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Telespectadores oferecem ajuda e emocionam Silvio Santos

Tempo de leitura: 8 minutos

Ricardo Feltrin
Colunista do UOL

As mensagens começaram a chegar ao SBT por meio de cartas e emails no último final de semana, quatro dias depois de anunciado o rombo do banco Pan Americano, de R$ 2,5 bilhões. "Silvio, gostaria de saber como posso ajudar você e o SBT", diz trecho de uma das cartas que fizeram marejar os olhos de Silvio Santos.

Ooops! teve acesso ao conteúdo de outros dois emails enviados ao SBT no último fim de semana.

"Pessoal do SBT", começa a primeira mensagem, "Peço que mandem uma conta do Grupo SS para que eu possa depositar um pouquinho das minhas economias para ajudar o Silvio que tanto tem ajudado o povo sofrido. (Assinado Jorge)"

"Silvio você é o cara. Já ajudou muita gente e agora é nossa vez de ajudar." (Adriano, via hotmail)

Há dezenas de outras, e todas têm em comum o fato de que foram escritas por gente simples que simplesmente adora Silvio Santos e diz que fará qualquer coisa para tirá-lo da enrascada em que seu grupo se meteu.

Quatro dias parece ter sido o tempo necessário para que milhares e milhares de telespectadores do SBT das classes C e D entendessem que o problema do Pan Americano podia por em risco a carreira de Silvio Santos. Desde sexta-feira. o SBT tem recebido mensagens enviadas por fãs de Silvio, do SBT e mesmo das empresas do grupo que têm forte apelo popular, como a Tele Sena e o Baú da Felicidade.

Um telespectador perguntou em email se deveria comprar um carnê ou um bilhete da Tele Sena, em dúvida sobre qual dos dois produtos poderia ajudar mais a Silvio Santos.

Família unida

Além dos fiscais do BC, a família de Silvio tem acompanhado cada passo das investigações e inclusive já está fazendo o levantamento contábil de outras empresas do grupo, como a Jequiti Cosméticos e a Sisan Empreendimentos Imobiliários, que vende imóveis comerciais.

Estão sendo levantados balanços de todas as empresas, bem como as negociações com fornecedores, clientes e contratos de terceirização.

Silvio, Íris e as filhas têm acompanhado, com advogados, todos os passos da investigação.

ENTENDA O CASO

O Grupo Silvio Santos, o acionista principal do PanAmericano, anunciou que colocará R$ 2,5 bilhões no banco para cobrir um prejuízo causado por uma fraude contábil. Em seu comunicado oficial, a diretoria do banco menciona "inconsistências contábeis". O dinheiro virá de empréstimo do FGC (Fundo Garantidor de Créditos).

O BC descobriu que o PanAmericano vendeu carteiras de crédito para outras instituições financeiras, mas continuou contabilizando esses recursos como parte do seu patrimônio. O problema foi detectado há poucos meses e houve uma negociação para evitar a quebra da instituição, já que o rombo era bilionário.

A quebra só foi evitada após o Grupo Silvio Santos assumir integralmente a responsabilidade pelo problema e oferecer os seus bens para conseguir um empréstimo nesse valor junto ao FGC. Como o fundo é uma entidade privada, não houve utilização de recursos públicos. Além disso, a Caixa Econômica Federal, que também faz parte do bloco de controle, não terá de arcar com a perda.

A Polícia Federal informou que instaurou, nesta sexta-feira, inquérito policial para apurar a eventual prática de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. O Ministério Público Federal informou que também vai investigar as transações do banco.

INVESTIGAÇÕES

O Banco Central caiu em cima de pelo menos seis bancos pequenos para averiguar como eles contabilizam as carteiras vendidas a outras instituições, após descobrir fraude no PanAmericano.

O objetivo é detectar uma eventual disseminação de prática contábil fraudulenta nesses bancos na hora de registrar carteiras cedidas.

O "pente fino" se iniciou no último dia 29, antes do feriado de Finados, quando o BC se preparava para falar sobre o assunto.

A fiscalização do BC enviou comunicado a instituições que também adquiriram carteiras de crédito, pedindo explicações detalhadas sobre as operações. O pedido exigiu trabalho dobrado das áreas técnicas para enviar as informações com urgência.

