Ministro da Defesa confirma morte de dois militares brasileiros em incêndio em base na Antártida.
Brasília(DF) – O ministro da Defesa, Celso Amorim, confirmou neste sábado(25Fevereiro2012) a morte dos dois militares brasileiros que haviam desaparecido durante incêndio na Estação Comandante Ferraz, na Antártica. O suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo e sargento Roberto Lopes dos Santos, ambos da Marinha. Eles participavam do grupo de apoio que tentava apagar o incêndio originado na casa de máquinas da base.

“Num ato de heroísmo, eles estiveram justamente no local de maior risco, na tentativa de debelar o incêndio e não conseguiram. Todos os pesquisadores e funcionários civis foram resgatados e já se encontram no continente, no Chile, e amanhã já devem estar de volta ao Brasil”, disse Amorim.
A explosão deixou um ferido, o primeiro-sargento Luciano Gomes Medeiros. Em nota, a Marinha informou que ele não corre risco de morte. As famílias das vítimas e do militar ferido já foram avisadas.
Os 30 pesquisadores, o alpinista, o representante do Ministério do Meio Ambiente, os 12 funcionários do Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro e o militar ferido foram transferidos para Punta Arenas, no Chile, onde serão recebidos por militares da Marinha Brasileira.
Um avião da FAB partiu na tarde deste sábado(25Fevereiro2012) do Rio de Janeiro com destino ao Chile para resgatar os militares. Ele deve chegar à base chilena por volta das 03h00m deste domingo, no horário de Brasília. Segundo a Aeronáutica, a viagem de volta deve durar nove horas. A aeronave só deve pousar na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, entre a tarde de domingo e a madrugada de segunda-feira(27Fevereiro2012).
O incêndio na Estação Antártica Comandante Ferraz aconteceu na madrugada deste sábado(25Fevereiro2012). Segundo a Marinha do Brasil, um incêndio na "praça de máquinas", local onde ficam os geradores de energia da base, causou uma explosão. O fogo destruiu toda a estação, de 2.600 metros quadrados.
Devido às condições meteorológicas adversas na região, o chefe da Estação e os integrantes do Grupo-Base, que permaneceram na base combatendo o incêndio, foram transferidos para a base chilena Eduardo Frei. "Assim que as condições meteorológicas permitirem, a MB, com apoio do navio “Lautaro”, da Armada do Chile, enviará uma equipe do Grupo-Base, liderada pelo Chefe da EACF, para avaliar os danos causados à estrutura da Estação", informa a Marinha.
"Perda incalculável’
A pesquisadora Yocie Yoneshigue Valentin, coordenadora do INCT-Antártico(Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Antártico de Pesquisas Ambientais – UFRJ), afirma que as perdas com o incêndio na Estação Antártica Comandante Ferraz são "incalculáveis" e "incomensuráveis".
Entre 15 e 18 pesquisadores do instituto estão entre os 30 que foram resgatados da estação e encaminhados para Punta Arenas(Chile), informou Yocie. Algumas das pesquisas estavam focadas em organismos da massa d’água e macroalgas marinhas.
A base militar brasileira de pesquisas na Antártida tinha uma infraestrutura que incluía laboratórios científicos bem equipados, dormitórios e cozinha industrial, biblioteca, oficinas e instalações técnicas para embarcações usadas em expedições. Em nota, a Marinha diz estar "extremamente consternada" com o ocorrido.
A estação começou a operar em 1984 e atualmente abrigava cerca de 60 pessoas. "Soube por intermédio de outras pessoas que houve uma explosão e parece que pegou fogo na casa de máquinas, que foi se alastrando. Parece que o alarme não tocou", relata.
A pesquisadora conta que esteve no local em 2011 e que fez simulações de emergência, que soavam o sinal de alerta e orientavam o que fazer em caso de uma tragédia.
Além da potencial tragédia humana – há um ferido e dois desaparecidos – e dos danos com a estrutura da base, Valentin indica outra importante perda para o país: o material coletado recentemente nas pesquisas. "Essa notícia veio consternar o Brasil inteiro. A perda é incalculável, estávamos com um aparelho de U$ 120 mil com dados coletados desde dezembro. Os dados armazenados nesse aparelho e em outros não têm preço, são pesquisas com preços incomensuráveis", lamenta.
