Marinha afunda navio encalhado na costa do Maranhão

Em 13/06/2020

Tempo de leitura: 6 minutos

A Marinha realizou nesta sexta-feira(12Junho2020) o afundamento do navio mercante Stellar Banner, que estava encalhado na costa do Maranhão há três meses devido a uma fissura no casco. A embarcação estava a serviço da Vale e carregava toneladas de minério de ferro, que foram retiradas antes do procedimento.

De acordo com o Comando do 4° Distrito Naval, o afundamento ocorreu por volta das 10h00m e seguiu normas internacionais de segurança ambiental. A operação foi realizada após o navio ter sido rebocado para uma região de águas profundas.

Segundo a Marinha, uma equipe será mantida na área por três dias para monitorar eventuais objetos que possam se soltar do navio e evitar que manchas de óleo possam se espalhar.

Uma aeronave contratada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis(Ibama), que também acompanhou a operação, também vai continuar no local.

Destanqueio
A Marinha detalhou a operação de destanqueio do navio MV Stellar Banner, iniciada às 14h10m da última quarta-feira(10Junho2020). O método para a remoção das cerca de 3.500 toneladas de óleo combustível consiste em procedimentos de abastecimento reverso com o auxílio de uma embarcação receptora.

Antes de encalhar, o navio, de propriedade e operado pelo armador sul-coreana Polaris Shipping, transportava 294,8 mil toneladas de minério da Vale com destino à China, cuja carga foi removida.

Após reunião de segurança entre as equipes envolvidas e todos os equipamentos prontos, a embarcação receptora iniciou o procedimento de aproximação e passagem de todo o dispositivo. Antes de começar a operação, foram realizados testes nos mangotes e sistema de transferência.

De acordo com a autoridade marítima, existem kits de contenção de vazamentos disponíveis nos locais de conexão das mangueiras no navio e na embarcação receptora para mitigar o risco de poluição ambiental.

Operação marítima
– Uma embarcação vai ser posicionada ao lado do Stellar Banner, que foi conectada ao navio para receber o óleo. Após todas as verificações de segurança, o bombeamento foi iniciado para os navios receptores;

– A Marinha executou a coordenação das embaracções que estiveram fora da área de responsabilidade do ‘Salvage Master‘;

– A operação foi realizada atendendo a todos os padrões de segurança e responsabilidade ambiental, visando a excelência. Porém, em caso de incidente, uma estrutura de prontidão de resposta esteve presente, com especialistas em vazamento de óleo, especialistas em contingência ambiental e equipe médica.

Operação aérea
– Um helicpótero e um avião fazeram o monitoramento da operação, com apoio de especialistas em contingência ambiental;

– Um helicóptero da Marinha acompanhou a operação.

A Marinha empregou o 255 militares e disponibilizou o navio de apoio oceânico Iguatemi, o navio hidroceanográfico Garnier Sampaio, um helicóptero UH-15 e quatro embarcações da capitania dos portos do Maranhão(CPMA). Também atuaram no local do encalhe: seis rebocadores(três deles dotados com materiais para combate à poluição por óleo); um drone com câmera térmica; e quatro embarcações de suporte às atividades de contingência de derramamento de óleo(OSRV e OSV) e uma embarcação PSV(transporte de suprimentos).

A 15ª reunião de coordenação na CPMA, realizada na quarta-feira(10Junho2020), contou com representantes da Vale, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis(Ibama), gerência ambiental do Porto do Itaqui, secretaria estadual do meio ambiente e agentes marítimos.

Retirada de carga
A Marinha do Brasil realizou a operação de retirada da carga do Navio Mercante Stellar Banner, que estava encalhado na costa do Maranhão desde o final do mês de fevereiro, com a remoção de cerca de 145 mil toneladas de minério de ferro e iniciando a etapa de reflutuação. Em nota divulgada a Marinha do Brasil confirmou que nenhum dano ambiental foi registrado.

O Navio Patrulha Guanabara da Marinha do Brasil supervisionou os trabalhos. A Marinha disse, ainda, que o navio encontrava-se com inclinação de 13,5 graus, 12 graus a menos após o encalhe, já expondo parte do convés que estava submerso.

Os órgãos e empresas envolvidas continuam envidaram o máximo de esforços e recursos possíveis, visando solucionar o ocorrido com brevidade, e sempre atendendo as normas e legislação em vigor, priorizando a salvaguarda da vida humana no mar, a proteção do meio ambiente e segurança da navegação“, pontuou a Marinha na nota, sem definir um prazo para a flutuação completa do navio.

Antes da retirada do minério de ferro, outra operação foi realizada. O navio com bandeira dos Países Baixos ‘Defender‘ foi contratado para retirar toneladas de óleo do Stellar Banner. A operação foi realizada no dia 12 deste mês e retirou 3,9 mil metros cúbicos de óleo da embarcação sul-coreana.

Área afetada
A área afetada no casco do navio era de cerca de 25 metros, segundo o chefe de Estado-Maior do Comando do 4º Distrito Naval, Robson Neves Fernandes.

No dia 28 de fevereiro, o Ibama havia verificado o vazamento de 333 litros de óleo no mar e o poluente havia se espalhado por uma área de 0,79 km². Um dia depois, o instituto afirmou que não visualizou mais as manchas de óleo encontradas anteriormente.

Inquérito
A Superintendência da Polícia Federal(PF) no Maranhão informou que abriu um inquérito para apurar possível crime ambiental no acidente do Stellar Banner.

Antes, a Marinha já tinha informado que instaurou um inquérito administrativo para apurar causas, circunstâncias e responsabilidades sobre o caso.



Acidente com o Stellar Banner

O navio Stellar Banner sofreu duas fissuras no casco no dia 25 de fevereiro, logo após ter saído do Terminal Portuário da Ponta da Madeira em São Luís, com destino a um comprador em Quingdo, na China. A embarcação possuia capacidade para 300 mil toneladas de minério de ferro e tinha 340 metros de comprimento, o equivalente a dois campos de futebol.

Segundo a Capitania dos Portos do Maranhão, logo após identificar as fissuras no casco, o navio começou a afundar no Oceano Atlântico, a cerca de 100 km da costa do litoral do Maranhão. Por conta da situação de emergência, o comandante do navio emitiu um alerta e levou o Stellar Banner para um banco de areia.

O navio tinha 20 tripulantes, sendo 12 coreanos e oito filipinos. Após o resgate, seis estão ajudando na operação de salvatagem e seguindo as instruções da Capitania dos Portos. A Polaris informou que os outros 14 tripulantes da embarcação já estão em terra firme e devem ser repatriados.

VÍDEOS
Clique aqui e confira vídeo com a entrevista coletiva de imprensa, por oficiais da Marinha do Brasil, versando sobre o acidente com o navio mercante Stellar Banner.

Clique aqui e confira vídeo da operação de afundamento do navio mercante sul-coreano Stellar Banner, fato ocorrido nesta sexta-feira(12Junho2020), em águas profundas na costa marítima do Estado do Maranhão.

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