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Setor privado financia crise e bancos públicos se retraem

Setor privado financia crise e bancos públicos se retraem
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Ao contrário do que ocorreu na crise de 2008, quando os bancos públicos lideraram a oferta de crédito, desta vez, o protagonismo é das instituições privadas.

A diferença é significativa: de 16 de março a 31 de julho, portanto, desde o início da pandemia, os maiores bancos privados emprestaram R$ 573,5 bilhões, entre dinheiro novo, renovações e rolagens de contratos, face a R$ 331,1 bilhões liberados pelos estatais.

A mudança está de acordo com a política do governo Bolsonaro de reduzir a presença do Estado no crédito. Um sinal da nova orientação está no fato de o BNDES e a Caixa terem reduzido a atuação no segmento de grandes empresas. Na crise anterior, o BNDES recebeu, entre 2008 e 2015, aporte do Tesouro equivalente a 10%do PIB para expandir suas operações e a Caixa, que até então atuava pouco nessa faixa, ampliou sua exposição a níveis recordes.

Os bancos privados liberaram, durante a pandemia, R$ 238,81 bilhões em crédito novo para clientes corporativos de grande porte. Isso equivale a mais de cinco vezes o volume desembolsado pelas instituições públicas. No caso de renovações e rolagens de operações para essa clientela, a diferença chegou a dez vezes.

As grandes empresas foram, até o momento, as que mais demandaram recursos na pandemia. Logo no início da crise, buscaram liquidez, como é de praxe, para reforçar o caixa e, assim, lidar como desconhecido. Como mercado de capitais fechado naquela ocasião, bateram à porta dos bancos.

Nosso foco é no social, com governança, nos mais humildes e nas micro e pequenas empresas, que não têm alternativa de empréstimo”, diz o presidente da Caixa, Pedro Guimarães.

A distância entre públicos e privados se reduz bastante, porém, no segmento de micro e pequenas empresas, onde o risco de os empréstimos não serem pagos é maior. Nas concessões a pessoas físicas, os desembolsos dos estatais foram maiores até agora – R$ 107,7 bilhões em dinheiro novo e R$ 79,3 bilhões em renovações de contratos e parcelas prorrogadas; já os privados, R$ 94,4 bilhões e R$33,5 bilhões, respectivamente.

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