Flórida(EUA) – O ônibus espacial Endeavour foi lançado nesta segunda-feira(08Fevereiro2010), do Centro Espacial Kennedy, na Flórida em direção à Estação Espacial Internacional(ISS) em uma missão de 13 dias, durante a qual será instalado o Tranquility, módulo que ampliará o espaço de trabalho da plataforma. A nave partiu levando seis astronautas que terão como principal tarefa instalar as duas últimas peças principais do complexo orbital.
Às 04h14m(07h14m em Brasília), o estrondo da decolagem quebrou o silêncio da madrugada no Centro Espacial Kennedy, e um clarão iluminou a escuridão da Flórida. "Que belo lançamento tivemos nesta manhã", disse Bill Gerstenmaier, administrador-associado da Nasa para voos espaciais. "Este é um ótimo começo para uma missão complicadíssima".

Nuvens baixas levaram a Nasa a adiar o lançamento(Foto), previsto inicialmente para a manhã de domingo(07Fevereiro2010). Na madrugada desta segunda-feira(08Fevereiro2010) também havia nuvens esparsas sobre o mar na região, mas o céu estava suficientemente claro para o início da missão de 13 dias.
O ônibus leva o último módulo de conexão da Estação e uma cúpula envidraçada com sete janelas, que permitirá uma vista panorâmica da Terra e do céu, sem distorções atmosféricas. Tripulantes do Endeavour irão instalar as peças em três caminhadas espaciais, de seis horas e meia cada uma. Da atual missão do Endeavour, participam o comandante americano de origem colombiana George Zamka, o piloto estreante Terry Virts e os especialistas Nicholas Patrick, Robert Behnken, Stephen Robinson e Kathryn Hire, os quais passaram em Houston, tomando parte em uma simulação de integração com a dinâmica de vôo Officer and Systems Engineer Booster no Johnson Space Center da NASA.
Os módulos foram construídos para a Nasa na Itália e representarão o fim da parte norte-americana na montagem do complexo orbital, um projeto de 100 bilhões de dólares, envolvendo 16 países, que está em construção desde 1998. Tanto o Tranquility, construído pela Itália, como a cúpula são uma contribuição da Agência Espacial Europeia(ESA) ao projeto da ISS.
Os ônibus espaciais serão aposentados em poucos meses, mas antes disso outras quatro missões levarão cargas, peças de reposição e experimentos. O lançamento de segunda-feira(08Fevereiro2010) provavelmente foi o último de um ônibus espacial em período noturno, da frota de ônibus espaciais da Nasa, que deve ser aposentada após completar cinco missões neste ano. O Endeavour permanecerá dois dias em órbita da Terra. Só depois será preparado para se acoplar à ISS, a cerca de 400 quilômetros da superfície terrestre.
"Cada lançamento é um pouco agridoce", disse Mike Moses, gerente do programa de ônibus espaciais no Centro Espacial Kennedy. "Estamos um passo mais perto do final". O ônibus deve chegar à Estação Espacial na quarta-feira(10Fevereiro2010). Na decolagem, alguns pedaços de espuma isolante se soltaram do tanque externo de combustível, mas aparentemente não causaram danos, segundo Gerstenmaier.
Não há atualmente veículos espaciais dos EUA em condições de substituir os ônibus, em operação desde 1981. Para um futuro próximo, a Nasa está pagando passagens de 50 milhões de dólares por tripulante nos trajetos da cápsula russa Soyuz até a Estação.
Enquanto isso, os EUA desenvolvia um veículo chamado Orion, que poderia viajar à Lua e à Estação. Na semana passada, porém, o governo Obama sugeriu a suspensão do projeto, por razões orçamentárias. Em vez dele, a Nasa investiria 6 bilhões de dólares em cinco anos para ajudar empresas privadas a desenvolverem táxis espaciais.
Módulo Tranquility
O Tranquility(Foto) conterá o mais avançado sistema de suporte ambiental já colocado no espaço. Providenciará um sistema de reciclagem de água e geração de oxigênio para a tripulação. O módulo também proverá a estação com 4 pontos para conexão de módulos pressurizados ou veículos de transporte de tripulação além de ser o ponto de permanente locação do módulo Cupola.
Módulo Cupola
O Cupola(Foto) é um observatório que possibilitará a tripulação da Estação Internacional uma operação visual do braço robótico Canadarm e dos atracamentos de espaçonaves, além de uma visão panorâmica abrangente da Terra. O módulo será equipado com estações de trabalho para controle do braço robótico(SSRMS) e escudos para proteger as janelas de micrometeoritos. O Cupola será o último componente a ser agregado em seu lugar permanente.
