O Bê-a-bá do Sertão

Medo da radiação de Fukushima provoca fuga da capital do Japão

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Nível de radioatividade não será problema em Tóquio, dizem autoridades. Empresas, moradores e turistas estão deixando a região, a 240 km de usina.

Tóquio(Japão) – Várias pessoas deixaram Tóquio e moradores permaneceram dentro de suas casas em meio a temores de que a radiação da usina nuclear de Fukushima 1, a 240 km dali, atingida pelo terremoto de sexta-feira(11Março2011) afete uma das maiores e mais densamente povoadas cidades do mundo.



Apesar das garantias do governo municipal de que os baixos níveis de radioatividade detectados até o momento na capital japonesa "não são um problema", moradores e turistas decidiram que permanecer na cidade era simplesmente arriscado demais.



Várias empresas retiraram seus funcionários de Tóquio, visitantes reduziram as férias e companhias aéreas cancelaram voos. A Administração de Aviação dos Estados Unidos informou que está se preparando para redirecionar rotas caso a crise nuclear se agrave. Aqueles que
permaneceram na capital japonesa estocavam alimentos e outros suprimentos, temendo os efeitos da radiação, que levou pânico à cidade de 12 milhões de habitantes.



No principal aeroporto da cidade, centenas de pessoas se enfileiravam, muitas delas com crianças, para embarcar em voos deixando o país. "Não estou
muito preocupado com um outro terremoto. É a radiação que me assusta", disse Masashi Yoshida, enquanto segurava a filha de cinco anos no aeroporto de Haneda.



Turistas, como a norte-americana Christy Niver, deram um basta. Sua filha Lucy foi mais enfática. "Estou apavorada. Estou tão apavorada que preferia
estar no olho de um tornado", disse. "Quero ir embora". Muitas lojas não tinham mais arroz, um produto essencial no Japão, e as prateleiras que tinham pão e macarrão instantâneo estavam vazias.



Cerca de oito horas depois de novas explosões acontecerem na u
sina, a agência meteorológica da ONU informou que os ventos estavam dispersando o material radioativo para o oceano Pacífico, distante do Japão e de outros países da Ásia.



A Agência Meteorológica Mundial, sediada em Genebra, informou, no entan
to, que as condições climáticas podem mudar. Alguns cientistas fizeram apelos para que a população de Tóquio mantenha a calma. "O material radioativo vai chegar a Tóquio, mas ele é inofensivo ao corpo humano porque ele se dissipará até chegar a Tóquio", disse Koji Yamazaki, professor da escola de ciência ambiental da Universidade de Hokkaido. "Se o vento ficar mais forte, isso significa que o material voará mais rápido, mas também que dispersará ainda mais no ar".

Reatores
O derretimento dos reatores nucleares japoneses atingidos pelo terremoto de sexta-feira(11Março2011) pode liberar radiação na atmosfera que causa desde queimaduras na pele até câncer, explica o engenheiro nuclear Aquilino Senra, da Universidade Federal do Rio de Janeiro(UFRJ). O risco de exposição da população, no entanto, é baixo. A Organização Mundial de Saúde(OMS) também afirmou que o perigo para a população é mínimo. Isso porque a área em torno da usina foi isolada.


   
O Japão foi atingido na sexta-feira(11Março2011) por um terremoto de 8,9 de magnitude(Observação: após a publicação desta reportagem, o Serviço Geológico dos Estados Unidos atualizou a magnitude para 9). O tremor afetou o fornecimento de energia elétrica, o que causou uma pane no resfriamento dos reatores. Segundo a Agência Internacional de Energia Atômica(AIEA), o risco de derretimento do núcleo, o pior acidente que pode ocorrer em uma usina, é “grande”.





Exposição

Se ocorrer o derretimento, três tipos de radiação serão liberadas no ambiente: alfa, beta e gama. “A radiação alfa não penetra no organismo, ela causa queimadura na pele”, explica Aquilino Senra. “As radiações beta e gama – principalmente a gamaentram no organismo e causam deformações celulares”, afirma, referindo-se à exposição aos raios.

Essas deformações, ao longo dos anos, podem levar a casos de câncer. “Podem, não devem. E isso varia de acordo com a distância da pessoa do local do acidente e a proteção que ela estiver usando”, explica. Essa radiação gama é a mesma usada em tratamentos de radioterapia, exatamente para combater o câncer. "Em baixas doses, ela destrói tumores",  afirma o especialista. "Em altas, pode causar dano celular que leva ao câncer".


Ionização

A radioatividade pode afetar a saúde principalmente de du
as formas. "O problema maior é que este tipo de radiação é ionizante, ou seja, é capaz de mudar a estrutura química das substâncias". Com isso, ela altera as características de substâncias comuns em nosso corpo. A partir da água, por exemplo, podem se formar radicais livres, que, em excesso, prejudicam o funcionamento do corpo.



Outra possibilidade é que a radiação nuclear afete
diretamente as células. A mudança na estrutura química dos elementos pode representar, por exemplo, a quebra da cadeia de DNA. A medicina atual ainda não sabe dizer se existe uma quantidade limite de radiação à qual o corpo deva ser exposto para que tais efeitos possam desenvolver o câncer.


Incorporação
A exposição aos raios não é o único risco ao qual o corpo humano está sujeito em relação à radioatividade. É ainda mais importante evitar que as pessoas incorporem material radioativo. A forma mais comum de isto acontecer e pela inalaç
ão de gases que se misturam à atmosfera depois de um vazamento. “O órgão não sabe o que é radioativo ou não, ele metaboliza o elemento químico”, explica Medeiros.



Um dos elementos que representa maior ameaça neste sentido é o iodo. O corpo humano precisa dele para que a tireoide funcione normalmente e tende a absorver as partículas de iodo radioativo que ficam suspensas no ar. Para evitar que isto ocorra, e
stão sendo dadas pílulas de iodo não-radioativo à população. Desta forma, o corpo fica saturado do elemento e, mesmo se ele for inalado na forma radioativa, não será absorvido.

Diferença da bomba
O derretimento de um reator nuclear não mata pessoas com
o uma bomba. O que mata mesmo na bomba nuclear não é a radiação. É a onda de choque, depois a onda de calor e por último a radiação.

 

A intensidade de material radioativo em uma bomba nuclear é muito maior, porque a energia dispendida é muito grande e não tem nenhuma barreira. Já um reator tem quatro barreiras contra a liberação de material nuclear no ambiente. Não é a mesma coisa.

Segundo especialistas, a retirada das pessoas de volta da área da usina já contém o risco para a saúde. Quem está fora da área isolada não corre perigo.


Mortes

A Polícia Nacional do Japão informou nesta segunda-feira(21Março2011) que as mortes confirmadas pelo terremoto e tsunami do último dia 11 chegou a 8.805, em 12 prefeituras. Outras 12.654 pessoas ainda estão desaparecidas em seis prefeituras.

Diante a extensão dos danos causados pelo tremor de magnitude 9 e as ondas gigantes que a seguiram, as autoridades japonesas ainda buscam por possíveis sobreviventes nos escombros do leste do país. A polícia identificou 4.080 corpos, segundo a agência de notícias Kyodo, dos quais 2.990 foram entregues às famílias.



Dez dias após o tremor, cerca de 320 mil deslocados, incluindo as pessoas que fugiram da zona da usina nuclear de Fukushima, ainda estão nos cerca de 2.100 abrigos improvisados em 16 prefeituras.

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