuas se banhando
Lá debaixo dos pés de oiticica…
Esse tempo distante é como um vulto
Que me segue na rota da velhice…
E agora eu vejo o quanto era tolice
O sonho pertinaz de ser adulto.
Que gosto amargo de desesperança!
Ó caminhos cruéis por onde passo!
– Voltar quisera à Rua do Bagaço
E nunca mais deixar de ser criança!
(Anchieta)
* OBS: Não sei se a Rua do Bagaço ainda existe, mas ela ainda existe em mim. Faz somente 50 anos de saudades!!!. Um abraço! Hoje moro em Rio Branco – Acre.
Para ver imagens do município de APARECIDA(PB), clique no link GALERIA 1 (abaixo).