Módulos Pressurizados
A ISS está atualmente em construção e terá 14 módulos pressurizados com aproximadamente 1.000 metros cúbicos de área. Esses módulos incluem laboratórios, compartimentos de docagem de espaçonaves, câmara de despressurização, nodos de ligação e áreas de vivência. Dez desses módulos já estão em órbita, restando quatro em solo pronto para serem instalados. Cada módulo é lançado através dos ônibus espaciais, foguetes Proton ou Soyuz. Abaixo segue uma lista dos módulos com data de lançamento e massa equivalente.
A ISS-International Space Station
A Estação Espacial Internacional(ISS-International Space Station) é um laboratório espacial atualmente em construção. A montagem em órbita da EEI começou em 1998 e a estação encontra-se em uma órbita baixa(entre 350-460 km) que possibilita ser vista da Terra a olho nu. Viajando a uma velocidade média de 27.700 km/h, a Estação completa 15,77 órbitas por dia.
Na continuidade das operações da Mir russa, do Skylab dos Estados Unidos, e do planejado Columbus europeu, a Estação Espacial Internacional(International Space Station, ou simplesmente ISS) representa a permanência humana no espaço e tem sido mantida com tripulações de número não inferior a dois elementos desde 2 de Novembro de 2000. A cada rendição da tripulação, a estação comporta ambas equipes(em andamento e a próxima), bem como um ou mais visitantes.
A ISS(Foto) envolve diversos programas espaciais, sendo um projeto conjunto da Agência Espacial Canadense(CSA/ASC), Agência Espacial Européia(ESA), Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial(JAXA), Agência Espacial Federal Russa(ROSKOSMOS) e Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço(NASA) dos Estados Unidos da América.
A estação espacial encontra-se em órbita em torno da Terra a uma altitude de aproximadamente 360 quilómetros, uma órbita tipicamente designada de órbita terrestre baixa (na verdade, a altitude varia ao longo do tempo em vários quilómetros devido ao arrastamento atmosférico e reposição). A estação perde, em média, 100 metros de altitude por dia e orbita a Terra num período de cerca de 92 minutos. Em 27 de Junho de 2008(às 01:01 UTC) completou 55.000 órbitas desde o lançamento do módulo Zarya.
A estação é atendida principalmente pelo ônibus espacial(em Portugal, vaivém espacial) e pelas naves Soyuz e Progress. Ainda se encontra em construção, embora já seja utilizada continuamente para realização de experiências científicas. Atualmente a estação já está pronta para suportar tripulações de seis elementos. Até julho de 2006, todos os membros da tripulação permanente provinham dos programas espaciais russos ou norte-americanos. No entanto a partir dessa data a ISS tem recebido tripulantes das Agências Espaciais Européia, Canadense e Japonesa. A Estação Espacial também já foi visitada por muitos astronautas de outros países e por turistas espaciais.
A construção da ISS irá depender de mais de 50 missões de montagem e utilização. Destas, 39 são assistidas pelo vai e vem espacial ou ônibus espacial. Adicionalmente a estas missões, aproximadamente 30 missões Progress serão necessárias para providenciar a logística. No final, a ISS estará a operar com um volume de pressurização de 1.200 metros cúbicos, uma massa de 419.000 quilogramas, 110 kilowatts de potência, e uma estrutura de suporte de 108,4 metros de comprimento, com módulos de 74 metros e tripulações de seis elementos.
A manufatura dos módulos e da estrutura que compõem a EEI foi realizada por diversas empresas contratadas pelas agências espaciais que formam o grupo responsável pela montagem e manutenção da mesma. A parte americana da estação foi manufaturada principalmente por quatro companhias que tiveram contratos anunciado em 1 de Dezembro de 1987, são elas: Boeing, General Electric’s Astro-Space Division, McDonnell Douglas e a Rocketdyne Division of Rockwell. A parte russa foi manufaturada pela empresa RKK Energiya, que também construiu o módulo Zarya, financiada pelos E.U.A.
A Europa contribuiu construindo os módulos Node 2(Harmonia) para os E.U.A e o laboratório Columbus. O primeiro foi construído pela empresa Thales Alenia Space, baseada em Cannes, na França e o segundo numa parceria entre a Thales Alenia e a empresa EADS Astrium. A contribuição japonesa(laboratório Kibo) foi manufaturada pela Mitsubishi e a canadense(braço robótico Canadarm) através da empresa MD Robotics, subsidiária da companhia MDA(MacDonald Dettwiler).
A primeira secção da EEI foi colocada em órbita em 1998 e mais duas partes foram adicionadas antes do envio da primeira tripulação, que chegou à estação a 2 de Novembro de 2000 e consistia do astronauta norte-americano William Shepherd e de dois cosmonautas russos, Yuri Gidzenko e Sergei Krikalev. Nesta época foi decidido designar a estação espacial de "Alpha", embora o uso do nome estivesse restrito à missão.
