É o segundo engenho do Nordeste a receber a certificação pelo Instituto Biodinâmico(IBD) que atesta o processo natural e sem uso de agrotóxicos do destilado.
Duas Estradas(PB) – Se produzir cachaça é tradição na Paraíba, para os empreendedores do segmento no Estado só isso não basta. É necessário investir em qualidade e no bem estar dos consumidores. Prova disso é a conquista da certificação de produto orgânico conquistado pela cachaça Serra Limpa, produzida pelo Engenho Imaculada Conceição, em Duas Estradas(PB). O engenho passou por uma série de visitas do Instituto Biodinâmico(IBD) para atestar o processo de produção da cana-de-açúcar e fabricação da cachaça Serra Limpa.
De acordo com dados do IBD, a Paraíba é o segundo estado nordestino a ter uma cachaça certificada como orgânica pelo órgão, ficando atrás apenas do Rio Grande do Norte, e em nona colocação no país. Para o gerente de certificação do IBD, Gwendal Bellocq, os principais ganhos para a empresa ao ter seu produto como orgânico é a elevação do seu nível de qualidade, que reflete diretamente no mercado e demonstra a transparência da empresa quanto ao seu processo de produção.

Em análises químicas realizadas pelo IBD – como etapa do processo de certificação – foi comprovada a ausência de substâncias tóxicas há pelos 10 anos nas terras usadas para o cultivo da cana-de-açúcar – principal matéria-prima para a produção de cachaça. O órgão certificou a produção da cachaça desde cultivo no campo até o processo de beneficiamento, destilação e comercialização da cachaça. O IBD analisou também aspectos relacionados às leis ambientais e de preservação do meio ambiente, ações de responsabilidade social, trabalhista e fiscal.
“Todo certificado que se recebe dizendo que a cachaça tem qualidade representa uma alegria muito grande para os que fazem a Serra Limpa. Com mais esta certificação, aumenta a nossa responsabilidade de produzirmos cada vez melhor. A Serra Limpa continuará fazendo o melhor como os melhores do mundo”, afirmou Antonio Inácio da Silva, proprietário do Engenho Imaculada Conceição.
Segundo o gestor do projeto de Cachaça de Alambique, realizado pelo Sebrae em parceria com a Fiep, Aspeca e Sindibebidas, o resultado reflete a qualidade dos destilados produzidos na Paraíba e a preocupação ambiental dos engenhos. Para, a expectativa que outros engenhos iniciem o processo de certificação, seja no IBD ou mesmo no Inmetro, como forma de agregar valor a marca e ampliar mercado. O engenho integra o projeto de Cachaça de Alambique.
Processo produtivo
Com uma produção limitada, de aproximadamente 100 mil litros por ano, a propriedade do Engenho Imaculada Conceição abrange uma área de 40 hectares e agrega um número de 30 funcionários. Todo o processo de fabricação da cachaça prioriza a qualidade, sem o uso de agrotóxicos no campo e aplicação de adubo orgânico na lavoura.
A seleção da cana-de-açúcar(matéria prima do produto) começa ainda no campo, com o corte da cana crua e a retirada das canas brocadas que são excluídas. Todo o transporte da cana-de-açúcar para o engenho é feito por meio de carro de boi. Quando o produto chega ao engenho é feita nova classificação para retirada da cana brocada, evitando a entrada deste produto na moenda. Toda a cana cortada é moída no mesmo dia.
O Engenho aproveita o bagaço da cana-de-açúcar como combustível para o forno. Todo o adubo ou estrume usado no plantio da cana-de-açúcar que será usado para a produção da cachaça é feito na propriedade com o aproveitamento da sobra do bagaço de cana, cinzas e o vinhoto. O engenho conta com um rígido controle de qualidade com análises constantes em laboratório montado no local.
Certificado IBD
É a garantia da procedência e da qualidade orgânica de um alimento natural ou processado. Na certificação, produtores e processadores são inspecionados e orientados segundo as normas de produção orgânica. O consumidor tem a garantia de um alimento sem contaminação química, cuja produção respeita o meio ambiente e o trabalhador. Agora, além da permissão para o uso do selo de qualidade orgânica no mercado nacional, a cachaça dispõe do selo internacional na mesma categoria.
Patrimônio cultural da Paraíba
O deputado estadual Carlos Batinga(PSC) quer tornar a cachaça um patrimônio cultural do Estado da Paraíba. A iniciativa do parlamentar visa a estabelecer o produto como parte integrante dos bens que identificam a cultura paraibana dentro e fora do Estado, bem como pelo valor agregado ao conjunto da economia local. Conforme ele, a Paraíba produz uma das melhores cachaças do país e há décadas o produto é parte integrante da pauta de exportações do Estado, o que justifica torná-lo um patrimônio cultural pela importância que tem para a economia paraibana.
As últimas estimativas apontam para a existência de 60 engenhos produzindo cachaça na Paraíba, com cerca de trinta marcas registradas no mercado. Em 2007 a produção atingiu a cerca de 12 milhões de litros, com um acréscimo de 12%. O atrativo do consumidor está no fato de ser a cachaça paraibana produzida, na sua maior parte, de maneira artesanal, sem a introdução de tecnologias que podem ocasionar queda na qualidade do produto.
O deputado Carlos Batinga disse que sua intenção de tornar a cachaça um patrimônio cultural do Estado é também para preservar a qualidade do produto que aqui é produzido.