Brasília(DF) – A Executiva Nacional do DEM decidiu nesta terça-feira abrir processo disciplinar contra o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda(DEM). Ao final, o processo pode resultar na expulsão de Arruda do partido. Arruda é suspeito de participar de um esquema de corrupção que envolveria a distribuição de dinheiro para políticos da base aliada.
Ele aparece recebendo dinheiro num vídeo gravado pelo ex-secretário Durval Barbosa. Arruda nega irregularidades. Dividido, o DEM decidiu dar oito dias de prazo para Arruda se defender. Também haverá dois dias para elaboração do relatório.
O partido marcou para o dia 10 o julgamento do processo aberto contra o governador do Distrito Federal. Na reunião, um grupo de integrantes do DEM, entre eles os senadores Demóstenes Torres(GO), José Agripino(RN) e o deputado federal Ronaldo Caiado(GO), pediram a expulsão imediata de Arruda. Mas foram voto vencido no encontro.
O grupo do presidente do DEM, Rodrigo Maia(RJ), conseguiu aprovar a proposta que dá prazo de defensa a Arruda. Segundo Demóstenes, Rodrigo disse que a decisão de dar prazo para a defesa poderia ser creditada a ele. De dentro da reunião, os deputados federais Índio da Costa(RJ) e Ronaldo Caiado(GO) contavam no Twitter os bastidores do encontro da Executiva. "Prevaleceu o prazo até quinta-feira que vem para o julgamento final de Arruda. Prerrogativa do presidente Rodrigo Maia", afirmou Caiado.
Índio da Costa escreveu que o DEM iria expulsar Arruda por rito comum, dando prazo de defesa a Arruda. "Concluída reunião. Tese do deputado Onyx Lorenzoni venceu. Deputado José Carlos Machado será relator", escreveu ele. "O senador Heráclito Fortes defende a expulsão por rito comum, com direito a defesa. Deputado e ex-líder Onyx Lorenzoni defende o mesmo".
Serra defende direito de defesa
O governador de São Paulo, José Serra(PSDB), afirmou nesta terça-feira(01Dezembro2009) que as denúncias contra o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda(DEM), são "gravíssimas" e defendeu o direito de defesa do democrata. "As denúncias são gravíssimas, merecem ser muito bem investigadas pela Justiça. Tem que ouvir também os acusados, que têm o direito de defesa, e, no final, a Justiça tem que fazer Justiça com as conclusões que chegar", afirmou ele.
O PSDB decidiu nesta terça-feira(01Dezembro2009) deixar o governo do Distrito Federal depois das denúncias contra o governador José Roberto Arruda(DEM). Foi o quarto partido a deixar a base de Arruda.
O partido determinou que os dois secretários do PSDB no governo do Distrito Federal entreguem os cargos. A medida também atinge os cerca de 100 tucanos que ocupam postos na administração de Arruda. O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra(PE), disse que os tucanos que não deixarem o governo do Distrito Federal serão expulsos do partido. "Os que não saírem do governo não serão mais do PSDB. Os que saírem do governo e tiverem processos vão ser submetidos ao Conselho de Ética do partido", afirmou.
Arruda diz que apresentará provas de inocência
O governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda(DEM), divulgou nota nesta quarta-feira na qual afirma que apresentará provas "irrefutáveis" de sua inocência. Arruda é suspeito de participar de um esquema de corrupção que envolveria a distribuição de dinheiro para políticos da base aliada.
A nota de Arruda foi divulgada pouco antes do início da reunião da Executiva Nacional do DEM. Arruda critica o ex-secretário Durval Barbosa, que gravou flagrantes do esquema em troca de redução de pena após acordo de delação premiada. Na nota, ele se diz "vítima de um complô urdido por um homem que tem mais de 30 processos por corrupção, todos nos governos anteriores, nenhum em seu governo, com a ajuda de adversários políticos, e que, para se livrar da lama, jogou lama em todas as direções".
O governador do DF nega ainda que tenha feito ameaças de retaliação contra integrantes do DEM na reunião de segunda-feira(30Novembro2009) para pressionar o partido a mantê-lo na legenda.
Pedidos de impeachment
A Câmara Legislativa do Distrito Federal recebeu na manhã desta terça-feira dois pedidos de impeachment contra o governador José Roberto Arruda(DEM), acusado de envolvimento em um suposto esquema de pagamento de propina para a base aliada.
Os pedidos de impeachment foram apresentados pelos advogados Evilásio Viana dos Santos e Anderson Siqueira. Nesta quarta-feira, a bancada do PT e diversos movimentos sociais petista devem protocolar um novo pedido de cassação. O PSOL também estuda um processo no mesmo sentido. A outra ação deve partir da cúpula da OAB no Distrito Federal. Nesse caso, o pedido de impeachment precisa ser votado pelo conselho pleno da OAB nacional antes de ser encaminhado para análise da Câmara Legislativa.
Os processos vão ser conduzidos pelo presidente da Comissão de Constituição e Justiça, deputado distrital Rogério Ulysses(PSB), também citado no inquérito do Superior Tribunal de Justiça, que deu origem à operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal, que investiga o suposto esquema.
