O governador João Azevêdo assinou o decreto 40.242, neste sábado(16Maio2020), prorrogando o isolamento social até o dia 31 de maio e ampliando as medidas restritivas, que agora passam a vigorar em todos municípios paraibanos, independente do registro de casos confirmados da Covid-19.
O objetivo é conter o avanço do Coronavírus no Estado, tendo em vista o aumento diário de casos diagnosticados, principalmente nesta semana. O decreto será publicado em edição eletrônica especial do Diário Oficial do Estado ainda hoje.
Além da continuidade da suspensão das atividades consideradas não essenciais para este momento, com o novo decreto os estabelecimentos comerciais ou empresas de transportes públicos serão multados em R$ 100,00 por cada pessoa que estiver no seu interior sem máscara. Esse acessório é obrigatório também em todos os espaços públicos do Estado. Os recursos provenientes das multas aplicadas serão destinados às medidas de combate ao novo coronavírus.
O decreto assinado pelo governador ainda determina a interrupção do transporte intermunicipal em todo território paraibano. Assim, todos os terminais rodoviários pertencentes ao Estado ficarão fechados a partir do próximo dia 20 até o dia 31 de maio, período em que também deverá ser paralisada a travessia Costinha/Cabedelo/Costinha por meio da balsa.
O documento também prevê a instalação de barreiras sanitárias nas rodovias PB-008 e PB-018(Conde), PB-025(Lucena), PB-034(Alhandra/Caaporã), PB-044(Caaporã/Pitimbu) e no terminal hidroviário de Cabedelo. O acesso a esses municípios ficará restrito aos moradores e às pessoas que trabalhem nas atividades consideradas essenciais, ou para tratamento de saúde, devidamente comprovados.
Também serão suspensas no período de vigor do decreto as atividades da construção civil – com exceção das obras relacionadas às necessidades da pandemia da Covid-19 e emergenciais – na Região da Grande João Pessoa, abrangendo os municípios de João Pessoa, Bayeux, Cabedelo, Conde, Santa Rita, Alhandra, Caaporã e Pitimbu, bem como em Campina Grande, Queimadas, Lagoa Seca e Puxinanã.
Flexibilização
A flexibilização das medidas isolamento social e fechamento do comércio poderão ser reduzidas a partir de junho. A declaração foi dada pelo governador João Azevêdo (Cidadania), nesta segunda-feira(18Maio2020), porém, João afirmou que a flexibilização depende da queda no número de casos de Covid-19, doença causada pelo novo Coronavírus, e a disponibilidade de leitos em hospitais.
“Esperamos que a partir de junho, com o atingimento do ponto máximo de contaminação, com a redução de casos dia após dia, com a liberação de espaço dos hospitais, principalmente leitos de UTI, e se houver uma testagem capaz de determinar o perfil epidemiológico do Estado, vamos começar sim a trabalhar em flexibilização”, disse o Governador.
Aumento de casos
Nesta segunda-feira(18Maio2020), completa-se dois meses desde a confirmação do primeiro caso do novo coronavírus(Covid-19) na Paraíba. No primeiro mês, o estado passou a marca dos 200 casos e quase 30 mortes registradas. Mas nos últimos 30 dias, o total de casos cresceu 20 vezes, atingindo 4.347 casos até o domingo(17Maio2020), enquanto o número de mortos subiu quase seis vezes e atualmente está em 194.
No segundo mês de pandemia no Estado, é possível perceber a interiorização dos registros e como a doença se espalhou pela Paraíba. Foram registrados casos do novo coronavírus em 120 novas cidades, mais de sete vezes o número de cidades atingidas até o primeiro mês.
A Região Metropolitana de João Pessoa, que contém 12 cidades, é a que mais tem casos confirmados de Covid-19 na Paraíba, concentrando 2.719 casos, o que corresponde a 62,5% do total.
João Pessoa ainda é a cidade com o maior número de casos, com 1.697 confirmações, o que representa 39% do número de casos no estado. Porém, houve uma queda nesta parcela. Ao fim do primeiro mês da pandemia, a capital concentrava 72% dos casos.
