João Pessoa(PB) – Na Paraíba os projetos de Arranjos Produtivos Locais(APLs), têm gerado renda para centenas de famílias de pequenos empreendedores. Para contribuir com o sucesso de inúmeros projetos há diversos parceiros no âmbito dos governos estadual e federal. São agentes multiplicadores que capacitam e financiam empreendedores em geral agrupados em associações ou cooperativas.
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, os APLs começaram se desenvolver no final dos anos 1990. Este processo tem modificado a realidade econômica de comunidades rurais e de empreendedores em áreas urbanas. Arranjos Produtivos Locais são grupos de empresas de um mesmo território mantêm vínculos de articulação, interação, cooperação e aprendizagem entre si e com outros atores locais. Esses atores são o governo, associações de trabalhadores, empresariais, instituições de crédito, ensino e pesquisa.
Mel
A Associação dos Apicultores do Município de Salgado de São Félix é um projeto de Arranjos Produtivos Locais que é referência na Paraíba. A entidade está em fase de se tornar cooperativa para dispor de selo federal(SIF). Hoje as 44 famílias de apicultores vendem por ano 45 toneladas de mel. Fundada em 2005 e registrada em 2006, teve o incentivo e apoio da Emater local. No começo eram treze sócios, 200 colméias e produção estimada de 5.000 kg/ano de mel. No ano de 2007 foram elaborados pela Emater 26 projetos do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar(Pronaf). O investimento pelo Banco do Nordeste para os sócios, foi de R$ 137.000,00, em equipamentos e materiais para aumentar a produção; nesse momento haviam 1.080 colméias. Houve a capacitação de 26 sócios em introdução, manejo e produção na apicultura. A parceria foi da Emater com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural(Senar-PB).
Em 2008 concretizou-se o primeiro projeto do Programa de Aquisição de Alimentos(PAA), da Companhia Nacional de Abastecimento(CONAB), para vinte e seis sócios, no valor de R$ 96.000,00, com a venda de 14.000 kg/ano de mel. A Conab paga por um quilo de mel R$ 6,50. No ano de 2009 aconteceu a elaboração de 17 projetos do Pronaf, com investimento no BNB de mais 600 melgueiras e equipamentos para aumento da produção. Nos anos seguintes surgiram mais oportunidades de investimentos.
Agora em 2011 está em curso o projeto PAA/Conab e Programa Nacional de Alimentação Escolar(Pnae), para produção de bolos a base de mel, no valor de R$ 120.000,00. Em projeto a construção de um entreposto de mel na comunidade Dois Riachos, com Serviço de Inspeção Federal. Em fase de implantação o projeto foi aprovado no Banco Mundial APL/COOPERAR. Serão construídas ainda duas casas de extração de mel. Em fase de elaboração projeto de cozinha industrial para produção de bolos, pelo Sebrae.
O presidente da associação, Virgínio Félix Alves Filho, faz questão de ressaltar o apoio fundamental dos parceiros: Conab, BNB, EMATER, Senar, Sebrae, Projeto Cooperar, Emepa. De acordo com Virgínio na associação também há sócios dos municípios de Mogeiro, Itatuba, Itabaiana e em breve São José dos Ramos e São Miguel de Taipu.
De acordo com a Agência Sebrae de Notícias a Paraíba terá mais uma unidade de beneficiamento de mel. O equipamento vai atender apicultores do município de Poço José de Moura, no Alto Sertão. A unidade vai realizar a extração e a preparação básica do mel para comercialização dos produtos.
Entre os anos de 2004-2009 o mel produzido na Paraíba teve crescimento exponencial de 273,2% e o mercado do mel já é uma oportunidade de negócios para pequenas cooperativas do Brejo, Curimatau, Seridó, Sertão e Mata Paraiana. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE) registra que a produção de mel em 2004 era de 73 mil quilos e em 2009 saltou para 272,5 mil quilos. Catolé do Rocha é responsável por 50% do mel produzido na Paraíba. Em 2009, o valor comercializado atingiu R$ 1,142 milhão. Mais informações no Sebrae Paraíba pelo telefone (83) 2108.1218 e no portal www.pb.agenciasebrae.com.br.
APLs na Capital
Em João Pessoa o Sebrae atua em cinco projetos na área de Arranjos Produtivos Locais(APLs), nos ramos de supermercados, indústria de móveis, hortaliças, tecnologia da informação e salão de beleza. Edílson Azevedo, gerente regional da Agência de João Pessoa, ressalta que o objetivo do trabalho do Sebrae é tentar agrupar esses pequenos empreendimentos no sentido da própria cultura cooperativa e formação de centrais de negócios.
