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Polícia prende acusados de matar travesti com 32 facadas em Campina Grande

Tempo de leitura: 7 minutos


Campina Grande(PB) – A polícia prendeu, nesse domingo(17Abril2011) dois homens e apreendeu um menor de 17 anos acusados de assassinar o travesti Daniel de Oliveira Felipe, de 24 anos, também conhecido pelo nome de Inete.

Daniel foi morto com cerca de 32 golpes de faca às 04h27m da madrugada da última sexta-feira(15Abril2011), na esquina das ruas Presidente João Pessoa com a Rua Índios Cariris, em pleno centro comercial de Campina Grande(PB).

A polícia chegou até os acusados através das imagens capturadas pelas câmeras de segurança e de monitoramento da Central Integrada da STTP. Com eles os policiais encontraram duas facas. O adolescente foi quem desferiu os golpes de faca. Ele teria confessado o crime. O menor informou à polícia que o crime aconteceu porque Daniel teria roubado a quantia de R$ 800,00 dele.

As imagens da violência tiveram repercussão nacional nesse domingo(17Abril2011), ao serem reproduzidas pelo programa Fantástico, da Rede Globo e no Jornal Hoje desta segunda-feira(18Abril2011).

O Crime
Na madrugada da última sexta-feira(15Abril2011), na rua João Pessoa, no Centro da cidad de Campina Grande(PB), mais um assassinato foi registrado na cidade de Campina Grande. Um jovem, de apenas 24 anos, que ganhava a vida fazendo programas sexuais como travesti, foi brutalmente assassinado com 32 golpes de faca peixeira. O crime, aconteceu em pleno Centro da cidade e segundo testemunhas, foi praticado por quatro homens que ocupavam um veículo dCelta GM de cor preta. Familiares de Daniel de Oliveira Felipe, de 24 anos, conhecido pelo nome de Inete, confirmaram que ele era viciado em drogas.

De acordo com as informações repassadas pela Polícia Civil, o crime aconteceu por volta das 04h30m, em uma das esquinas das ruas Presidente João Pessoa e Índios Cariris, em pleno centro comercial de Campina Grande(PB). Daniel estava deitado em um lençol na calçada de uma loja de peças automotivas, como fazia todos os dias, quando foi surpreendido pelo grupo de bandidos.

Os três homens chegaram no local em um veículo Chevrolet Celta, de cor preta e placas até agora não identificadas. Apenas a chegada do automóvel foi registrada pelas câmeras de monitoramento da Central Integrada da STTP, no entanto, devido às falhas no sistema de captação, sequer as placas puderam ser identificadas corretamente.

Travestis que acompanham Daniel informaram à Polícia Militar que viram um carro preto se aproximar do jovem, que utilizava a rua como ‘ponto‘ de programas. No veículo estariam quatro homens. Eles desceram, iniciaram uma discussão e agrediram Daniel.

Outras pessoas que passavam de carro viram o jovem ferido no chão com marcas de facadas pelo corpo e ainda ligaram para o Samu, mas ele não resistiu aos ferimentos e morreu antes de ser levado para o hospital.

Segundo o relato de algumas testemunhas, que estavam no local no momento do crime, dois dos bandidos teriam segurado o travesti, enquanto que o terceiro seria o responsável pelos golpes. No total, de acordo com o laudo preliminar do Instituto de Polícia Científica(IPC), foram 32 golpes de faca peixeira aplicados contra o tórax da vítima que morreu no local. Daniel de Oliveira morava com a família, em Campina Grande(PB).

Veja matéria exibida para todo o Brasil pelo Programa Bom Dia Brasil da TV Globo:

As imagens obtidas com exclusividade e divulgadas nacionalmente no Fantástico, da Rede Globo, mostram o momento em que o homossexual chega à rua João Pessoa, no Centro da cidade, com um grupo de amigos. Em seguida, um carro preto se aproxima do cruzamento com a rua Índios Cariris.

Três homens descem do veículo e surpreendem o travesti, que corre na tentativa de fugir, mas é derrubado. Já no chão, Daniel tenta se defender dos ataques em vão. Ele é atingido por cerca de 32 facadas, desferidas por duas pessoas, enquanto um terceiro jovem dá apoio aos assassinos. Uma quarta pessoa permanece no carro esperando para empreender a fuga.

