O Bê-a-bá do Sertão

China desafia vizinhos e constrói ilhas artificiais

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Pequim(China) –
As disputas territoriais que Pequim mantém com seus vizinhos no sul do Mar da China voltam a esquentar. A razão são as ilhas artificiais que a segunda economia do mundo está construindo, como expôs o comandante da frota americana no Pacífico, o almirante Harry Harris.

Onde faz pouco mais de um ano havia coral e alguns blocos de cimento construídos diretamente sobre as rochas, a China criou, de acordo com os Estados Unidos, várias ilhas de areia em cinco arrecifes, que já somam quatro quilômetros quadrados.

Até agora, o país se limitava a declarar que suas atividades eram “legais, razoáveis e justificáveis”. Mas nesta quinta-feira(09Abril2015), o Centro de Estudos Estratégicos Internacionais(CSIS) em Washington divulgou uma série de fotografias que demonstra a magnitude das obras e a rapidez da construção.

Propósito militar e civil
Nas imagens, que comparam o antes e depois no arrecife de Mischief das ilhas Spratly – disputadas por Filipinas, China e Vietnã – é possível ver como praticamente do nada surgiram ilhas dotadas de portos e uma pista de pouso.

Após a publicação das imagens, a China – que até agora se limitava a responder perguntas sobre essas ilhas com lacônicas declarações – deu uma explicação mais detalhada.

Nesta quinta-feira(09Abril2015), a porta-voz do Ministério dos Assuntos Exteriores chinês, Hua Chunying, declarou que o propósito é militar: “proteger a soberania territorial, o interesse e direitos marítimos”. Mas também, assegura, a construção terá fins civis “além das necessidades de defesa militar”. Como a proteção de embarcações em caso de tufão, pesca ou observação meteorológica.

O almirante Harris descreveu as obras como “uma grande muralha de areia”. O secretário de Defesa, Ashton Carter, de visita na região, advertiu que a ação unilateral deixará a China ilhada. E o presidente Barack Obama, desde a Jamaica, quando estava a caminho para a Cúpula das Américas que começou nesta sexta-feira(10Abril2015), no Panamá, acusou Pequim de "usar sua força e seus músculos para forçar outros países a ficar em posição de subordinação”.

Acreditamos que(a disputa) pode ser resolvida pela via diplomática, mas só porque Filipinas ou Vietnã não são tão grandes como a China, não quer dizer que pode dar cotoveladas" – disse Obama”.

Diante das declarações de o presidente, Hua replicou acusando os EUA de ser o país que pressiona os demais. “Esperamos que os Estados Unidos possam respeitar os esforços da China e países asiáticos para garantir a paz e estabilidade da região no sul do Mar da China”.

Pequim, que durante a época maoista não demonstrava um interesse especial por essas ilhas, reclama cada vez com mais força a soberania de Spratly, Paracel e os bancos de Scarborough, distantes até 1.300 quilômetros da costa continental. Meia dúzia de países também reivindicam algumas dessas áreas. As disputas mais acirradas com Filipinas e Vietnã aumentaram em 2012, quando a China incluiu esses territórios em seus “interesses nacionais básicos”, como Tibete ou Taiwan.


Do alto, o avanço das controversas ilhas artificiais da China.

Filipinas, um país muito mais fraco militarmente que a China, levou o caso para a ONU. A briga teria no fundo duas razões. Suspeita-se que essas cadeias de ilhas podem guardar em seu leito marinho recursos naturais. Mas também seriam chave desde o ponto de vista geoestratégico: para China, que tem entre seus objetivos de defesa o estabelecimento de uma marinha militar, o mar do sul representa uma saída natural para sua frota em rota até o Índico. Já os Estados Unidos não quer ceder facilmente o controle de uma área de intenso tráfico marítimo, e pelo qual atravessa anualmente um volume comercial de quase € 5 bilhões.

A nova troca de recriminações entre EUA e China acontece pouco antes das manobras militares conjuntas entre Estados Unidos e Filipinas que começam no próximo dia 20, em águas perto de Spratly. Mais de 11.500 pessoas deverão participar das manobras.

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