Segundo a Folha apurou, os questionamentos ocorreram quase dois meses após o BC ter detectado as irregularidades no PanAmericano.

Grupo SS susta pagamento a firma auditora

RICARDO FELTRIN
DE SÃO PAULO

Investigada por fiscais do Banco Central e processada por Silvio Santos, a empresa de auditoria e consultoria Deloitte teve o pagamento de uma parcela de R$ 1,6 milhão suspenso pelo Grupo SS.
O dinheiro deverá ser depositado nesta semana em juízo e só terá um destino após as investigações do grupo de Silvio Santos.

A Deloitte informou "estranhar" a informação de que o grupo SS suspenderá o pagamento, considerando que neste momento estão sendo conduzidas as investigações sobre o caso dentro e fora da auditoria.
"Temos a esclarecer que a Deloitte está à disposição e colaborando com as autoridades constituídas para a devida apuração e esclarecimento dos fatos e que se defenderá vigorosamente na Justiça de qualquer acusação relacionada ao caso do Banco PanAmericano que lhe venha a ser feita", disse, em nota.

12/11/2010 – 08h56
Ex-número 1 do banco PanAmericano é sócio em 20 empresas

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CLAUDIA ROLLI
DE SÃO PAULO

Afastado do cargo de presidente do PanAmericano há três dias, Rafael Palladino, 59, não tem o perfil de executivo do mercado financeiro nem costuma circular entre banqueiros.

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Formado em educação física pela Universidade de São Paulo, Palladino trabalhou como personal trainer e foi professor durante 12 anos. Aos 32 anos, deixou as salas de aula para se dedicar às academias de ginástica.

Foi nessa época que o executivo começou a ter contato com a área comercial -cuidou dos negócios de oito academias e, com isso, diz ter ganhado experiência em vendas e marketing.

O empresário foi diversificando os negócios e montou uma rede de postos de gasolina em São Paulo e no Rio. Atualmente, ainda é sócio de três postos em São Paulo, segundo levantamento feito ontem na Junta Comercial.

No levantamento, Palladino aparece como sócio em 20 empresas, incluindo também as ligadas ao grupo Silvio Santos, como o PanAmericano, o Bau Distribuidora de Títulos e Valores Imobiliários, a Liderança Capitalização S.A. e a TV Studios Anhanguera.

foto familia

EM FAMÍLIA

Palladino é primo de primeiro grau de Íris Abravanel, mulher de Silvio Santos, que o convidou em 1990 para assessorar o grupo empresarial na área imobiliária.

Um ano mais tarde, foi trabalhar na área financeira do grupo, responsável pelo Banco Financeiro, que teve o nome alterado mais tarde para Banco PanAmericano.

No comando da instituição financeira, Palladino tinha autonomia para cuidar do banco e de negócios considerados prioritários para Silvio Santos, como o hotel de luxo Sofitel, no Guarujá, aberto no início de 2007.

Palladino ajudou a comandar o projeto ao lado de Patrícia Abravanel, a filha "de número quatro" do empresário. A proximidade com Patrícia começou quando ela foi estagiária do banqueiro no PanAmericano.

Ninguém arrisca a dizer a remuneração de Palladino no comando do banco. Em um relatório de informações que consta na CVM, a maior remuneração individual paga no ano passado à diretoria foi de R$ 960 mil.

EMPRESA COMO ESPORTE

Quem trabalhou ao seu lado no banco diz que Palladino tem perfil "motivador" -que se assemelha ao do empresário Silvio Santos.

"Acredito que uma empresa funciona exatamente como o esporte. Se tiver técnico e jogadores bons, o negócio caminha. Se todos estiverem motivados, a possibilidade de ganhar o jogo é muito maior", disse em uma entrevista a uma empresa de RH.

Aos amigos, Palladino costuma afirmar que o lema de sua vida é: "A gente não espera um mundo melhor. A gente faz".

Diferentemente do publicado em "Ex-número 1 do banco PanAmericano é sócio em 20 empresas" (Mercado – 12/11/2010 – 08h56) publicada na Folha e reproduzida na Folha.com, é Daniela Abravanel Beyruti quem comanda o SBT, no cargo de diretora-geral, e não Patrícia Abravanel. O texto foi corrigido.

 

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