Na capital paraibana agora são 58 bairros atingidos pela Covid-19, 48,7% a mais do que os 39 bairros atingidos após um mês da pandemia. Os bairros de Manaíra e Mangabeira são os que têm mais registros. Conforme o Mapa de Contágio de João Pessoa, apenas Mumbaba, Mussuré, Barra de Gramame, Costa do Sol, Penha e Ponta de Seixas não tem casos confirmados.
Além de João Pessoa, até o domingo foram registrados 306 casos em Santa Rita, 193 em Cabedelo, 129 em Caaporã, 94 em Bayeux, 68 em Pedras de Fogo, 56 em Alhandra e em Cruz do Espírito Santo, 41 no Conde, 34 em Pitimbu, 29 em Lucena e 16 em Rio Tinto.

Para o secretário de saúde da Paraíba, Geraldo Medeiros, a concentração dos casos na Grande João Pessoa preocupa pois há o risco de colapso no sistema de saúde. Até esta segunda-feira(18Maio2020), 91% dos leitos de UTI adulto estavam ocupados em João Pessoa.
“Depois da capital, está a região de Campina Grande. No sábado(16Maio2020), só tínhamos sete leitos de UTI disponíveis. Há o crescimento acentuado de novos casos e esta é uma realidade. O pico está ocorrendo durante todo este mês de maio e dependerá do paraibano obedecer às regras sanitárias”, disse Geraldo.
O secretário falou também que o aumento do número de casos no segundo mês já era previsto, uma vez que desde a última semana do primeiro mês da pandemia na Paraíba, o estado está fazendo os testes rápidos para a doença causada pelo novo coronavírus.
“Há semanas avisamos que teríamos (o pico da Covid-19), a partir de 20 de abril até o final de maio ou início de junho, dependendo do grau de isolamento social da população. Os números revelam aquilo que prevíamos: tivemos 42 dias para alcançar mil casos, oito dias para alcançar 2 mil casos, quatro dias para alcançar três mil casos e três dias para chegar a quatro mil casos”, explicou Geraldo.
Para o secretário, o crescimento da pandemia na Paraíba apresenta sinais de estar em curva ascendente exponencial, que é quando os casos se multiplicam muito rapidamente ao longo do tempo.
“É um crescimento galopante. Nós não podemos fugir a esta realidade. É essencial neste momento que todos os paraibanos tenham a consciência de ficar em casa porque é o único meio em que nós podemos frear esta curva que causa doentes e mortes. Nós estamos vendo neste momento o reflexo de cidades que não aderiram ao isolamento domiciliar no início da pandemia”, contou o secretário.
Covid-19
Quanto tempo o novo Coronavírus vive em uma superfície ou no ar ?
Ainda não é possível afirmar quanto tempo o novo coronavírus sobrevive na superfície ou no ar, segundo a Organização Mundial da Saúde(OMS). Mas pesquisadores afirmam que ele parece se comportar igual aos outros tipos de coronavírus.
Estudos avaliados pela OMS apontam que o vírus pode persistir nas superfícies por algumas horas ou, até mesmo, vários dias. Isto pode variar e depende das condições do local, do clima e da umidade do ambiente.
As pessoas podem pegar o Covid-19 de outras pessoas que têm o vírus. A doença pode se espalhar de pessoa para pessoa através de pequenas gotículas do nariz ou da boca que se espalham quando uma pessoa com a doença tosse ou exala.
Essas gotículas pousam em objetos e superfícies ao redor da pessoa. Outras pessoas pegam o Covid-19 tocando esses objetos ou superfícies e depois tocando nos olhos, nariz ou boca.
A recomendação da OMS é de que, caso você desconfie que uma superfície está contaminada, limpe-a com um desinfetante e evite tocar nos olhos, na boca ou no nariz. Após isso, higienize as mãos com álcool ou lave-as com água e sabão.
No ar
As pessoas também podem pegar o novo coronavírus se respirarem gotículas de uma pessoa com Covid-19 que tosse ou exala gotículas. É por isso que é importante ficar a mais de 1 metro(3 pés) de uma pessoa doente.
A OMS está avaliando pesquisas em andamento sobre a maneira como o novo coronavírus é disseminado. Estudos até o momento sugerem que o vírus que causa o Covid-19 é transmitido principalmente pelo contato com gotículas respiratórias, e não pelo ar.