Tóquio(Japão) – Um relatório compilado pela Universidade das Nações Unidas(UNU) revela que até 50 milhões de pessoas terão de migrar nos próximos dez anos por causa da desertificação que atinge várias regiões do planeta. Para citar alguns exemplos, na África Subsaariana e na Ásia Central, estima-se que dezenas de milhões de pessoas terão de deixar suas casas em busca de lugares menos inóspitos.
Para evitar o colapso socioeconômico destas regiões, "é imprescindível que políticas e práticas de agricultura sustentável sejam postas em prática o mais rápido possível para reverter o processo de desertificação", disse Hans Van Ginkel, reitor da UNU, que fica em Tóquio, no Japão, e é patrocinada pelas Nações Unidas.

O estudo foi apresentado em junho de 2006 na sede da ONU, em Nova York, onde estiveram presentes mais de 200 especialistas de 25 países.
América Latina
O relatório aponta que a desertificação ameaça 75% das terras áridas e semi-áridas da América Latina, que constituem um quarto da superfície da região. Os pesquisadores criticam a forma como as políticas de combate ao avanço do deserto têm sido postas em prática na região. Segundo o relatório da UNU "os esforços para combater a desertificação na América Latina têm sido implementados no nível dos Estados, limitando os resultados que poderiam ser alcançados se a política fosse feita em coletivo".
Entre as estratégias de sucesso aplicadas individualmente pelos países latino-americanos, o estudo destaca a participação articulada de diferentes instituições, a promoção de pesquisas e de políticas educacionais, e o investimento de recursos governamentais na conservação e recuperação das terras afetadas.
Mudanças climáticas
O estudo não detalha dados por país nem quantas pessoas na América Latina seriam afetadas pelos efeitos da degradação das terras, mas estima que no mundo inteiro um terço da população mundial já seria vítima potencial dos efeitos da desertificação.
A desertificação é um processo que leva à degradação das terras, tornando-as improdutivas. Pode ser causada pela ação humana, entre outros fatores. O uso incontrolado da terra para cultivos e pastagens, além do desmatamento, erosão e pouca irrigação, está transformando terras produtivas em desertos.
As mudanças climáticas também são consideradas como um fator agravante do processo. Para os estudiosos, "as alterações do clima estão fazendo da desertificação o maior desafio ambiental dos nossos tempos".
Eles sugerem a implementação de práticas como o reflorestamento de terras áridas, como forma de deter o avanço do deserto, além do uso da energia solar e do incentivo ao ecoturismo.
O Deserto do Saara e a Cordilheira do Atlas
O Deserto do Saara é o segundo maior deserto do mundo(perdendo apenas para a Antárctica), localizado no Norte de África, com uma área total de 9 065 000 km2, sendo apenas um pouco menor que a Europa(10 400 000 km2). O nome Saara é uma transliteração do árabe, que por sua vez é a tradução da palavra tuaregue tenere(deserto). Vivem cerca de 2,5 milhões na área do Saara, distribuídas pela Mauritânia, Marrocos, Líbia, Egipto, Mali, Níger, Argélia, Tunísia, Sudão e Chade.
As fronteiras do Saara são: o Oceano Atlântico a oeste, a Cordilheira do Atlas e o Mar Mediterrâneo a norte, o Mar Vermelho a leste e o vale do Rio Níger a sul.
O Saara divide o continente africano em duas partes, a África do Norte e a Sub-Saariana. A fronteira saariana ao sul é marcada por uma faixa semi-árida de savana chamada Sahel, e ao sul de Sahel encontra-se o Sudão.
Os humanos viveram na extremidade do deserto quase 500 mil anos. Durante a última glaciação, o deserto do Saara foi mais húmido(como o Leste africano) do que é agora. Fósseis de dinossauros foram encontrados ali. O Saara moderno, geralmente, é isento de vegetação excepto no vale do Nilo, poucos oásis e algumas montanhas dispersas.
A Cordilheira do Atlas
É uma cadeia de montanhas no noroeste da África que se estende por 2400 km através do Marrocos, da Argélia e da Tunísia, e ainda inclui Gibraltar. O pico mais alto é o Jbel Toubkal, com 4167 m, localizado no sul do Marrocos. As montanhas do Atlas separam as margens do mar Mediterrâneo e do oceano Atlântico do deserto do Saara. A população dessas montanhas é constituída principalmente de Berberes no Marrocos e de Árabes na Argélia.
Como a América do Norte, a Europa e a África formavam um super-continente há milhões de anos, acredita-se que a Cordilheira do Atlas se tenha formado como parte de orogénese Allegheniana(orogénese é um processo de movimentação horizontal das placas tectónicas e o principal agente formador do relevo terrestre).
Essas montanhas formaram-se quando a África e a América colidiram, e foram uma cordilheira muito mais alta do que o Himalaia de hoje. Actualmente, os resquícios desta cadeia podem ser vistos na Fall line, no leste dos Estados Unidos da América. Algumas reminiscências ainda podem ser encontradas nos Apalaches, formados mais tarde, na América do Norte. As montanhas da Sierra Nevada, na Espanha, também foram formadas nessa colisão continental.
As montanhas estão divididas entre o Grande Atlas do Marrocos, o Tell Atlas, mais baixo, que se estende ao longo da costa e o Largo Atlas Saarense, que se estende para o sul.