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Pernambuco fará monitoramento do nível do mar

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Recife(PE) – A fim de investigar os efeitos das mudanças do clima no avanço do nível do mar, será instalado no arquipélago de Fernando de Noronha, a partir de amanhã(04Novembro2011), equipamento capaz de fazer o respectivo monitoramento(Marégrafo). Através desta ação, o Estado também se qualifica para realizar pesquisas que permitirá desenvolver prognósticos capazes de identificar o comportamento futuro do nível do mar.

A iniciativa é do Laboratório de Meteorologia de Pernambuco(Lamepe), em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais(Inpe) e a Universidade Federal de Pernambuco(UFPE). A ação integra as metas do Projeto Estudo das Mudanças Climáticas e seus Efeitos em Pernambuco(Muclipe). O projeto foi aprovado pela Financiadora de Estudos e Projeto(Finep), do Ministério de Ciência e Tecnologia.

De acordo com a coordenadora do Lamepe, Francis Lacerda, que também coordena do Muclipe, os dados coletados serão introduzidas em modelos computacionais oceânicos, que serão calibrados a partir da realidade do comportamento do oceano adjacente à costa do Estado, para, juntamente com os cenários futuros do clima regional, indicar qual será o comportamento futuro. “Através dessa correlação será possível identificar a evolução do nível do mar para 2020, 2030, 2040 e 2050 na costa pernambucana”, informa.

A pesquisadora explica que quanto mais gás carbônico é liberado na atmosfera, mais se aumenta o nível do mar. A relação é direta porque os oceanos são sumidouros de CO² e, quanto mais absorvem, mais se expandem. “Eles capturam 50 vezes mais que as florestas tropicais”, conta. Ela ressalta que os oceanos possuem capacidade de absorção de cerca de 50% de todo CO² liberado no planeta. Francis destaca ainda que os oceanos são os moduladores naturais do clima, logo, mudanças em seu padrão altera diretamente o clima. “Portanto, os eventos extremos também aumentarão”, informa.

Dessa forma, a ação de monitoramento do nível do mar é estratégica para o Estado, sobretudo, devido à vulnerabilidade de sua população costeira. Segundo dados divulgados pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade(SEMAS), a densidade populacional da costa pernambucana é a maior do Brasil, com 913 hab/Km², superando inclusive, o estado do Rio de Janeiro, com 806 hab/Km². “Neste contexto, a iniciativa do Muclipe visa colaborar cientificamente para refletir uma realidade climática e oceânica das próximas décadas, a fim de colaborar para subsidiar os tomadores de decisão na elaboração de políticas públicas relacionadas”, diz Francis.

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