Um dinamarquês transmitiu uma grave e rara doença genética a cinco crianças após doar sêmen a uma clínica de fertilização. Um inquérito apontou que os exames não detectaram o problema no sêmen do doador e que a instituição não tomou providências mesmo após a primeira criança ser diagnosticada com a mutação.
O diretor da clínica Nordisk Cryobank, Peter Bower, disse à agência de notícias France Presse que o banco de sêmen estava ciente de que os cinco bebês haviam nascido com a neurofibromatose do tipo 1(NF1).
Mas ele adiantou que o homem já teria doado seu sêmen antes, em um período anterior a outubro de 2008, em países dentro e fora da Europa.
Bower respondeu às críticas dizendo dizendo que não parou de usar o sêmen do doador imediatamente porque não era possível ter certeza de que o doador era o responsável pela transmissão do problema.
O sêmen ‘contaminado‘ foi usado por 14 clínicas de fertilização, informou a emissora estatal dinamarquesa DR.
Choque e críticas
A mãe de uma das crianças afetadas, Mia Levring, condenou as ações da clínica dizendo estar ‘abalada e chocada‘.
Sonja Petersen, mãe de outra criança que contraiu a mutação, também criticou a postura da instituição diante da dúvida a respeito de o doador poder gerar bebês com problemas de saúde. "Nós estamos lidando com muitas crianças, mas há também o aspecto econômico. Eles ganham bastante dinheiro fazendo isso. E deve haver a responsabilidade de garantir que o produto – por assim dizer – está apto a ser usado".
Para a chefe da Autoridade de Medicamentos e Saúde da Dinamarca, Anne-Marie Vangsted, o banco de sêmen falhou ao não retirar de circulação o material contaminado logo após o diagnóstico da primeira criança.
O problema pode causar ainda dificuldades de aprendizado, de visão e deformações da coluna. Não há tratamento, mas alguns sintomas podem ser controlados.