Com a gestão financeira dos negócios, a tecnologia e inovação dos processos, vão sendo criados canais de distribuição com o olhar para o mercado, visando otimizar seus negócios para que todos envolvidos se desenvolvam no mercado que cada vez mais se torna competitivo.
Móveis Planejados
Há nove anos o empreendedor Edineuto Mateus de Sousa, depois de trabalhar no ramo de móveis, decidiu investir em seu próprio negócio. Criou a Moverarty – Móveis Planejados. Sua empresa fabrica e vende móveis a partir de encomendas. A fábrica funciona no bairro do Geisel, e a loja fica no bairro de Tambiá, av. Desembargador Botto de Menezes, 172.
Hoje Edineuto emprega quinze pessoas e está em entendimento com a Cinep – Companhia de Desenvolvimento da Paraíba para construir um galpão e ampliar sua fábrica. Edineuto afirmou que a empresa está crescendo e não tem faltado clientes.
O apoio do Sebrae veio quatro anos depois do surgimento de seu projeto. A Moverarty tem participado de feiras de móveis no Nordeste e até no Sudeste. Há reuniões quinzenais no Sebrae. Edineuto fabrica móveis para cozinhas, quartos, e demais ambientes residenciais.
Horticultura
No caso da horticultura, Edílson Azevedo lembra que tradicionalmente as famílias rurais tem a visão de plantar pela subsistência. O grande desafio do Sebrae é transformar essa visão numa cultura de negócio, além do cultivo de subsistência.

Com um volume maior de produção eles passam a ocupar outros membros da família e até terceiros gerando um adicional dentro da atividade rural até então não experimentado. Um exemplo de sucesso desse projeto é uma comunidade no município de São Miguel de Taipú, onde a média da renda familiar já é de 2,5 salários mínimos. Todo esse trabalho envolve o produto orgânico.
Mais APLs
Na área de mercadinhos Edílson Azevedo revela que, com a formação das centrais de negócios os empreendedores passam a comprar de forma coletiva e isto faz cair o custo de comercialização tendo como conseqüência melhoria na margem de lucro.
As pessoas interessadas em trabalhar com arranjos produtivos locais podem procurar apoio nas agências do Sebrae em João Pessoa, Patos, Sousa, Pombal, Cajazeiras, Guarabira, Araruna, Campina Grande e Monteiro. O Sebrae de Guarabira orienta um outro projeto de grande sucesso no Brejo, a produção de flores em Pilões. A cooperativa é formada por 21 mulheres. Elas criaram a Cooperativa de Floricultores do Estado da Paraíba(Cofep). Por mês as associadas faturam R$ 60 mil com a venda de 3 mil pacotes de flores.
De acordo com Joelma Varelo dos Santos, engenheira agrônoma, consultora e instrutora em agricultura orgânica e membro da CPOrg-PB – Comissão da Produção Orgânica da Paraíba junto à Superintendência Federal de Agricultura, os principais produtos cultivados nas referidas comunidades são: hortaliças, inhame, batata doce, macaxeira(todas também são hortaliças) feijão verde, frutas, dentre outros. Joelma revela que parte dessa produção é comercializada em feiras de produtos orgânicos nos próprios municípios e outros em feiras convencionais.
PAIS
Um outro projeto de produção orgânica do Sebrae é o PAIS – Produção Agroecológica Integrada e Sustentável. Ele é desenvolvido em parceria com a com Fundação Banco do Brasil, MDS, MDA, dentre outros.
É um projeto a nível nacional, sendo que na Paraíba está em mais de 30 municípios, com mais de 300 unidades implantadas, envolvendo assim mais de 300 famílias. Possui os mesmos objetivos que o de Horticultura Orgânica da Zona da Mata.
Projetos com apoio do Governo Estadual
33 projetos na área de Arranjos Produtivos Locais(APLs) estão em andamento. De acordo com Roby Tabolka dos Santos, Mestre em Engenharia Agrícola e engenheiro florestal, revelou que o Edital APLs envolve as Secretarias do Turismo e Desenvolvimento Econômico(SETDE) e Secretaria do Desenvolvimento da Agropecuária e a Pesca(SEDAP), com participação da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural(EMATER) e Projeto Cooperar.
Os projetos envolverão atividades em diversos municípios paraibanos abrangendo todas as regiões do Estado, nos ramos de artesanato, apicultura, mineração, beneficiamento de couro, algodão orgânico, mandioca, leite, polpa de frutas, hortifrutigranjeiros, confecções, bordados, além de mariscos, frigorífico, criação de frangos, piscicultura, dentre outras áreas de produção.
A EMATER trabalhará com 18 dos 33 projetos de APLs. A Cooperativa dos Citricultores de Matinhas e Região vai instalar uma Packing House para limpar, selecionar e embalar laranjas tangerinas, de qualidade vendidas no mercado regional e nacional.