Governador Ricardo Coutinho recebeu relatórios da Defesa Civil e disse que deve pedir apoio do governo federal.
João Pessoa(PB) – A chuva que castiga toda a Paraíba faz milhares de pessoas, em diversas cidades, reviverem um cenário de casas devastadas, alagadas, móveis e eletrodomésticos destruídos, animais mortos e pessoas abandonando suas casas. O governador Ricardo Coutinho decretou no início da noite de ontem situação de emergência em áreas de 13 municípios da Paraíba afetados por enchentes, que atingem cerca de 1.460.000 pessoas. Os municípios são: Arara, Areia, Barra de Santana, Bayeux, Campina Grande, Ingá, Mogeiro, Itabaiana, Natuba, Pilar, Salgado de São Félix, Santa Rita e João Pessoa.
A decisão do governador foi tomada após relatório emitido pela Secretaria de Infraestrutura, através da Gerência da Defesa Civil estadual e assinado pelo secretário Efraim Morais. De acordo com o documento, já foram contabilizadas 2.310 pessoas desalojadas e 955 desabrigadas.
De acordo com relatório emitido no final da tarde e entregue ao governador, os 13 municípios já têm 58 casas destruídas e 455 danificadas, afetando mais de 3.800 pessoas. Dez prédios públicos já estão ocupados por desabrigados, 180 km já foram afetados e, segundo o relatório, a PB-082 de acesso a Natuba está interditada. Açudes, bueiros, pontilhões e passagens molhadas também foram afetadas pelas chuvas.
As águas do rio têm sido a principal fonte de destruição nas últimas chuvas registradas, com destaque para Santa Rita e Bayeux, afetadas mesmo sem o registro de grandes temporais. Os responsáveis são os açudes de Acauã e Boqueirão, que registraram aumento de sua lâmina de sangramento em cerca de dois metros acima do muro. O fato acarretou uma enxurrada de água ao longo de cerca de 200 km do Rio Paraíba. Segundo dados da Aesa, 26 açudes no Estado estão sangrando, mas não oferecem risco de rompimento.
Na cidade de Santa Rita ao menos 60 famílias estão desabrigadas e dezenas estão deixando suas casas com medo da inundação. O governador da Paraíba, Ricardo Coutinho(PSB), esteve no local ontem e decretou estado de emergência naquele município. Em Santa Rita, os bombeiros foram acionados para socorrer cinco pessoas que ficaram ilhadas em virtude das chuvas. Para muitos, o dia de ontem foi de contabilizar e tomar atitudes preventivas para amenizar os efeitos da cheia. A aposentada Lenira Gomes não esperou a água avançar e se apressou em deixar a casa onde mora para ir buscar abrigo na casa da irmã. "A água já está no meu quintal e mais uma chuva que cair ela entra na minha casa e eu perco meus móveis", disse.
A Praça Getúlio Vargas, em Santa Rita, também amanheceu coberta de água e as casas nas proximidades da praça também foram invadidas. Além das chuvas, a defesa civil explicou que o aumento do nível do Rio Paraíba aumenta mesmo sem chuvas no município em virtude dos açudes de Boqueirão e Acauã, que estão sangrando. Moradora das margens do Rio Paraíba, nas imediações da Praça Getúlio Vargas, a dona de casa Gervásia Ferreira se nega a sair de casa, mas teme o que pode acontecer com sua residência. Segundo a dona de casa, atitudes preventivas como subir alguns eletrodomésticos já foram tomadas para evitar danos.
Em Bayeux, cidade vizinha a Santa Rita, a situação não é diferente. Só na comunidade Casa Branca, 196 residências foram alagadas, deixando os moradores desabrigados. Em diversos trechos havia pessoas tentando salvar móveis de casas alagadas. A aposentada Silvana Cordeiro foi vítima pela primeira vez das inundações e relata o susto que teve. "Eu estava dormindo quando me avisaram que água já estava inundando o meu quintal. Eu só me apressei em subir a geladeira, mas não imaginei que fosse entrar na minha casa", relatou.
* O Norte.