Após quase uma década de montagem, a configuração da estação(em junho/2008) contava com uma massa de 300.214 kg e 358 metros cúbicos de espaço habitável. Para chegar a essa configuração foram necessárias 26 missões norte-americanas do ônibus espacial e 48 missões russas. Destas últimas, 16 foram tripuladas e 32 não tripuladas. A construção também necessitou de 112 caminhadas no espaço, 28 das quais a partir do ônibus espacial e 84 a partir da própria ISS. No total, o tempo utilizado nessas caminhadas no espaço foi de 706 horas. Nesse processo também foram necessárias a realização de 18.000 refeições.
A EEI tem tido uma história problemática. Inicialmente planejada como uma "Estação Espacial Livre" da NASA, assim promovida pelo Presidente Reagan, mostrou-se demasiado dispendiosa. Após a Guerra Fria, foi retomada como um projecto conjunto entre a NASA e a Rosaviakosmos russa. Desde essa altura o seu custo tem-se mostrado muito superior ao projectado inicialmente pela NASA, além de estar com seu cronograma de montagem bastante atrasado.
Em 2003 ainda era incapaz de acomodar uma tripulação de seis, conseqüentemente limitando a quantidade de ciência passível de se realizar, o que também não beneficiava as relações com os parceiros europeus, japoneses e canadenses do projecto. Em Julho de 2004, a NASA concordou em completar a estação até ao nível de suporte de seis membros e ao lançamento de secções adicionais como o módulo japonês de experiências. Enquanto a NASA continua responsável por gerir a construção, a Rússia mantém a continuidade do lançamento e recolha das tripulações de e para a estação.
Após o desastre do ônibus espacial Columbia em 11 de Fevereiro de 2003, e a consequente suspensão das missões com estas naves, houve um intervalo onde não foram mais realizados trabalhos de montagem. A sua construção ficou praticamente suspensa dado que os componentes principais são tão pesados que não podiam ser colocados no espaço sem o auxílio dos ônibus espaciais. Por exemplo, o módulo do laboratório da Agência Espacial Européia, o Columbus, apesar de concluído, não pôde ser lançado em órbita até o mês de fevereiro de 2008, contabilizando um atraso de três anos em sua instalação.
Durante esse período de estagnação não houve a interrupção das trocas de tripulação que continuaram a ser efetuadas pelas naves Soyuz. A partir da Soyuz TMA-2, a tripulação passou a ser formada por dois astronautas/cosmonautas, no lugar das tradicionais equipes de três elementos. Essa situação foi normalizada em julho de 2006, com o retorno da composição de três tripulantes com a participação do astronauta da Agência Espacial Européia Thomas Reiter(Alemanha).
Durante esse período também houve um grande acúmulo de lixo e materiais descartáveis devido ao fato das espaçonaves Soyuz não disporem da capacidade de transportar esse material excedente. No entanto, boa parte desse transporte foi suprida pelas naves de cargas russas Progress. Atualmente esse problema já está estabilizado.
Desde a retomada dos lançamentos de ônibus espaciais em 2005, a montagem da estação tem ocorrido em ritmo razoavelmente acelerado, com a instalação de painéis solares, módulos pressurizados, braços robóticos e racks para exposição de experimentos. Em novembro de 2008, durante a missão STS-126 do ônibus espacial Endeavour, foi realizada a preparação da estação para acomodar seis tripulantes. Para tanto, foram instalados dois novos quartos de dormir, um banheiro(de fabricação russa), equipamentos de cozinha, dois aquecedores de alimentos, um refrigerador de comida, um equipamento para exercícios de resistência física além de um sistema de recuperação de água e reciclagem de urina para conversão em água potável.
Ainda estão planejados mais 6 lançamentos do ônibus espacial para completar a montagem da Estação até 2011. Dentro desse prazo também está previsto o lançamento de mais três módulos pressurizados construídos pelos russos, dos quais já foram confirmados os lançamentos dos módulos MRM 2(novembro/2009) e MRM1(maio/2010).
O marco mais interessante das próximas etapas de montagem será a instalação do módulo Node 3 junto com seu módulo Cupola(previsto para fevereiro de 2010), que possibilitará aos astronautas/cosmonautas terem um visão extraordinária da Terra.
A missão dos macacos espaciais
No dia 28 de maio de 2009 foi celebrado o aniversário de 50 anos do primeiro vôo no espaço bem sucedido com seres vivos. Em 28 de maio de 1959 um macaco rhesus chamado Able(Foto acima) e um macaco-esquilo fêmea chamada Miss Baker(Foto abaixo) tornaram-se os primeiros ‘astronautas’ a sobreviver e retornar do espaço.
Embora não tenham sido os primeiros animais lançados no espaço, Able e Baker ajudaram a trilhar o caminho para os vôos espaciais tripulados humanos, dois anos após, mostrando que primatas podem sobreviver aos rigores do lançamento e retorno de uma espaçonave. Seus sinais vitais foram monitorados durante a missão, dando aos cientistas um melhor entendimento do estresse que a jornada espacial inflige em um corpo vivo.
