O Bê-a-bá do Sertão

Prossegue busca por sobreviventes no Cruzeiro italiano que naufragou na Itália

Tempo de leitura: 11 minutos


O cruzeiro italiano que naufragou sexta-feira era visto como templo do luxo e do bem-estar.

O navio de cruzeiro Costa Concordia, que naufragou na noite da última sexta-feira(13Janeiro2012) no litoral da Toscana, abalroou rochas subaquáticas, devido aos seus 8 metros de calado, na costa da Isola del Giglio, era o orgulho do armador italiano Costa, que tinha transformado o palácio flutuante – do tamanho de três campos de futebol – em um templo dedicado ao bem estar e à diversão.

O acidente causou pelo menos 6 mortos. Segundo comunicado do armador, o navio bateu num banco de areia. Todavia, fotos do local deixam claro que a embarcação bateu em rochas, ficando um pedaço de rocha preso ao casco rompido do navio. Após o acidente, o navio encontrava-se cerca de dois terços dentro de água, adernado para estibordo(para o seu lado direito, olhando no sentido popa-proa).



Após um solavanco e um apagão, o comandante comunicou que havia uma avaria no gerador e que em breve a energia seria restabelecida, mas logo solicitou à tripulação que colocasse os coletes e deixasse o navio, o que provocou grande pânico, levando as vítimas a atirarem-se ao mar.



Para manobrar e manter esse gigante dos mares, o transatlântico Costa Concordia possuia uma  lotação para cerca de 4890 pessoas(3780 passageiros e 1110 tripulantes), distribuídos por 1.500 camarotes – dos quais 505 com varanda privativa -, além de 70 suítes de luxo. Foi construído pelo Fincantieri – Cantieri Navali Italiani S.p.A., em Trieste. Operado pela companhia italiana Costa Crociere S.p.A., pertence ao grupo de navios da "Classe Concordia", destinado a cruzeiros.  O navio di
spõe de 26 botes salva-vidas localizados no deck 4 e 5 desmontáveis localizados no deck 1.


Para alimentar toda essa gente, tinha cinco restaurantes, entre eles o exclusivo Club Concordia, onde só havia mesas reservadas para uma clientela de alto nível. E nada menos que 13 bares, todos temáticos, com nomes sugestivos como “Conhaque puro” ou “Café Chocolate”.



Como um Titanic dos tempos moderno, o Costa Concordia acumulava superlativos. A nave capitânia da frota Costa desde seu lançamento, em 2006, também era o maior navio já construido na Itália: 290 metros de comprimento e 38 de largura.

Mas foi sobretudo por seus serviços dedicados ao bem-estar que o navio ganhou fama. Eram cinco jacuzzis, quatro piscinas com cobertura, quadras de esporte, pistas de corrida ao ar livre. Um dos destaques era o Samara Spa, apresentado oficialmente como o maior centro de cuidados e estética corporal já instalado a bordo de um navio.

Os passageiros tinham ainda a sua disposição um teatro de três pavimentos, cinemas, um cassino e ainda uma discoteca. Havia também biblioteca e diversas lojas a bordo. Do ponto de vista técnico, o navio de 112 mil toneladas estava equipado com dois motores de potência equivalente 21 MW, o que o permitia navegar a uma velocidade máxima de 23,2 nós. Com uma velocidade de cruzeiro de 19,6 nós, o Concordia tinha uma autonomia de 10 a 14 dias.

Entre os supersticiosos, no entanto, esse palácio flutuante estava marcado pelo destino: no dia de sua inauguração, a garrafa de champanhe tradicionalmente lançada contra o casco não arrebentou.


O Costa Concordia teve um primeiro acidente em 2008, em Palermo. Ao entrar no porto, durante uma forte tempestade, o barco foi arrastado pelo vento. O choque deixou uma fissura na proa. Ninguém ficou ferido.


Resgate e buscas
As autoridades italianas retomaram nesta segunda-feira(16Janeiro2012) as operações de busca por 29 desaparecidos no naufrágio do transatlântico "Costa Concordia", em frente à ilha italiana de Giglio, após a melhora das condições climáticas.

Segundo a Guarda Costeira italiana, quatro tripulantes e 25 passageiros ainda estão desaparecidos, três dias depois do acidente com o transatlântico italiano Costa Concordia, que encalhou na costa da Toscana. O número de desaparecidos, que era de 15 anteriormente, foi revisto para cima pelo comandante da Guarda Costeira, Marco Brusco, que recebeu um relatório da administração local. A estimativa anterior não tinha levado em conta 10 alemães que ainda eram tidos como desaparecidos nesta segunda.



