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Paraíba investe na melhoria genética de ovinos e caprinos

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João Pessoa(PB) – Nesta sexta-feira(03Fevereiro2012), no município de Soledade, a Empresa Estadual de Pesquisa Agropecuária da Paraíba(Emepa) finalizou um processo de transferência de 638 embriões importados da África do Sul a matrizes receptoras do rebanho de ovinos e caprinos da Paraíba. O procedimento vem sendo realizado na Estação Experimental de Pendência, desde a segunda-feira passada. Ao todo, 288 ovelhas e 350 cabras de corte(das raças Boer e Savana) e leiteiras(Saanen e Alpina Britânica) foram inseminadas artificialmente.

No ano passado, com recursos do Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza(Funcep), o Estado importou 910 embriões da África do Sul. Os embriões de ovinos e de caprinos têm alta carga genética, escolhidos de animais de várias províncias daquele país. Nessa primeira etapa, foram inseminadas 638 mães de aluguel – os outros 272 embriões serão transferidos no próximo mês de abril. E haverá mais. Ainda em fevereiro, o diretor técnico e pesquisador da Emepa, Wandrick Hauss de Sousa, fará nova viagem à África do Sul, onde vai adquirir outros 900 embriões de alto padrão genético. "A Emepa é a única empresa pública do país que investe na melhoria genética do rebanho de caprinos e ovinos a partir da transferência de embriões”, disse.

Para a importação de 910 embriões da África do Sul, o Funcep repassou à Emepa recursos na ordem de R$ 1,5 milhão. "O apoio que tivemos do Funcep foi fundamental. O secretário estadual de Planejamento, Gustavo Nogueira, que é também presidente do Funcep, acreditou na Emepa. Com a inovação tecnológica que é nossa marca, multiplicaremos esse apoio aos produtores do Estado ao produzir animais de alta carga genética”, declarou o presidente da Emepa, Manoel Duré.

Ele ressaltou a importância de melhorar o padrão genético dos rebanhos paraibanos e disse que o objetivo do Governo do Estado, a partir de recomendações do governador Ricardo Coutinho, é transferir toda a tecnologia dessa nova genética para os produtores rurais que praticam a agricultura familiar na Paraíba. "A meta é fazer com que essas famílias aumentem a renda a partir de animais que tenham maior produtividade de carne e leite”, disse. O projeto, de acordo com ele, visa beneficiar o Programa do Leite da Paraíba(com mais animais de alta produtividade de leite, a oferta do produto será ampliada no programa).

O secretário executivo da Agricultura Familiar, Alexandre Eduardo Araújo, também salientou que o avanço no padrão genético dos rebanhos será primordial para melhorar os índices de produtividade dos animais e aumentar a renda dos agricultores familiares paraibanos.

Valor genético
Dois médicos veterinários da África do Sul, os irmãos Fanie e Thomas Steyn, vieram treinar os técnicos e veterinários da Emepa na Estação Pendência. Eles afirmaram que a empresa paraibana tem infraestrutura e equipamentos para a inseminação superiores a tudo o que eles já viram em diversos países, incluindo a própria África do Sul. Thomas e Fanie também elogiaram o perfil dos técnicos e doutores da Emepa, com alto padrão de conhecimento na área de transferência de embriões.

Wandrick Hauss disse que os embriões são importados em tonéis metálicos com nitrogênio líquido. "Cada um deles é identificado pelo DNA do pai e da mãe. No processo de inseminação, os embriões são descongelados, lavados, colocados em seringas e inseridos no útero das cabras e ovelhas selecionadas, que passam por um processo de quarentena”, contou. Segundo ele, são fêmeas com idade de 2,5 a 4 anos e que já tiveram filhos.

Antes da inseminação, os animais passam por controle nutricional, sanitário e reprodutivo. São três meses sendo alimentados à base de soja, milho, farelo de trigo e palma. Depois da inseminação, a alimentação é modificada. Médicos veterinários e zootecnistas acompanham diariamente o rebanho. Com 35 a 40 dias, é feito o diagnóstico de gestação.

A média nacional de nascimentos de caprinos e ovinos nessa tecnologia de transferência de embriões é de 55%, mas a garantia da renovação e expansão do padrão genético resulta em retornos significativos em pouco tempo, ou seja, a oferta de mais carne e mais leite no mercado paraibano.

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