Sargento ferido
O primeiro-sargento Luciano Gomes Medeiros, ferido no incêndio na base brasileira na Antártida, voltaria ao país em um mês, afirmou na tarde deste sábado(25Fevereiro2012) a mulher do militar, Márcia Cristina Souza Medeiros. "Ele estava há um ano mais ou menos na base. Ele voltaria no dia 25 de março", disse ela, ainda muito abalada com a notícia. Segundo a família, ele é primeiro-sargento MO, especializado em mecânica de motores.
De acordo com Márcia, Luciano foi operado e passa bem, mas estava em estado de choque. Ele será levado para hospital assim que chegar ao Brasil. As informações que receberam foram repassadas pela Marinha do Brasil. O sargento ainda não teve contato direto com a família. "A Marinha está prestando todo o apoio à família. Ligam toda hora nos informando sobre o que está acontecendo", disse Márcia.
Incêndio
Informações preliminares da Marinha do Brasil informaram que um incêndio na "praça de máquinas", local onde ficam os geradores de energia da Estação Ferraz, causou uma explosão que destruiu a Estação Antártica Comandante Ferraz, base militar brasileira de pesquisas na Antártida, na madrugada deste sábado.
O suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo e o primeiro-sargento Roberto Lopes dos Santos morreram. Já o primeiro-sargento Luciano Gomes Medeiros ficou ferido e foi e será transferido ainda hoje para Punta Arenas e, depois, para o Rio de Janeiro.
A base tinha uma infraestrutura que incluía laboratórios científicos bem equipados, dormitórios e cozinha industrial, biblioteca, oficinas e instalações técnicas para embarcações usadas em expedições.
Heroísmo
A presidente Dilma Rousseff divulgou nota lamentando a morte de dois militares no incêndio que destruiu a Estação Antártica Comandante Ferraz, na Antártica, na madrugada deste sábado(25Fevereiro2012).
Na nota, a presidente diz que os militares tiveram ato de "heroísmo" e foram "mortos ao servir a Pátria". Dilma agradeceu o auxílio de outras nações como Chile, Argentina e Polônia. E afirmou que o país tem "A firme disposição (…) de reconstruir a Estação".
Leia a íntegra da nota:
"A presidenta Dilma Rousseff recebeu com grande consternação, neste sábado, a informação sobre o incêndio ocorrido na Estação Antártica Comandante Ferraz, que vitimou os militares da Marinha suboficial Carlos Alberto Vieira Figueiredo e sargento Roberto Lopes dos Santos, e provocou ferimentos no sargento Luciano Gomes Medeiros.
A presidenta determinou ao Ministro da Defesa, Celso Amorim, a adoção de todas as medidas necessárias para salvaguardar a segurança dos cientistas, militares e visitantes que se encontravam na Base.
A presidenta destaca o heroísmo dos militares no combate ao incêndio e, consternada, manifesta sua solidariedade e do seu governo com as famílias dos dois militares, mortos ao servir a Pátria.
A presidenta reafirma a importância do programa de pesquisas desenvolvido na Estação e elogia a abnegação e o desprendimento dos brasileiros que lá trabalham. A Presidente manifesta, ainda, a firme disposição do País de reconstruir a Estação Antártica Comandante Ferraz.
Em telefonema hoje à tarde, ela agradeceu ao presidente do Chile, Sebastián Piñera, o apoio daquele país no socorro e no resgate dos brasileiros atingidos pelo incêndio.
Agradece, também, o apoio e a solidariedade prestados pelos Governos da Argentina, e da Polônia.
Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República".
Resgate
Um Avião da FAB C-130 decolou às 17h30m deste sábado(25Fevereiro2012) da Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro, em direção ao Chile para resgatar os brasileiros que estavam na estação.
De acordo com a Aeronáutica, o avião fará um pouso em Pelotas(RS) e deverá chegar a Punta Arenas, no Chile, por volta das 03h00m de amanhã, já considerado o novo horário nacional. Ainda não há confirmação sobre o retorno da aeronave. A previsão é que isso aconteça na tarde deste domingo(26Fevereiro2012).
* Com Agência Brasil e EFE.