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Brasil lamenta rompimento de relações entre Venezuela e Colômbia

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Brasília(DF) – O governo brasileiro afirmou nesta quinta-feira(22Julho2010) que “lamenta” o rompimento das relações diplomáticas entre Venezuela e Colômbia, anunciado hoje pelo presidente Hugo Chávez.

O governo brasileiro vem acompanhando, com atenção e preocupação, os últimos desenvolvimentos envolvendo a Colômbia e a Venezuela, inclusive o rompimento das relações diplomáticas entre os dois países”, afirma a nota emitida pelo Itamaraty. “O governo brasileiro lamenta essa situação”.

O Ministério das Relações Exteriores confirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva(Foto) telefonou para Chávez para transmitir a “disposição do Brasil de contribuir para a superação das diferenças entre os governos da Colômbia e da Venezuela”. “Os presidentes Lula e Chávez acordaram continuar a discussão do tema por ocasião da visita, anteriormente planejada, do presidente Lula à Venezuela, em 6 de agosto próximo”, acrescenta o Itamaraty.

A ligação telefônica foi comentada pelo presidente venezuelano também. "Acabo de conversar com o presidente do Brasil, nosso irmão Lula, [que está] preocupado com tudo isso. Ele me deu suas opiniões", disse Chávez em um ato oficial, sem mais detalhes.

Rompimento
Em resposta às acusações de que guerrilheiros estariam abrigados em território venezuelano, Chávez(Foto) anunciou hoje o rompimento das relações diplomáticas com a Colômbia.

Não nos resta outra opção, por dignidade, a não ser romper totalmente as relações diplomáticas com a irmã Colômbia, e isso me produz uma lágrima no coração”, afirmou o presidente da Venezuela, em transmissão ao vivo pela televisão.

Chávez também ordenou “alerta máximo” na fronteira e advertiu sobre o risco de que o presidente colombiano, Álvaro Uribe, movido por seu “ódio contra a Venezuela”, pudesse realizar uma ação militar na região.

"Uribe é capaz de mandar montar um acampamento falso do lado venezuelano só para poder atacá-lo e causar uma guerra", afirmou. "A uma guerra com Colômbia teríamos que ir chorando, mas iríamos".

O presidente venezuelano fez seu pronunciamento ao mesmo tempo em que a OEA, em Washington(EUA), concluía a sessão na qual o representante colombiano, Luis Alfonso Hoyos, tinha exposto fotos e mapas com o objetivo de provar que haveria cerca de 1,5 mil guerrilheiros acampados no país vizinho, solicitando que uma comissão internacional visitasse os locais em curto prazo.

As relações bilaterais já estavam "congeladas" há um ano, por decisão da Venezuela, e se deterioram desde o anúncio das denúncias apresentadas hoje.

OEA pede calma
Depois da manifestação de Chávez, o secretário-geral da OEA, José Miguel Insulza, pediu que os dois países "acalmem os ânimos" para "buscar um caminho".

De sua parte, o governo da Colômbia afirmou que não vai realizar movimentos militares em resposta ao rompimento anunciado por Chávez.

Desde o Equador, o vice-presidente eleito da Colômbia, Angelino Garzón, afirmou que o próximo governo vai buscar uma reaproximação com Chávez.

"Faremos todo o possível e utilizaremos todos os amigos que temos em diferentes países do mundo e buscaremos todos os mecanismos diplomáticos para melhorar e fortalecer as relações com todos os países da região, incluindo a Venezuela", afirmou Garzón.

Oposicionistas criticam Chávez
Setores da oposição venezuelana rejeitaram a ruptura das relações com a Colômbia, enquanto líderes empresariais pediram "ponderação" na condução da crise bilateral.

O dirigente e fundador do partido opositor Primeiro Justiça(PJ), Julio Borges, chamou a situação de "delicada" e disse que a decisão de Chávez seria uma maneira de distrair os venezuelanos de problemas internos rumo ao pleito parlamentar de 26 de setembro.

"Chávez tem uma mentalidade militar. Sempre precisa de um inimigo e, se não tem, inventa um. Este é um governo que sempre pensa na ruptura, no choque", afirmou Borges em declarações à agência EFE.

