São Paulo(SP) – Uma equipe dos Estados Unidos vai participar da investigação da queda do jato executivo que matou o candidato à Presidência da República pelo PSB, Eduardo Campos, quatro pessoas da equipe e dois pilotos, na quarta-feira(13Agosto2014), em Santos, litoral paulista. Os técnicos já estão no Brasil, segundo a Globo News. O grupo é formado por especialistas do National Transportation Safety Board(NTSB), a principal autoridade norte-americana de investigação de acidentes, e da Cessna Aircraft Company, o fabricante do avião.
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos(Cenipa), órgão investigador da Força Aérea Brasileira(FAB), comunicou nesta sexta-feira que o gravador de voz do avião acidentado não registrou o áudio da cabine do voo que transportava Eduardo Campos.
As causas técnicas da falha do gravador ainda não foram esclarecidas pela FAB. O conteúdo que ficou gravado se refere a uma conversa durante abastecimento no solo, com os motores desligados, em local e data não identificados.
O gravador tem capacidade para registrar duas horas seguidas de sons. O equipamento começa a gravar logo que o piloto dá partida no motor, de maneira autônoma. Segundo especialistas, uma luz se acende quando o gravador não está funcionando, alertando o comandante de que o problema deve ser solucionado. Às vezes, na manutenção, os técnicos costumam desligar o gravador, justamente para impedir que ao ligarem as baterias, conversas anteriores sejam apagadas.
A Aeronáutica explicou que o funcionamento de uma caixa-preta varia de acordo com o modelo e o fabricante. Há casos em que a caixa de voz está atrelada ao sistema de anticolisão do avião e, assim, o piloto, antes de ligar a aeronave, precisa acionar esse sistema. Dependendo também do tipo de caixa, é possível desligá-la ou não durante o voo. Se o gravador de voz tem a capacidade de registrar apenas as duas últimas horas de um voo a cada período desses o trecho anterior é apagado e substituído pelas novas conversas.
Especialistas estranham ausência de gravação
O fato de a caixa do gravador de voz não ter registrado nada do último dia 13, quando ocorreu a tragédia, causou estranheza a alguns pilotos experientes. O professor de Ciências Aeronáuticas da PUC do Rio Grande do Sul Elones Fernando Ribeiro explicou que são raros os casos de gravadores pararem de funcionar.
Apesar de o CVR(Cockpit Voice Recorder) da aeronave PR-AFA não ser um item de segurança, o comandante da aeronave não pode fazer o voo quando o equipamento não funciona. "Se o CVR estava com defeito, o avião não podia ter decolado. A aeronave voou sem estar em conformidade com o regulamento. A fita de gravação é contínua e registra as últimas conversas de dentro da cabine de voo por uma média de duas horas, justamente para auxiliar nas investigações em caso de acidente. Se o avião fosse de uma empresa aérea convencional não teria decolado", disse o especialista.
O diretor de segurança de voo do Sindicato Nacional dos Aeronautas, Mateus Ghisleni, explicou que o equipamento começa a gravar logo que o piloto dá partida no motor, de maneira autônoma. Segundo ele, uma luz se acende quando o gravador não está funcionando, alertando o comandante de que o problema deve ser solucionado.
"Todas as conversas dos pilotos são gravadas normalmente. O comandante perceberia o problema. O não funcionamento do CVR não impede o voo. A falta da gravação também não prejudica os investigadores do Cenipa(Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos) a chegarem às razões do acidente. Há uma série de fatores, de acordo com a metodologia da investigação empregada pela equipe, que define as causas", explicou Ghisleni.
