Brasília(DF) – A assessora parlamentar Denise Leitão Rocha foi exonerada do cargo comissionado que ocupava no gabinete do senador Ciro Nogueira(PP-PI). O ato de demissão foi publicado nesta segunda-feira(06Agosto2012) no Diário Oficial do Senado. Por ser um cargo comissionado, ela não tem direitos trabalhistas. A advogada, que recebia R$ 4 mil por mês, já foi comunicada da decisão do parlamentar, de acordo com a assessoria de imprensa de Nogueira.
O senador tomou a decisão durante o recesso parlamentar. Embora tenha dito, há três semanas, que demitiria Denise, Nogueira chegou a voltar atrás após a repercussão negativa de sua decisão. O deputado Domingos Dutra(PT-MA), presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, por exemplo, afirmou que se tratava de uma decisão precipitada e que Denise havia sido vítima de preconceito.

Denise trabalhava desde janeiro de 2011 no gabinete do senador. Sua tarefa era acompanhar o andamento das comissões que Nogueira integra, como por exemplo a Comissão Parlamentar Mista de Inquéritos(CPI) do Cachoeira.
Desde o começo de julho, Denise virou o centro das atenções no Congresso Nacional depois do vazamento de um vídeo íntimo que a mostra fazendo sexo com um homem, feito há seis anos. "Já soube da publicação da exoneração e ainda estou avaliando o caso. Só vou comentar mais tarde", afirmou Denise.
Demissão contestada no Congresso
Depois de receber manifestações de apoio e solidariedade de internautas, Denise Leitão Rocha, o Furacão da CPI, começa a provocar manifestações de apoio de ativistas femininas e até de integrantes do próprio Congresso. Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, Domingos Dutra(PT-MA) vê uma boa dose de preconceito no caso da advogada, demitida do gabinete do senador Ciro Nogueira(PP-PI) por aparecer fazendo sexo num video na internet. Na opinião do parlamentar, Denise pagou o pato pelo machismo que impera na sociedade brasileira. "Se fosse um homem, será que a reação da sociedade, do senador e da mídia seriam a mesma? Eu acho que não", analisa o deputado.
Para Domingos Dutra, a exoneração da advogada teria sido precipitada, a reboque da repercussão nas redes sociais e na imprensa: "Não vou entar no mérito que levou o senador a demiti-la, mas foi uma decisão apressada que só reforça o preconceito existente hoje sobre a mulher, que ainda é muito forte no país. Esse caso a marcará para o resto da vida. Certamente, ela terá dificuldades para arranjar um namorado, um emprego, circular em seus meios sociais".
"Esse é mais um sinal de como a nossa sociedade é machista. Se fosse um homem, seria enaltecido como um garanhão. Como é mulher, julgam-na como piranha", critica Rogéria Peixinho, coordenadora regional da Articulação de Mulheres Brasileiras, movimento nacional que luta pelos direitos femininos.
De acordo com ela, o Congresso Nacional atuou como um reflexo desse preconceito tupiniquim: "Ela foi uma vítima do vazamento desse vídeo e a repercussão chegou a esse ponto porque ela é mulher. O Congresso é muito retrógrado, a ver pela quantidade de mulheres e negros eleitos".
Ao contrário de episódios recentes em que a Secretaria de Políticas para Mulheres pediu a retirada do ar de um comercial de lingerie com a modelo Gisele Bündchen e criticou as agressões de um marido contra sua esposa na novela "Fina Estampa", da Rede Globo, o órgão, ligado à Presidência da República, recusou-se a comentar o caso ocorrido no gabinete do senador.
No Senado, o presidente da Comissão de Direitos Humanos, Paulo Paim(PT-RS), não foi localizado. Sua vice, Ana Rita(PT-ES), estava em reunião.
Conversa com o Senador
A advogada Denise Leitão Rocha vai nesta terça-feira(07Agosto2012) ao Senado Federal, para conversar com o senador Ciro Nogueira(PP-PI). Nesta segunda-feira(06Agosto2012), a assessora foi exonerada do cargo comissionado que ocupava no gabinete do senador. Denise disse ainda não saber se há chance de sua demissão ser revertida. "Estou muito chateada. Eu não esperava isso. Nem eu nem a sociedade, que ficou toda contra a demissão. Amanhã vou conversar com o senador e com meus colegas de gabinete", afirmou Denise, abalada pela notícia.
"Foi desumano. E machismo. Não posso dizer se há chance de reverter a demissão porque ainda não conversei com o senador. Só amanhã(terça-feira) vou poder saber".
A Delegacia de Atendimento à Mulher do Distrito Federal ouviu apenas três pessoas desde o começo da investigação. Além de Denise e do homem que aparece com ela nas imagens, o terceiro que depôs foi um servidor do Senado, levado pela advogada Mariana Melucci, que representa Denise.
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