Lançada a bordo do foguete AM-18 Júpiter, Able e Baker voaram a uma altura de aproximadamente 580 quilômetros e viajaram uma distância de 2.750 quilômetros desde a plataforma de lançamento no Cabo Canaveral, Eastern Space Missile Center, na Flórida até seu destino, em alto mar.
A cápsula com os símios espaciais retornou a Terra pousando no oceano e foi recuperada por um navio da marinha americana comandado por Joseph Guion.
O comandante Guion contou a NASA, na ocasião do resgate: “Tão logo retiramos a cápsula da água do mar, ela começou a balançar. O navio estava girando e a cápsula balançava para frente e para trás. Eu estava esperançoso que ninguém se ferisse… Nós ainda não sabíamos se os macacos estavam vivos, pois não tínhamos os dados de telemetria. E assim um dos técnicos correu e conectou o cone e disse, ‘Eles estão vivos!’. Então todos gritamos ‘Yay!’ e finalmente pude dizer ‘Ah! Podemos relaxar’”.
O vôo inteiro durou apenas 15 minutos, e durante 9 minutos os dois mini-astronautas experimentaram a ‘falta de peso’. Após a recuperação da sua cápsula, os macacos foram mantidos relaxados em um quarto especial com ar-condicionado no navio. A seguir foram levados para Washington, D.C. para uma conferência de imprensa.
O destino dos heróis símios
Able morreu, infelizmente, alguns dias após o vôo. Ele necessitava de uma cirurgia para remover um eletrodo médico infectado e teve uma reação adversa ao anestésico usado.
O corpo de Able foi tratado usando a técnica de taxidermia e reinserido dentro da cápsula usada na viagem e permanece exposto no Smithsonian Institute em Washington até hoje.
Miss Baker, entretanto, sobreviveu por mais 25 anos, vivendo no U.S. Space and Rocket Center em Huntsville, Alabama. Durante o resto de sua vida, ela recebeu uma média de 100 cartas por dia de crianças que leram sobre suas aventuras em livros e queriam dar um ‘Alô’ a macaca.
A contribuição de Miss Baker foi lembrada quando de sua morte e seu funeral em 1984 teve a presença de mais de 300 pessoas. A macaca está enterrada em frente do Alabama Rocket Center e seu tumulo possui uma lápide destacando seu importante papel na história das missões espaciais.
Tentativas anteriores
Os primatas não foram os primeiros animais enviados intencionalmente ao espaço. Essa honra pertence a outro reino animal: o dos insetos. As moscas de fruta foram enviadas ao espaço, junto uma amostra de sementes de milho no teste de 1947 para avaliação dos efeitos da radiação em elevadas altitudes.
A bem sucedida missão com os macacos Able e Baker foi precedida por uma série de tentativas fracassadas de lançar primatas no espaço. A 1ª tentativa foi com o macaco Albert que voou 63 km em 11 de junho de 1948 a bordo de um foguete V2, mas morreu sufocado durante o vôo. Albert II foi mais além e conseguiu sobreviver no espaço, acima da altura de 100 km, mas não conseguiu suportar o impacto da reentrada em 14 de junho de 1949.
Por mais de uma década todos os vôos com macacos falharam por diversas razões. Em um dos casos o foguete explodiu. Em outra ocasião o macaco morreu no impacto devido a falha do para-quedas da cápsula espacial. Em outra falha no para-quedas a cápsula afundou no mar e nunca foi recuperada. Em das missões houve um sucesso parcial: os macacos foram recuperados vivos mas o veículo espacial não atingiu a altura suficiente para que o vôo tenha sido considerado uma verdadeira viagem espacial.
Laika a heroína espacial soviética de 1957
Laika a heroína espacial soviética de 1957
Paralelamente os soviéticos enviavam cachorros em vôos sub-orbitais bem sucedidos tento enviado e recuperado pelo menos 30 animais. O primeiro animal que realmente orbitou a Terra foi a cadela Laika que não sobreviveu a totalidade da jornada. Laika morreu entre cinco e sete horas depois do lançamento, bem antes do planejado. A causa de sua morte, que só foi revelada décadas depois do vôo, foi, provavelmente, uma combinação de estresse sofrido e o superaquecimento, talvez ocasionado por uma falha no sistema de controle térmico da nave.
Apesar do acidente, essa experiência demonstrou ser possível para um animal suportar as condições de microgravidade, abrindo caminho assim para participação humana em vôos espaciais. Laika(Foto) viajou a bordo da nave soviética Sputnik II, em 3 de novembro de 1957, um mês depois do lançamento do satélite Sputnik I, o primeiro objeto artificial a entrar em órbita.