O secretário de Relações Institucionais do Gabinete do DF aceitou a instalação, em sua roupa, de equipamentos de escuta ambiental, devidamente autorizados pela Justiça, e foi aceito no programa de proteção de testemunhas da Polícia Federal.
Estava envolvido em alguns escândalos, e aceitou colaborar com Justiça em troca de uma punição mais branda em outro caso de corrupção, revelado pela Operação Megabyte, ainda na gestão anterior.
Devidamente equipado, circulou tranquilamente entre seus “amigos” entregando-lhes vultosas quantias em dinheiro vivo e gravou as cenas que foram exibidas pela imprensa nacional em horário nobre.
A polícia federal denominou esta investigação com o singelo nome de “operação Caixa de Pandora”, referência à mitologia grega onde a primeira mulher, Pandora, por mera curiosidade, abriu a caixa onde estavam guardados todos os males, restando somente a Esperança.
Atente-se que os gregos incluíram a esperança entre os males que afligem a humanidade!.
Concordo. Os episódios mostrados nas gravações corroboram a ironia grega e revelam um tipo de gente para o qual toda esperança de regeneração é balda. Acreditar-lhes quaisquer possibilidade de decência é mal do qual não podemos padecer. Receberam oportunidades e recursos, os quais, pouco a pouco, destruíram sem nos possibilitar vislumbrar, no futuro, a mínima chance de redenção pessoal ou social.
São pessoas que só dão prejuízo.
Aproveitando esses exemplos para o nosso dia a dia, poderíamos nos perguntar a quantas pessoas semelhantes estamos dando oportunidades reiteradamente desperdiçadas?.
Talvez seja hora de começarmos a entender que, por mais bem intencionados que sejamos e por mais que os amemos, há seres humanos que jogam fora todas as boas coisas recebidas e se transformam, repetidamente, em motivo de dor e sofrimento para os outros.
São elas as pessoas de quem fala Jesus quando aconselha a não dar pérolas aos porcos. Acompanhando o conselho com a advertência de que, se assim o fizermos, voltarão e nos despedaçarão.
Por mais encantadores que pareçam ser e por mais nobres que sejam suas propostas, sabemos que não cumprirão sua parte do trato.
Aconselha o Mestre manter distância segura e desconfiança necessária de tais indivíduos, não lhes entregando, em hipótese alguma, coisas tão preciosas como a responsabilidade pela nossa felicidade e a de nossos descendentes.
* Por Sady Fernandes – Engenheiro Agrônomo e Perito Criminal do Governo do Estado de Rondônia.
