Diminuição nos calotes, inflação em queda, novo corte na taxa Selic e medidas que a Caixa anuncia na segunda-feira(09Abril2012) integram o arsenal do governo para forçar instituições financeiras privadas a oferecer crédito mais barato e impulsionar a economia.
Brasília(DF) – IPCA registra alta de 0,21% em março. No trimestre, a taxa fica em 1,22%, a menor para o período em 12 anos. A presidente Dilma Rousseff acredita que está esvaziando o discurso do sistema bancário por crédito tão caro.
A presidente Dilma Rousseff ganhou ontem uma arma poderosa para manter firme a pressão contra os juros extorsivos cobrados pelos bancos. A inflação, que todos os analistas olhavam com ressalva, despencou no mês passado, aliviando o orçamento das famílias e reduzindo os riscos de disparada da inadimplência. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo(IPCA) registrou alta de apenas 0,21%, o segundo menor resultado para meses de março desde 1994, quando foi editado o Plano Real. No acumulado do primeiro trimestre, a taxa cravou elevação de 1,22%, o patamar mais baixo em 12 anos.
"Só temos a comemorar", disse um dos assessores mais próximos da presidente Dilma. "Esses números confirmam que estamos no caminho certo. Tanto o Banco Central deve continuar cortando a taxa básica de juros(Selic) quanto os bancos precisam reduzir os custos dos empréstimos e dos financiamentos a empresas e aos consumidores", acrescentou. Na avaliação do Palácio do Planalto, com os preços subindo a um ritmo mais fraco, o poder de compra dos lares vai melhorar. E é para isso que os bancos devem olhar. "É inacreditável o fato de as instituições financeiras sequer estarem repassando à clientela os cortes da taxa Selic, iniciado em agosto do ano passado. É ganância demais", frisou.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística(IBGE), a desaceleração do IPCA foi geral. Em 12 meses, a inflação recuou para 5,24%, ficando, pelas contas do economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal, abaixo dos 5,5% esperados pelo BC. Ele ressaltou que o índice já está rodando em torno de 4,15% ao ano, ou seja, abaixo do centro da meta de 4,5% definida pelo Conselho Monetário Nacional(CMN). "Não há dúvidas: a surpresa foi geral. O resultado do IPCA de março foi muito bom. Tão bom que ficou 0,16 ponto percentual abaixo do 0,37% estimado pelo mercado", disse. Em fevereiro, o indicador havia cravado elevação de 0,45%.
Educação
Além do grupo educação – a maior parte do aumento havia sido captada em fevereiro -, os itens de vestuário, com deflação de 0,61%, e os artigos de residência, que baixaram 0,40%, contribuíram para o IPCA tão baixo.
Também ajudaram na descompressão do indicador as commodities(produtos básicos com cotação internacional). "Com certeza, o nível de inflação deste ano está menor do que no começo de 2011, quando vimos alta de 2,44%(54% da meta central perseguida pelo BC) entre janeiro e março. O perfil de reajustes deste ano está bem mais suave", assinalou Eulina Nunes dos Santos, coordenadora dos índices de preços do IBGE.
Segundo o IBGE, além das liquidações, o comércio está segurando os preços das roupas por causa da competição com produtos importados.
"É um resultado excepcional"
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, classificou como "excepcional" o resultado do Índice de Preços ao Consumidor Amplo(IPCA) em março, com alta de apenas 0,21%. Na sua avaliação, o número mostra que o custo de vida está sob controle e abre espaço para o crescimento maior da economia neste ano.
A expectativa do ministro é de que o Banco Central corte pelo menos mais 0,75 ponto percentual da taxa básica de juros(Selic) neste mês, de 9,75% para 9% ao ano, e os bancos barateiem o crédito para sustentar o consumo e os investimentos produtivos.
Apesar do ceticismo do mercado, que aposta em um avanço de 3% para o Produto Interno Bruto(PIB) em 2012, Mantega acredita em um salto de 4,5%.
