O Bê-a-bá do Sertão

“Não temos muito tempo”, avisa virologista que fugiu da China

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Li-Meng Yan deixou o marido e a família na China para dizer a “verdade” sobre o novo coronavírus. Os pais foram interrogados e o seu apartamento, destruído, alega.

Li-Meng Yan, a virologista chinesa que acusou Pequim de mentir sobre a existência e o perigo do novo coronavírus, deu uma segunda entrevista à Fox News. No programa Bill Hemmer Reports, Yan alerta que “não temos muito tempo“.

Yan assegurou numa primeira entrevista à Fox News que a China e também a Organização Mundial de Saúde(OMS) tinham conhecimento da existência e do perigo do novo coronavírus muito antes de anunciarem oficialmente o surto que ocorreu em Wuhan, China.

Li-Meng Yan é especialista em virologia e imunologia. Era uma das virologistas encarregadas de estudar o coronavírus, até que as suas descobertas a levaram a fugir da China para os Estados Unidos em abril deste ano.

Yan alega que há vidas que poderiam ter sido salvas caso o seu trabalho não tivesse sido censurado. “Esta que vemos no mundo é uma pandemia enorme. É maior do que qualquer coisa que conhecemos na história da Humanidade. Por isso, o timing é muito, muito importante. Se a pudermos parar cedo, podemos salvar vidas“, afirma.

No mesmo programa, Yan disse que o governo de Pequim sabia em dezembro que mais de 40 pessoas tinham sido infetadas com o novo coronavírus e que as transmissões entre humanos já estavam a ocorrer.

Na sua primeira entrevista, Yan tinha relatado que um amigo lhe contou acerca da transmissão pessoa a pessoa em 31 de dezembro de 2019. Porém, isso só foi reconhecido muito tarde pela China e pela OMS. Em 9 de janeiro de 2020, a OMS ainda indicava que a infeção não se transmitia facilmente entre pessoas, segundo informação prestada pela China.

Sei como é que eles tratam os whistleblowers(denunciantes). (Querem) Manter as pessoas caladas se quiserem revelar a verdade, não só sobre a Covid-19, mas também sobre as outras coisas que se passam na China. Por exemplo, durante a (pandemia em 2003) da SARS, o médico Jiang Yanyong revelou provas(de um encobrimento) em Pequim… e também em Xangai uma equipa(de outro médico) analisou a sequência do SARS-CoV-2 pela primeira vez no mundo e publicou-a em fevereiro deste ano e depois o laboratório deles foi encerrado pelo governo. Espero contar tudo o que sei, dar todas as provas ao governo dos EUA“, disse Li-Meng Yan.

E eu quero que eles compreendam, e eu também quero que o governo dos EUA perceba quão terrível isto é. Não é como o que viram… Isto é uma coisa muito diferente. Nós temos que ir atrás das provas reais e encontrar as provas reais porque são peças-chave para travar esta pandemia. Não temos muito tempo“, refere.

A fuga de Li-Meng Yan da China
A virologista abandonou a China em 28 de abril de 2020. Apesar de alertar o governo chinês para os perigos do novo coronavírus, Li-Meng diz que essa informação foi ocultada. Foi aí que decidiu apanhar um voo rumo a Los Angeles, para poder contar o que sabia.

Segundo o que disse ao canal Fox News, a ideia da fuga surgiu quando partilhou com um blogger e youtuber, Lu Deh, as suas teorias e investigações. Ele aconselhou-a a ir para os Estados Unidos, onde estaria a salvo.

Li-Meng Yan disse que queria fugir com o marido, também um conhecido cientista. Porém, este descobriu a chamada que ela tinha trocado com Lu Deh e reagiu mal. “Ele ficou muito aborrecido. Culpou-me, tentou destruir a minha confiança… Disse que nos matariam a todos“.

A virologista tomou a decisão de ir até Los Angeles sozinha, mas quando chegou à cidade norte-americana, foi travada pelo serviço de estrangeiros e fronteiras e receou ser deportada. “Tinha que lhes dizer a verdade. Pedi que não me deportassem, que eu tinha vindo contar-lhe a verdade sobre a Covid-19. E que, por favor, me protegessem senão o governo chinês me mataria“, afirmou à Fox News.

No aeroporto, o FBI foi chamado. Li-Meng Yan diz que foi interrogada durante horas, que lhe apreenderam o celular e que a deixaram prosseguir. Agora, encontra-se num sítio cuja localização foi mantida oculta.

Segundo a virologista, o seu apartamento na China foi destruído por agentes. Na sua cidade-natal, Quingdao, interrogaram os pais. Estes pediram à filha que regresse à China e esqueça tudo.

Li-Meng Yan era epidemiologista da Universidade de Saúde Pública de Hong Kong, mas a instituição apagou a página sobre ela. Yan diz ainda que não consegue acessar às redes da universidade nem às contas de correio eletrônico.

À Fox News, a universidade enviou um comunicado. “A doutora Li-Meng Yan já não é membro do pessoal da Universidade. Por respeito aos nossos funcionários atuais e anteriores, não vamos divulgar informação pessoal sobre ela. Agradecemos a sua compreensão“.

A embaixada chinesa nos EUA também que não sabe quem é Yan e a OMS também negou quaisquer irregularidades.

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