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Reconstrução de base na Antártida custará R$ 100 milhões

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Ministro da Defesa afirma que trabalhos deverão começar em novembro de 2013 se o projeto continuar recebendo recursos.

Brasília(DF) – A reconstrução da base na Antártida está estimada em R$ 100 milhões. A estimativa foi feita nesta terça-feira(06Março2012) pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, que participa de audiência pública no Senado para discutir o incêndio ocorrido na Estação Comandante Ferraz em 25 de fevereiro, que matou dois militares. A reconstrução deverá começar no verão de 2013/2014(novembro a janeiro), se o projeto continuar recebendo recursos.

Amorim afirmou que, de acordo com o cronograma, em 2012 serão elaborados o pré-projeto da nova base e em seguida o projeto detalhado, que será submetido aos países-membros do Tratado da Antártida, o que deve ocorrer em maio de 2013. Só depois da concordância dos signatários do tradado, a reconstrução da base poderá começar. A obra deve ser concluída em três ou quatro anos.

“Se tudo correr muito bem, a construção da nova base vai começar no verão de 2013/2014. Experiência nos mostra que entre o projeto e a construção de uma base na Antártida, há uma fase de três a quatro anos. Isso, desde que os recursos venham de maneira contínua”, disse Celso Amorim.

Nova base não ficaria pronta antes de três anos, diz arquiteta
De acordo com Cristina Engel de Alvarez, arquiteta que coordenou parte da construção da base Comandante Ferraz, na Antártida, ainda não é possível prever se a nova base ficará pronta em dois ou três anos. “Na Antártida só é possível construir durante o verão. Portanto, as construções só podem começar no ano que vem. Além deste limite por causa do clima, é preciso limpar o terreno, comprar material, a construção também exige toda uma logística de navios que é muito complicada”, pontuou Cristina.

Cristina, que é pesquisadora da Universidade Federal do Espirito Santo e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Antártico(INCT-APA), afirmou que na próxima semana irá a Brasília com outros pesquisadores para discutir planos da nova construção. Segundo o almirante Júlio Soares de Moura Neto, que a nova estação antártica brasileira, que substituirá a base destruída, começará a ser reconstruída no próximo verão.

O incêndio nos geradores da estação no último sábado(25Fevereiro2012) destruiu 70% da edificação, matou dois militares e comprometeu 40% dos estudos científicos brasileiros no continente. De acordo com avaliação preliminar da equipe do grupo que estava na estação brasileira indica que o prédio principal, onde ficava a parte habitável e alguns laboratórios de pesquisas foram completamente atingidos pelo incêndio.

“Fogo é pior que o frio”
Cristina lembra que o medo de fogo na Antártida é muito maior que o do frio. “Isto porque, o clima é muito seco e há muito material combustível”, disse. Outro problema é o vento forte na região que rapidamente espalha o fogo e aumenta a gravidade dos acidentes. Estações da Rússia e da Argentina já tiveram parte destruída por causa de incêndios nos últimos anos.

A Estação Antártica Comandante Ferraz é formada por um corpo principal que mede cerca de 100 metros de comprimento, com maior densidade de alojamentos e laboratórios. Cada quarto, chamado de camarote, que abriga duas pessoas, mede cerca de 9 m2 e conta com dois sensores de fumaça e fogo. Algumas estações de outros países – principalmente de países de clima frio – são compostas por módulos independentes onde os pesquisadores precisam ir ao exterior para transitar entre os módulos. Na base brasileira, os pesquisadores não precisavam enfrentar o frio externo para se locomover de um camarote para um laboratório, por exemplo.

Cristina defende a opção de construir a base de forma compacta. “Mesmo a estação sendo compacta ou espalhada, não havia muito o que evitar naquele acidente. Porque foi muito fogo, foi uma explosão muito forte”, disse ao iG. Cristina explica que outra dificuldade para se construir a nova base é que a estação fica em um ponto de depressão. “Não dá para se espalhar, pois a geografia não permite. Todas as decisões feitas neste projeto foram tomadas por uma série de motivos”, disse.


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