Morte por vingança
A Polícia Civil descartou a hipótese de homofobia no assassinato de um travesti em Campina Grande. A delegada responsável pelas investigações do caso, Cassandra Duarte, concedeu uma entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira(18Abril2011) expondo detalhes do depoimento do menor de idade, que assumiu a autoria do crime.

Em entrevista coletiva prestada na manhã desta segunda-feira(18Abrl2011), a delegada Cassandra Duarte também apresentou o irmão do adolescente. O comerciante Antônio Pereira da Silva, conhecido como Naldo, de 42 anos, é acusado pela Polícia Civil de ter ajudado a esfaquear o jovem. Segundo ela, o menor de idade disse ter sido o mentor intelectual do crime.

"Ele agiu com o intuito de se vingar porque teve R$ 800 roubados pelo homossexual cinco dias antes, quando negociava um programa com uma prostituta, que era agenciada por Daniel. Não há nenhum vestígio de que o crime tenha sido planejado pelo fato da vítima ser homossexual", revelou a delegada Cassandra Duarte. O valor, segundo ele, era relativo ao apurado da noite na lanchonete da família. "Eu questionei porque ele não procurou a Polícia e prestou queixa, e ele disse que queria se vingar", complementou.

Ainda segundo a delegada Cassandra Duarte, o rapaz confessou tudo com tranquilidade e frieza. Polícia Civil também informou que o menor de idade e a vítima se conheciam, já teriam morado na mesma rua, e que o adolescente sabia onde o travesti trabalhava.

De acordo com a família de Daniel, ele revelou que estava sendo perseguido nos últimos dias por um carro preto. O jovem se prostituía três vezes por semana, desde os 16 anos de idade na rua João Pessoa, no Centro.

O travesti de 24 anos, assassinado com 32 facadas às 04h27m da madrugada desta sexta-feira(15Abril2011), em Campina Grande, teria furtado R$ 800 de um cliente durante um programa sexual. "Essa teria sido a motivação para o crime. A morte foi por vingança", disse o delegado Wagner Dorta, responsável pela apuração do caso.


Polícia acusa irmão de ter ajudado no crime

Acusado de ser coautor do crime, Antônio Pereira da Silva, conhecido como Naldo, é irmão do adolescente e dono de um trailer de lanches no Açude Novo. Ele foi apresentado à imprensa, mas recebeu orientações de seus advogados para não se pronunciar.

Apesar disso, ele demonstrou insatisfação durante a coletiva e chegou a negar, brevemente, qualquer envolvimento com o caso. Ele negou que o carro usado no crime fosse seu e que as armas apreendidas estivessem em sua casa. O advogado de defesa de Naldo, Cláudio Silva, informou que vai solicitar uma perícia das imagens para comprovar que seu cliente não participou da execução.

Durante a coletiva, o delegado regional Wagner Dorta apresentou armas supostamente utilizadas no assassinato: dois facões ainda com marcas de sangue. Ainda foi mostrada uma espingarda calibre 12 que teria sido apreendida na casa de Naldo, e um fio de cabelo que seria da vítima. Todo o material será submetido a uma perícia.

Destino dos acusados
O adolescente será encaminhado para um abrigo provisório em Campina Grande. Já o comerciante, que teve mandado de prisão preventiva expedido, foi indiciado por homicídio e será transferido ainda nesta segunda-feira para o Presídio do Serrotão, onde aguardará o defecho das investigações. Duas pessoas que também aparecem nas imagens do crime ainda são procuradas pela Polícia Civil. Eles foram identificados apenas pelos pré-nomes, que não foram revelados.


A AHCG(Associação dos Homossexuais de Campina Grande/PB), emitiu nota de pesar pelo bárbaro crime. Confira abaixo:


Nota de Pesar : Inete – Daniel de Oliveira Felipe

A Associação dos Homossexuais de Campina Grande-PB – AHCG – expressa seu profundo pesar pelo falecimento recente de Daniel de Oliveira Felipe(Inete).

À familia enlutada, a AHCG em nome de todos os seus associados envia os mais profundos votos de pesar e consternação, desejando que Deus em sua infinita bondade e misericórdia, dê aos familiares o consolo necessário para que possam seguir em frente.

AHCG
Associação dos Homossexuais de Campina Grande(PB).

* Redação com G1.

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