Seul acusa Pyongyang de violar armistício que interrompeu a Guerra da Coreia, em 1953.
Seul(Coréia do Sul) – O Exército da Coreia do Norte realizou nesta terça-feira(23Novembro2010), uma série de disparos de artilharia em sua costa ocidental contra o território sul-coreano na zona fronteiriça do Mar Amarelo. Os disparos deixaram ao menos dois soldado sul-coreanos mortos e 17 militares e três civis feridos, informou a agência sul-coreana Yonhap.
As autoridades sul-coreanas declararam que o ataque norte-coreano viola o armistício firmado entre em 1953, que interrompeu a Guerra da Coreia. Além disso, o Ministro da Unificação de Seul disse que as negociações com a Cruz Vermelha, nas quais seriam discutidas as ajudas a Pyongyang, foram adiadas indefinidamente.
Segundo fontes militares da Coreia do Sul, por volta das 14h24m da hora local(03h24m de Brasília) os norte-coreanos dispararam várias vezes, atingindo as águas da Coreia do Sul e a ilha sul-coreana de Yeongpyeong, onde vivem entre 1.200 e 1.300 habitantes. Segundo a agência, as pessoas estão aterrorizadas e evacuando a ilha. Entre 60 e 70 casas foram incendiadas por conta do bombardeio.
O Exército da Coreia do Sul respondeu com outra rajada de disparos contra a Coreia do Norte. Além disso, foi elevado o alerta na região após o ataque norte-coreano, disse o porta-voz do Estado Maior do Exército sul-coreano.
A Coreia do Norte acusa Seul de ter disparado primeiro e prometeu mais represálias. Após o ataque, a Coreia do Sul informou que conduzia exercícios militares no momento em que foram lançados os projéteis, mas afirmou que disparou para o oeste, em não em direção ao norte, o que não justifica a ofensiva de Pyongyang.
A ilha sul-coreana de Yeongpyeong fica próxima da linha que divide as águas das duas Coreias, no Mar Amarelo. Desta vez, porém, os disparos norte-coreanos alcançaram o local. O Exército verifica se há vitimas civis.
Os disparos norte-coreanos coincidem com manobras rotineiras das Forças Armadas sul-coreanas em águas próximas a essa ilha e com o aumento das críticas a Pyongyang pela suspeita de ter ampliado seu programa nuclear com o enriquecimento de urânio.
O aumento da tensão com o incidente levou o governo de Seul a considerar a evacuação dos sul-coreanos da zona industrial conjunta de Kaesong(Coreia do Norte), no que parece ser um dos ataques mais graves desde o afundamento, em março, da corveta sul-coreana Cheonan, no qual morreram 46 tripulantes.
Líder nortecoreano
Kim Jong-il(Foto) é uma político nortecoreano, Presidente da Comissão Nacional de Defesa da Coréia da República Popular Democrática da Coréia desde 1994. Tem sido o Secretário Geral do Partido dos Trabalhadores da Coréia desde 1994, e é na actualidade também Presidente da Comissão de Defesa Nacional de seu país. Sucedeu como Secretário Geral a seu pai, Kim Il-sung, que tinha governado o país desde 1948.
É conhecido em seu país como o Querido Líder. Tem sido em sucessivas ocasiões ratificado pelo parlamento norcoreano como Presidente da Comissão de Defesa Nacional. Como autor teórico, assina um bom número de obras nas que desenvolve a Teoria Juche, um desenvolvimento do leninismo no que se baseou a política da República Democrática Popular da Coréia. Seu aniversário é uma festa nacional.
Seul quer evitar conflito
O presidente da Coreia do Sul, Lee Myung-bak, disse que está tentando evitar que o ataque norte-coreano torne-se uma escalada para um grande conflito entre os dois países vizinhos, reportou a agência de notícias Yonhap.
A televisão YTN reportou que Seul está em alerta para uma grande resposta, caso a Coreia do Norte continue com as provocações. O governo sul-coreano inclusive encaminhou para a região do conflito vários aviões de guerra F-16.
Os dois países se encontram tecnicamente em conflito desde que a Guerra da Coreia(1950-1953) foi encerrada com um armistício em vez de um tratado de paz. Desde então, o acirramento das tensões entre as duas nações asiáticas é frequente.
Japão em alerta
O primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, recomendou as autoridades do governo que estejam preparadas para qualquer desdobramento do conflito na península coreana. Nesta terça-feira(23Novembro2010), a Coreia do Norte disparou mísseis contra uma ilha da Coreia do Sul, que revidou o ataque, segundo informações de agências de notícias sul-coreanas.
Kan disse, em entrevista a jornalistas, que instruiu o chefe da Secretaria de Gabinete, Yoshito Sengoku, e outras autoridades "para que façam o melhor na coleta de informações sobre a situação e estejam preparados para qualquer tipo de incidente inesperado".
Apesar do feriado no Japão, o primeiro-ministro japonês falou com a imprensa devido ao agravamento da tensão entre as Coreias. A Coreia do Sul enviou jatos militares para responder ao ataque de mísseis da Coreia do Norte contra a ilha Yeonpyeong, deixando várias casas em chamas e ferindo quatro pessoas.
Na Coreia do Sul, o alerta foi elevado ao seu mais alto nível desde a década de 1950. O presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, disse que está tentando evitar que esse ataque se torne um grande conflito entre as nações. Ele disse que seu país dará uma resposta mais forte se os norte-coreanos continuarem as provocações.
De acordo com uma informante militar da Coreia do Sul, que não pôde se identificar, a tensão se acentuou nos últimos dias depois que os Estados Unidos informaram que o país vizinho construiu instalações para o enriquecimento do urânio, o que poderia ser utilizado para fins bélicos.
EUA e União Europeia condenam ataque militar
O governo dos EUA afirmou nesta terça-feira, 23, que o país "condena com veemência" o ataque da Coreia do Norte contra a ilha de Yeonpyeong, da Coreia do Sul, e que está "fortemente comprometido" com a defesa de Seul. A chefe da diplomacia da Uniçao Europeia, Catherine Ashton, também "condenou firmemente" o ataque, assim como os governos da Rússia e do Reino Unido.

Sul-coreanos observam perto da fronteira marítima a atingida ilha de Yeonpyeong.
"Os EUA estão fortemente comprometidos com a defesa de nosso aliado, a República da Coreia, e em manter a paz regional e a estabilidade", informa a nota emitida por Washington, referindo-se à Coreia do Sul por seu nome formal.
"Estamos em contato contínuo e próximo com nossos aliados coreanos", acrescenta a nota. "Os EUA condenam este ataque e pedem à Coreia do Norte que suspenda sua ação bélica e cumpra totalmente os termos do Acordo de Armistício".
O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, também condenou os disparos norte-coreanos contra a ilha sul-coreana. Lavrov pediu o fim das hostilidades na região, que enfrenta "um risco colossal de uma escalada da violência".
Uma fonte não identificada do Kremlin classificou as ações norte-coreanas como "inaceitáveis" e afirmou que a disputa na Península Coreana deve ser solucionada exclusivamente pelos meios diplomáticos.
O ministro de Relações Exteriores do Reino Unido, William Hague, condenou "energicamente" os disparos e afirmou que o episódio "só levarão ao acirramento das tensões na Península Coreana". "Exigimos que a Coreia do Norte abstenha-se dessas ações e cumpra o acordo de anistia intercoreano. Acolhemos o chamado do presidente sul-coreano Lee Myung-bak para a moderação do conflito", finalizou Hague.