O Bê-a-bá do Sertão

Centro financeiro do Oriente Médio ameaça dar calote em dívida

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Dubai(Emirados Árabes Unidos) –
A terra dos hotéis mais luxuosos do mundo, Dubai,  um dos sete emirados autônomos dos Emirados Árabes, está atolada em dívidas de mais de R$ 100 bilhões, segundo divulgação feita  pelos autoridades, locais sobre o adiamento de pagamentos de dívidas de cerca de R$ 100 bilhões(US$ 59 bilhões) da empresa estatal Dubai Word por um período de seis meses.

A empresa é um veículo de investimentos do governo que permite aos investidores internacionais participar, por exemplo, da construção de hotéis, resorts e marinas às margens do Golfo Pérsico. O pedido de prazo também se aplica para as dívidas da Nakheel, uma companhia do setor imobiliário e subsidiária da Dubai World. Se o pedido for aceito, a empresa só pagará as dívidas com os credores até maio do ano que vem.

Especialistas afirmam que o governo está pagando o preço de um modelo econômico exibicionista, baseado em investimentos estrangeiros com objetivo de alavancar o turismo mundial. Com a crise econômica de 2008, todos os investimentos na cidade foram paralisados e o mercado imobiliário foi fortemente atingido, com queda nos preços dos imóveis.

O sucesso turístico de Dubai se deve aos projetos imobiliários e turísticos que não poupam investimentos seja em beleza, como em excentricidade  O último é Burj Dubai, a torre mais alta do mundo com mais de 800 metros, foi inaugurada no dia 4 de janeiro do corrente ano.



A torre de 160 andares
(Foto), em construção desde o ano de 2004 por um custo avaliado em R$ 1,71 bilhão(US$ 1 bilhão), constitui o elemento central de um gigantesco projeto de novo bairro de R$ 34,2 bilhões(US$ 20 bilhões), o Downtown Burj Dubai, que inclui o Dubai Mail, o maior shopping center do mundo, segundo seus promotores.


Desde o anúncio, a imprensa de Dubai tenta informar a população que não se deve exagerar nem subestimar a situação atual, insistindo na "transparência" da medida adotada por Dubai e em estreita colaboração com o sócio, o rico emirado petroleiro de Abu Dhabi, capital dos Emirados.

A imprensa local informa ainda que o governo de Dubai tem uma "estratégia para enfrentar a situação" em cooperação com Abu Dhabi e que cerca de R$ 8 bilhões(US$ 5 bilhões) de bônus do Tesouro serão assinados por dois bancos de Abu Dhabi.

Prédio mais alto do mundo

O prédio mais alto do mundo, o Burj Dubai, com mais de 800 metros de altura e 160 andares, foi inaugurado na segunda-feira(04Janeiro2010), em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.


A construção do edifício foi iniciada no ano de 2004, quando Dubai vivia no auge econômico e seus fundos de investimento recebiam bilhões de dólares do mundo todo. Cerca de 12 mil operários trabalharam para erguer o prédio.

Entretanto o cenário atual não é mais tão favorável. A inauguração aconteceu em meio à crise financeira que atingiu o emirado. Um mês atrás, Dubai decretou a moratória de sua principal estatal de investimentos, o que significa, na prática, que o governo não tem dinheiro para honrar os compromissos financeiros assumidos internacionalmente.

Exibicionismo
No segundo semestre de 2008, o Emirado, cujas ambições pareciam então sem limite, anunciava novos projetos gigantescos, entre eles uma nova cidade, Jumeirah Gardens, de quase US$ 90 bilhões, e uma torre de 1 km de altura, a Nakheel Harbour and Tower, em torno de um centro empresarial de 28 bilhões de dólares.


O Emirado também lançou a construção de três ilhas artificiais em forma de palmeira(Foto). A única já terminada, Palm Jumeirah, tem milhares de apartamentos, mansões e hoteis de luxo, entre os quais o Atlantis-The Palm.


Hotel Burj Al-Arab

Desde sua inauguração, em novembro de 2008, o estabelecimento de 1.539 quartos se tornou uma atração turística, da mesma forma que o famoso Burj Al-Arab(Foto), em forma de vela, apresentado como o único hotel sete estrelas do mundo.


Outro projeto faraônico é o The World, um conjunto de 300 ilhas artificiais ao largo de Dubai. A inauguração de Dubailand – uma Disney em grande escala orçada em R$ 109 bilhões(US$ 64 bilhões) – também foi adiada.


Moratória "cuidadosamente planificada"
O centro financeiro do Oriente Médio ameaça dar calote em dívida. As autoridades econômicas de Dubai afirmaram na sexta-feira(27Dezembro2009) que a decisão de pedir uma moratória na dívida do consórcio estatal Dubai World foi "cuidadosamente planificada".

O presidente do Comitê Supremo Fiscal, Ahmed bin Said al-Maktoum, fez as declarações em comunicado divulgado pouco depois da meia-noite pela agência WAM. Nele, reconheceu que a decisão se tratou de uma "resolução empresarial delicada". "Entendemos as preocupações do mercado e dos credores em particular" afirmou.

O governo de Dubai anunciou na quarta-feira(25Dezembro2009) que tinha pedido uma moratória até 30 de maio dos compromissos de pagamento de Dubai World e de sua divisão imobiliária Narheel, que tem que devolver R$ 7 bilhões(US$4 bilhões) até 14 de dezembro.

Esta decisão gerou fortes perdas nas principais bolsas de valores. Os únicos emrcados que escaparam foram o de Londres, fechado por razões técnicas, e o de Wall Street, também fechado pelo Dia de Ação de Graças. As praças do Oriente Médio também não abriram pela Festa do Sacrifício, um dos feriados muçulmanos mais importantes.

Al-Maktoum, em seu comunicado, disse que teve que solicitar a moratória aos credores de Dubai World "perante a necessidade de tomar uma ação decisiva para fazer frente a uma particular carga de crédito … Nossa intervenção na Dubai World foi cuidadosamente planejada e reflete uma posição financeira específica", ressaltou.

Al-Maktoum que também é presidente da Autoridade da Aviação Civil de Dubai e diretor-executivo da firma Emirates Airlines, a mais importante companhia aérea do Oriente Médio revelou que "O governo está dirigindo a reestruturação desta operação comercial com total conhecimento de como poderiam reagir os mercados".

A declaração de Al-Maktoum, a primeira de uma autoridade econômica local sobre o tema, acrescenta que Dubai, da mesma forma que outras cidades mundiais, não pôde ficar à margem dos "desafios sociais e econômicos neste descenso global… Nenhum mercado está imune a influências econômicas" pontuou revelando ainda que a moratória pedida só procura conseguir o êxito do negócio de Dubai World e antecipa que se proporcionará mais informações no início da próxima semana.

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