O secretário-geral do social-cristão Copei-Partido Popular, Luis Carlos Solórzano, solicitou ao Governo de Chávez que permita a verificação internacional das denúncias colombianas.

José Rozo, líder da entidade patronal Fedecámaras no estado de Táchira, na fronteira com a Colômbia, expressou sua preocupação com a "grave" situação com o país vizinho.

"O dano(à economia da fronteira) não tem nenhum perdão, porque milhares de postos de trabalho estão sendo perdidos", declarou Rozo à EFE por telefone.

O congelamento das relações bilaterais desde julho de 2009 teve grande impacto no setor comercial, que chegou a registrar uma troca comercial de quase US$ 6 bilhões em 2008.

O rompimento
Com o anuncio feito pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, nesta quinta-feira(22Julho2010) de que a Venezuela rompeu as relações diplomáticas com a Colômbia em resposta a uma denúncia de que Caracas protege guerrilheiros colombianos de esquerda. estabeleceu-se uma crise diplomática com proporções ainda não previstas.

O governo de Chávez rejeitou as acusações da Colômbia e exigiu que Bogotá comprove as afirmações. Confira a seguir informações sobre a tensão entre ambas as nações sul-americanas, que compartilham mais de 2.200 quilômetros de fronteira terrestre.

### O comércio binacional superou os 7 bilhões de dólares em 2008. Mas o Ministério do Comércio, Indústria e Turismo de Bogotá estima que as exportações colombianas à Venezuela cairão dos 6 bilhões de dólares em 2008 para 1,5 bilhão de dólares neste ano. A Colômbia vendia à Venezuela alimentos, autopeças e têxteis e comprava produtos petroquímicos. A restrição comercial representará à Colômbia um ponto a menos de crescimento anual em sua economia.

### A chancelaria venezuelana cumprimentou Juan Manuel Santos em junho por sua vitória na eleição presidencial. Mas o governo do presidente Hugo Chávez disse que estaria atento "aos fatos que vão moldando o tipo de relação que pode ser possível" além de declarações oficiais. O presidente eleito, por sua vez, disse que uma de suas prioridades de governo será melhorar as relações com Caracas.

### Em 2009, o presidente Chávez ordenou "congelar" as relações diplomáticas e comerciais com a Colômbia depois que Bogotá ampliou um acordo de cooperação militar com Washington, que permite aos militares norte-americanos acesso a sete bases colombianas. Chávez argumentou que a associação ameaça o equilíbrio da região e permitirá que Washington assuma posições-chave para atacar a "revolução socialista" e sua enorme riqueza petrolífera. A Colômbia é o principal aliado da Casa Branca na América Latina, enquanto que Chávez é um de seus mais duros críticos.

### Chávez mobilizou tropas na fronteira em 2008 em resposta a um ataque militar de Bogotá a um acampamento da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia(Farc) em território equatoriano, denunciado por Quito como uma violação à sua soberania. No ataque morreu Raúl Reyes, um dos principais líderes das Farc. Chávez homenageou o guerrilheiro com um minuto de silêncio e ordenou reforçar a fronteira para evitar que Bogotá fizesse um ataque similar em seu território.

O atual presidente eleito da Colômbia, que era ministro da Defesa em 2008, comandou a ação e foi chamado por Chávez na época de "Santos-demônio" durante a campanha presidencial colombiana. A Colômbia disse que em computadores encontrados no acampamento guerrilheiro no Equador havia provas de vínculos do governo da Venezuela com a guerrilha.

### A Colômbia designou Chávez como mediador para tentar a libertação de reféns sequestrados pelas Farc em 2007. O presidente colombiano, Álvaro Uribe, suspendeu a mediação depois que Chávez questionou o comandante do Exército colombiano, Mario Montoya, sobre reféns em poder das Farc em conversação telefônica não autorizada.

O mandatário venezuelano disse que respeitava a decisão de seu homólogo, embora lamentava. As Farc finalmente liberaram em 2008 um grupo de reféns, mantidos por anos na floresta, para compensar os esforços anteriores de Chávez. Meses depois, o governo da Colômbia simulou uma operação humanitária da Cruz Vermelha para libertar os principais reféns das Farc: a ex-candidata presidencial colombiana Ingrid Betancourt,(Foto) também de nacionalidade francesa, e três norte-americanos, além de 11 policiais e militares.

* Uol.

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