As associações de caridade francesas estão alarmadas com as consequências econômicas da crise causada pelo novo coronavírus. Segundo uma reportagem do jornal “Le Monde“, um milhão de pessoas caíram na pobreza desde o início da epidemia na França.
O número de estudantes, auto-empreendedores, trabalhadores sazonais e autônomos que buscam a proteção de programas sociais do Estado como o RSA, um complemento de renda mensal indica o agravamento da pobreza na França.
As estatísticas também mostram um aumento da demanda da população por distribuição gratuita de alimentos e ajuda para solucionar dívidas de aluguel.
Na última sexta-feira (02Outubro2020), dez representantes de associações humanitárias, como a Fundação Abbé Pierre, Médicos do Mundo, Secours Catholique, ATD Quarto Mundo e Emmaus, estiveram com o primeiro-ministro francês, Jean Castex, para pedir uma elevação dos principais benefícios sociais do Estado.
Diante do agravamento da pobreza entre os jovens, as organizações também pediram que o RSA (Renda de Solidariedade para Ativos) fosse concedida aos menores de 18 anos.
Associações esperam novas medidas
O presidente do coletivo Alerta, Christophe Devys, relata ao “Le Monde” que o primeiro-ministro ouviu atentamente o relato das ONGs, e que Castex é uma pessoa “sensível à situação de precariedade” dos mais pobres, mas as associações deixaram a reunião decepcionadas e impacientes pela ausência de respostas rápidas das autoridades.
Os representantes das ONGs têm um novo encontro com o premiê em 17 de outubro, data em que a França celebra o Dia Internacional pela Eliminação da Pobreza. A expectativa é de que, até lá, o governo se dê conta da gravidade da situação e anuncie novas medidas.
Segundo a Federação dos Atores da Solidariedade, que cobre todo o território francês, esse número de 1 milhão de pobres adicionais é uma estimativa baixa. O Banco da França projeta uma taxa de desemprego acima de 10% em 2020 e de 11% no primeiro semestre do ano que vem.
Os números do Ministério da Saúde confirmam essa alta. No início de setembro, 8 milhões de pessoas recebiam o benefício alimentar do Estado, contra 5,5 milhões de cadastrados em 2019.