Coordenador da Funai morre após levar flechada em Rondônia, diz polícia. Rieli Franciscato era um indigenista referência no órgão.
O coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental Uru-Eu-Wau-Wau (FPEUEWW) da Fundação Nacional do Índio (Funai), Rieli Franciscato, de 56 anos, considerado como um importante indigenista brasileiro especialista em povos isolados da Amazônia, morreu nesta quarta-feira (09Setembro2020), após ser atingido por uma flechada no peito, disparada por indígenas isolados em Rondônia, enquanto se aproximava de um grupo indígena que ele pretendia proteger, disseram amigos da vítima e um policial que testemunhou o incidente, nesta quinta-feira(10Setembro2020).
Na quarta-feira (09Setembro2020), ao se locomover para perto de um grupo indígena até então não contactado, ele foi atingido por uma flecha acima do coração em uma floresta próxima à reserva Uru Eu Wau Wau, no Estado de Rondônia, perto da fronteira com a Bolívia.
“Ele gritou, arrancou a flecha do peito, correu 50 metros e desabou, sem vida”, disse um policial que acompanhava a expedição em áudio postado nas redes sociais.
A Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé, que ele ajudou a fundar na década de 1980, disse que o grupo indígena não tinha capacidade de distinguir entre um amigo ou um inimigo do mundo exterior.
Rieli era um dos melhores funcionários da Funai. Ele era muito cuidadoso, sempre metódico, um homem calmo, de fala mansa. Ele foi pedir ajuda à policia porque não tinha funcionários, só tinha um rapaz indígena com ele.
A Polícia abriu inquérito para apurar o caso.
Nota de pesar
A Funai publicou uma nota de pesar sobre a morte de Rieli. Leia na íntegra:
“A Fundação Nacional do Índio (Funai) vem a público comunicar, com imenso pesar, o falecimento do servidor Rieli Franciscato, aos 56 anos, nesta quarta-feira (09), em Seringueiras, estado de Rondônia. A fundação também informa que acompanha o caso. Rieli era coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental Uru Eu Wau Wau e somava mais de 30 anos de dedicação à proteção dos índios isolados no Brasil.
“Rieli dedicou a vida à causa indígena. Com mais de três décadas de serviços prestados na área, deixa um imenso legado para a política de proteção desses povos”, afirma o coordenador-geral de Índios Isolados e de Recente Contato da Funai, Ricardo Lopes Dias.
A fundação lamenta profundamente a perda e manifesta solidariedade aos familiares e colegas do servidor. As equipes da Coordenação Geral de Índios Isolados e de Recente Contato (CGIIRC) e das Frentes de Proteção Etnoambiental se despedem de Rieli com carinho, respeito e admiração.”