Responsáveis pela polinização, abelhas correm risco de extinção

Em 01/10/2020

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Com a chegada da primavera, os enxames de abelhas começam a se locomover com mais frequência, em casas, postes, pelas cidades e áreas rurais. Mas, é importante ter consciência dos perigos resultantes do contato com elas. Para manipulá-las ou retirá-las de algum local, é preciso contar com ajuda especializada e, neste caso, nada melhor do que um apicultor, profissional que atua na área de criação e tratamento de abelhas, com extração de produtos provenientes desse inseto.

Em território brasileiro, normalmente Apicultores mantem o próprio apiário, onde criam abelhas da espécie Apis mellifera, conhecida como abelha-europeia, além de espécies do inseto sem ferrão, que são nativas do Brasil. O apicultor trabalha, também, realizando os mais diversos resgates de abelhas. Os enxames resgatados são cuidadosamente manejados, ambientados em uma espécie de quarentena para adaptação, e, aos poucos, uma nova colmeia se prepara para produzir o mel.Cultivar e criar abelha não é só pegar e colocar numa caixa qualquer. Uma vez que você a retira da natureza, de uma árvore caída, ou mesmo de uma residência, você coloca em uma caixa específica, chamada de langstroth, que contém quadras em que são colocadas e levadas para o apiário. Lá, será feita a alimentação energética e proteica para manter o enxame forte, além de fazer troca de cera todo o ano nas épocas certas, para que o enxame proporcione uma boa rentabilidade de mel. Tudo isso tem um período certo para ser feito, que é agora, durante a primavera.

Mas, nem tudo são flores. O fundamental é ter os equipamentos de proteção individual (EPIs), principalmente com abelhas que têm ferrão. Se você trabalhar sem luva, bota, ou tênis, é certo: vai tomar ferroada.

Nativas

As abelhas Mandaçaias estavam no nosso país quando foi descoberto e eram criadas pelos índios para o consumo do mel. Hoje, praticamente não existem, devido ao desmatamento e queimadas. Estas espécies de abelhas são inofensivas, e não têm defesa contra a ação do homem.A criação destas abelhas nativas é de fundamental importância para a preservação da espécie, elas são polinizadores da nossa mata, do nosso bioma. Quem poliniza muitos dos frutos do cerrado são esses insetos, devido ao seu tamanho, que permite que polinize certos tipos de frutos que outras espécies não conseguem. O meliponicultor, sendo guardião dessas abelhas, poderá, no futuro, inseri-las novamente na natureza, em áreas preservadas. Sendo assim, hoje deveria haver mais incentivo ao meliponicultor.

Novas colônias

As abelhas produzem enxames devido ao seu instinto reprodutor e, com a chegada da primavera – o período de procriação desses insetos – aumenta a quantidade de colmeias. As abelhas são responsáveis pela reprodução das plantas, que dependem dos vetores para levar o seu pólen para outras. Sendo assim, para a sobrevivência da espécie é necessário que haja transferência do pólen, e as abelhas são responsáveis por isso. Elas são fundamentais para reprodução de todas essas plantas que vão iniciar o processo de floração.

90% das plantas se reproduzem por intermédio das abelhas. Agora, no início da primavera, vamos ter um aumento da floração, mas existe, também, um aumento das atividades, principalmente das abelhas sociais, que vão visitar as flores. Da mesma forma que os cupins vão liberar os seus machos e terão revoadas, a chegada da primavera traz isso para as abelhas, que começarão a ter um acúmulo de recursos, como néctar e pólen.Há, aproximadamente, 500 espécies de abelhas no cerrado, que se dividem entre ambientes urbano; a zona rural, com áreas mistas e nativas; e as áreas naturais, que são parques e unidades de conservação. Nas áreas urbanas, vamos ter uma quantidade de abelhas relativamente baixa. As ocorrências são de abelhas sociais sem ferrão, como jataí, mandaçaia, mandaguari. São abelhas muito dóceis e tranquilas. Já nas áreas agrícolas, mistas e naturais, teremos uma infinidade.

Com o surgimento de novas espécies e colônias durante a primavera, existe a necessidade de se precaver quanto aos cuidados que a população deva ter, ao reconhecer ninhos próximos às residências. No caso de abelhas Apis mellifera, conhecidas como abelhas europeias, o sugerido é sempre contatar profissionais que façam a retirada desses ninhos para levá-los até apiários. No caso de destruição de ninhos de abelhas nativas, a Lei nº 9.605/98 considera crime ambiental. O ninho de abelha nativa não oferece perigo, elas são extremamente inofensivas. É bom sempre entrar em contato com órgãos ambientais para verificar a possibilidade de retirada.

Cuidado com elas

Essenciais para a polinização e para a manutenção do ecossistema, as abelhas possuem um complexo sistema de defesa. Sozinhas, elas parecem inofensivas, mas, em enxame, podem causar grandes lesões em seres humanos e animais, e até levar à morte. E nesta época da primavera e verão é quando os acidentes aumentam mais.

O ataque de abelhas acontece sempre em duas situações:

01) Durante o processo de migração do enxame, quando as abelhas procuram um local para instalação do novo ninho. Nesse processo, as abelhas ficam muito agressivas, pois tentam proteger a rainha.

02) Quando o enxame está com muito mel e a colmeia é invadida por outros insetos ou pessoas que tentam retirar o doce, fazendo com que as abelhas fiquem em estado de alerta constante.Caso o ataque ocorra durante o processo migratório, as pessoas devem procurar um local fechado para abrigo, além de não realizarem movimentos bruscos ou se abanarem com roupas. Evite matar as abelhas, pois toda vez que uma abelha é morta, ela libera feromônios que fazem com que outras abelhas fiquem extremamente agressivas. Caso aconteça quando a colmeia estiver com muito alimento, as pessoas devem se afastar. Em geral, as abelhas que protegem a colmeia e não se distanciam muito da mesma.

Caso o cidadão esteja com problemas em casa, aconselha-se que solicite uma equipe do Corpo de Bombeiros, pelo número 193, para fazer uma avaliação. Nunca tente exterminar o enxame, pois a quantidade de abelhas que existe dentro da colmeia é aproximadamente 10 vezes maior do que as que estão pelo lado de fora.

Feita a averiguação, a equipe decide pela retirada da colmeia do local, e entra em contato com apicultores, a fim de conduzi-las para um apiário. Caso a colmeia esteja oferecendo risco e a captura for inviável, a equipe realiza o extermínio do enxame, sempre no período noturno, momento em que todas as abelhas estarão na colmeia e quando elas estão menos agressivas.


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