Brusco afirmou que "ainda há áreas(do navio) a examinar" e que "um fio de esperança permanece" de encontrar outros sobreviventes do naufrágio. Mais cedo, o porta-voz dos bombeiros, Luca Cari, anunciou a retomada das operações de salvamento, após uma interrupção de três horas devido ao mau tempo. "Retomamos as operações de busca depois de termos verificado que o barco está estável", disse Cari, ressaltando que o vento cessou, parou de chover e o mar está mais calmo.


O temor é que o barco deslize e caia dos 37 metros de profundidade em que está tombado para uma fossa de 70 metros, onde ficaria completamente submerso, o que acabaria com as esperanças de poder encontrar com vida algum dos desaparecidos. "Nossa esperança é que tenha sido criada no barco alguma bolha de ar", afirmou o prefeito de Giglio, Sergio Ortelli.

As equipes resgataram três pessoas 36 horas depois do acidente. O naufrágio deixou até agora um registro de seis mortos, entre eles quatro turistas, dois franceses, um italiano e um espanhol, assim como um peruano da tripulação.

A sexta vítima foi localizada a bordo do barco na madrugada desta segunda-feira(16Janeiro2012), mas não foi identificada devido ao fato de não ter sido retirada do navio. As equipes de resgate estão encontrando muita dificuldade na busca pelas vítimas devido ao tamanho gigantesco do navio.


Ainda nesta segunda-feira(16Janeiro2012), o chefe da empresa proprietária do navio, afirmou que o capitão da embarcação, Francesco Schettino, quebrou as regras em um erro "inexplicável". Foschi afirmou que o percurso que o capitão decidiu seguir era "sua própria iniciativa, contrária às regras escritas da empresa". "Ele realizou uma manobra que não tinha sido aprovada por nós e nos dissociamos de tal comportamento", acrescentou.

No entanto, ele afirmou que o fator humano neste episódio era inexplicável. Foschi também pediu prudência antes de julgar as ações do capitão após o desastre, afirmando que existem "testemunhas confiáveis que comprovaram que ele que ficou a bordo muito tempo". A Costa Crociere, maior operadora europeia de cruzeiros, afirmou em um comunicado no domingo que, aparentemente, Schettino havia "cometido erros de julgamento que tiveram sérias consequências".

"Se tivesse ocorrido um problema técnico, o alarme teria soado", disse Foschi. "Não houve problema com a segurança no navio. Ele tem características de segurança ultra-seguras". Ele previu ainda que a empresa irá passar por um período difícil como resultado do desastre, mas acredita que sua reputação será restaurada. "Há um milhão de clientes fiéis que nos apoiam", disse ele, citando mensagens de solidariedade de ex-passageiros.


Ao estimar o custo imediato e direto do acidente em 93 milhões de dólares, afirmou que a empresa tem bases sólidas financeiramente, acrescentando: "Temos 24 mil funcionários para proteger". "Não há dúvida sobre mudar o nome da empresa ou as suas perspectivas", disse, descartando qualquer impacto em longo prazo na indústria de cruzeiros.

Em relação ao Costa Concordia, Foschi afirmou que ainda não sabe se ele sofreu uma "perda total" ou se poderá ser recuperado para voltar ao serviço. Por outro lado, ainda em termos de perdas, o ministro italiano do Meio Ambiente, Corradio Clini, afirmou que a ilha italiana de Giglio corre um "alto" risco de desastre ecológico e pediu uma "intervenção urgente" para evitar que sejam derramadas as 2.380 toneladas de combustível transportadas pela embarcação encalhada.


"Toda a região corre alto risco", ressaltou o ministro, após lembrar que o arquipélago da Toscana, formado por sete ilhas, é uma das regiões mais protegidas e delicadas da Itália e desde 1996 é o maior parque marinho da Europa. "Tudo depende das correntes, a ilha, talvez todo o arquipélago, e a costa estão ameaçados", acrescentou.

Relembre os principais naufrágios ocorridos em tempos de paz nos últimos cem anos.


15/04/1912 – CANADÁ
O transatlântico Titanic afunda na sua viagem inaugural, na costa da província de Newfoundland, depois de bater em um iceberg. O navio – que era considerado "inafundável" antes da estreia – levava 2.228 passageiros, dos quais 1.523 morreram.

