Covid-19 corre risco de novo pico, mesmo após redução do contágio

Em 19/09/2020

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Apesar da redução da taxa de contágio de Covid-19, especialistas alertam que é possível o crescimento de casos se houver relaxamento das medidas de prevenção, como uso de máscara e distanciamento social.

Mesmo com a taxa de reprodução da covid-19 em queda, infectologistas alertam que há riscos de nova explosão de casos, se não forem mantidos os cuidados para prevenção contra o contágio.

De acordo com estudo do grupo PrEpidemia, da Universidade de Brasília (UnB), a taxa de transmissão da doença entre indivíduos – R(t) – está em 0,88. Na prática, isso quer dizer que 100 infectados, em média, transmitem o vírus a 88 pessoas.00

O índice médio chegou a estar, em maio, em 1,25. Entretanto, a capital federal não alcançou imunização coletiva, ou de rebanho, explicam epidemiologistas, e o resultado positivo dos últimos dias é fruto das medidas de contenção tomadas até agora e da redução de pessoas suscetíveis em circulação nas ruas.

Esse início de queda é muito recente e muito tímido. Você precisa ter queda continuada em casos e óbitos para se chegar a uma situação de mais tranquilidade. Não se pode relaxar. O importante é que o governo continue a monitorar muito para garantir que a queda se mantenha e, se perceber aumentos, tem de ter coragem de voltar atrás e tomar medidas mais rígidas”, explica o epidemiologista Mauro Niskier Sanchez, da UnB. “Se não houver cuidados, podemos ter um retorno ao patamar mais alto de casos, e nem será uma segunda onda porque não saímos da primeira”.

O especialista explica que a queda na transmissão é resultado das ações de distanciamento e de medidas de prevenção e combate, como o uso de álcool em gel e de máscaras. “Como a gente está em platô prolongado desde junho, portanto há bastante tempo nisso, em algum momento veríamos algum efeito. A abertura que aconteceu também não foi total. Estamos começando a colher esses resultados das medidas não farmacológicas. Infelizmente, são ganhos que estamos tendo um pouco tarde”, acrescenta.

Recomendações

No entanto, a parcela de suscetíveis descrita pelo professor faz referência a pessoas que se expõem à possibilidade de serem contaminadas, como as que precisaram continuar trabalhando presencialmente e usando transporte público. Quem seguiu o distanciamento com mais rigor até agora continua no grupo que não tem defesa contra o vírus e, caso não siga as recomendações, passa a ser alvo para contaminação. Está nesse fator o principal risco de que o Distrito Federal tenha nova explosão de casos.

Quando a gente diz que há diminuição da suscetibilidade, não quer dizer que há imunização de rebanho e que estamos sem risco. Queremos dizer que aquelas pessoas que seguraram o alto patamar antes são o grupo que está mais imunizado hoje, mas as pessoas que ficaram recolhidas são altamente suscetíveis e, se tiverem contato ampliado, nós vamos ter um outro boom”, observa Ramalho. Isso, pondera o professor, tem sido registrado em países da Europa, como Espanha.


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