29/05/1914 – CANADÁ
Pelo menos 1.102 pessoas morrem na colisão do navio de passageiros The Empress of Ireland com um cargueiro norueguês no rio São Lourenço, no Canadá. Ele transportava 1.057 passageiros e 420 tripulantes.


25/10/1927 – BRASIL
O luxuoso transatlântico italiano Principessa Mafalda pega fogo e afunda na costa brasileira, durante o trajeto entre Cabo Verde e o Rio, levando 971 passageiros e 288 tripulantes. Mais de 300 pessoas, incluindo muitos imigrantes italianos, morrem.


31/01/1953 – REINO UNIDO
O Princess Victoria afunda durante uma forte tempestade entre a Escócia e a Irlanda do Norte. Pelo menos 133 pessoas morrem.


29/10/1955 – UNIÃO SOVIÉTICA
O Novorossiysk, nave-mãe da esquadra soviética no mar Negro, explode, vira e afunda quando fundeado perto da costa, em Sebastopol. Os 609 tripulantes morrem.


25/07/1956 – ESTADOS UNIDOS
O navio sueco Stockholm e o italiano Andrea Doria colidem a 45 milhas da ilha de Nantucket, nos EUA. O Stockholm perde cinco tripulantes; o Andrea Doria afunda, causando a morte de 45 dos 1.134 passageiros.

22/04/1980 – FILIPINAS
A balsa Don Juan, que ia de Manila para Bacolod, afunda no estreito de Tablas, perto da ilha de Mindoro, depois de se chocar com a barcaça Tacloban City. Pelo menos mil pessoas morrem.

31/08/1986 – UNIÃO SOVIÉTICA
O Almirante Nakhimov, um navio de passageiros, colide com o cargueiro Pyotr Vasev nos arredores do porto de Novorossiysk, no mar Negro. Entre passageiros e tripulantes há 423 mortos.

6/03/1987 – REINO UNIDO
A balsa Herald of Free Enterprise, que transportava veículos através do canal da Mancha, aderna e afunda logo depois de zarpar do porto belga de Zeebrugge. O barco levava 463 passageiros e tripulantes quando partiu ainda com as portas traseiras abertas. O acidente deixou 193 mortos.

20/12/1987 – FILIPINAS
Na pior tragédia marítima já registrada em tempos de paz, a balsa Dona Paz afunda após colidir com o navio-tanque Vector no mar de Sibuyan, matando 4.375 pessoas na balsa e 11 dos 13 tripulantes do Vector.

11/04/1991 – ITÁLIA
A balsa Moby Prince abalroa o navio-tanque Agip Abruzzo, que estava ancorado, num acidente que mata 140 pessoas. Apenas um tripulante do Moby Prince sobrevive.

15/12/1991 – EGITO
O Salem Express bate em um recife nos arredores do porto de Safaga, no mar Vermelho, causando a morte de 464 pessoas.

28/09/1994 – ESTÔNIA/FINLÂNDIA
No pior desastre marítimo da Europa em tempos de paz, 852 pessoas morrem afogadas no naufrágio do navio Estonia, que naufragou com 989 ocupantes a bordo da ilha finlandesa de Utoe, no trajeto Tallinn-Estocolmo.


2/12/1994 – ITÁLIA

O luxuoso navio de passageiros Achille Lauro afunda a cerca de 250 quilômetros da Somália, mais de dois dias depois de pegar fogo. O navio havia sido sequestrado em 1985 por palestinos que mataram um passageiro judeu-americano, o cadeirante Leon Klinghoffer, e atiraram seu corpo ao mar.

3/02/2006 – EGITO
A balsa Al Salam Bocaccio 98, indo de Duba(Arábia Saudita) para Safaga(Egito), naufraga a 90 quilômetros do destino, depois de um incêndio no deque dos carros. Dos 1.414 ocupantes, 1.026 morrem.

21/6/2008 – FILIPINAS
O navio misto(carga e passageiros) Princess of the Stars afunda na província de Romblon, na região central das Filipinas, após ser atingido por um tufão. Acredita-se que apenas 52 das 825 pessoas a bordo sobreviveram.

13/01/2012 – ITÁLIA
O Costa Concordia(Foto abaixo), navio de cruzeiro com 114,5 mil toneladas, construído apenas seis anos antes, atinge pedras e tomba com 4.229 passageiros e tripulantes a bordo.

Sair da versão mobile