O Bê-a-bá do Sertão

Estudante de Jornalismo que participava de calourada foi estuprada, diz delegado

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Um laudo preliminar do Instituto de Medicina Legal de Teresina (IML) confirmou violência sexual contra a jovem estudante universitária Janaína da Silva Bezerra, de 22 anos, que morreu após calourada na Universidade Federal do Piauí.

O caso ocorreu durante uma calourada na faculdade, em Teresina, entre sexta-feira (27Janeiro2023) e sábado (28Janeiro2023).

Segundo o coordenador do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), delegado Francisco Costa, conhecido como Barêtta, a vítima também teve o pescoço quebrado.

Francisco Costa – conhecido como Barêtta – Coordenador do Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP), Delegado da Polícia Civil do Estado do Piauí.

Em nota, o IML confirmou que a causa da morte aponta para trauma raquimedular por ação contundente, isto é, uma contusão na coluna vertebral a nível cervical, que provocou lesão da medula espinhal e morte (leia a nota completa abaixo).

O órgão reforçou que a ação contundente pode ter sido causada “por pancada, torcendo a coluna vertebral ou traumatizando, ação das mãos no pescoço com intuito de matar ou fazer asfixia, queda, luta, dentre outras possibilidades que estão sendo analisadas junto às investigações do caso“.

O delegado informou que, conforme médica legista, Janaína chegou morta ao Hospital da Primavera, localizado na Zona Norte de Teresina. Ela apresentava lesões no rosto e em diversas regiões do corpo.

Janaína da Silva Bezerra era estudante do curso de Jornalismo da UFPI. Ela ingressou na instituição no período 2020.2.

De acordo com Barêtta, a jovem foi violentada em uma sala do Programa de Pós-Graduação em Matemática, no Centro de Ciências da Natureza (CCN) da UFPI. No local, foram encontrados uma mesa e um colchão com vestígios de sangue. Os materiais foram apreendidos.

Suspeito preso

A Justiça decidiu manter preso por tempo indeterminado o suspeito de estuprar e matar a estudante de jornalismo Janaina da Silva Bezerra, 21 anos, da UFPI (Universidade Federal do Piauí).

O suspeito, Thiago Mayson da Silva Barbosa, 29 anos, é estudante do mestrado em matemática da UFPI. Preso no sábado (28Janeiro2023) em flagrante, ele foi ouvido em audiência de custódia no domingo (29Janeiro2023).

Laudo do IML

Um laudo do IML (Instituto de Medicina Legal) do Piauí apontou indícios de violência sexual contra Janaina. O diretor do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Francisco Baretta, afirmou que houve estupro.

A causa da morte foi “trauma raquimedular [lesão na medula] por ação contundente“. A lesão pode ter sido causada por pancada, que teria torcido ou traumatizado a coluna vertebral, conforme a médica legista.

Uma das possibilidades investigadas é a ação das mãos no pescoço da vítima “com intuito de matar ou fazer asfixia, queda, luta“.

O que sabemos é que um vigilante da instituição avistou o rapaz saindo da sala, com a moça nos braços. O vigilante viu as roupas do rapaz sujas de sangue, disse ‘ei, o que tá acontecendo aí?’ e o rapaz disse ‘minha amiga passou mal, tô levando pro hospital’. O vigilante então deteve ele, chamou reforço e, de carro, foi com os dois até o hospital“, contou.

De acordo com o delegado, o estudante disse que Janaína desmaiou e que tentou prestar socorro. “Estamos investigando o contato dele com uma pessoa. Pode ser que, ao sair da sala, ele não estivesse indo ao hospital. Acho que ele sabia que ela estava morta e pode ter entrado em contato com alguém pra pedir ajuda pra descartar o corpo“, completou o delegado.

Os ferimentos indicam um homicídio qualificado, um crime hediondo, em que o feminicídio pode ser apenas uma das qualificadoras“, concluiu Barêtta.

Indícios de autoria do crime

A Justiça acatou pedido do Ministério Público para converter a prisão em flagrante em preventiva, quando o suspeito fica detido por tempo indeterminado.

“A vítima passou as últimas horas de vida com o custodiado, chegou ao Hospital do Bairro Primavera sem vida e com suspeita de violência, apresentando lesões no rosto e nos olhos e sangue nas partes íntimas, sendo levada pelo próprio custodiado [à unidade de saúde]. (…) Há provas suficientes da materialidade e, ainda, fortes indícios da autoria do fato”.

Haydée Lima de Castelo Branco, juíza, em decisão durante audiência de custódia.

Haydée Lima de Castelo Branco, juíza, em decisão durante audiência de custódia “Em que pese o autuado não possuir antecedentes criminais, não se pode olvidar que os delitos são de especial gravidade concreta, inclusive, perpetrados com violência física contra a vítima na condição de sexo feminino“, concluiu.

O corpo da estudante de Jornalismo da UFPI, Janaina da Silva Bezerra foi sepultado no domingo (29Janeiro2023) no cemitério da Santa Maria da Codipi, na zona norte de Teresina (PI).

Nota do IML

O Instituto de Medicina Legal do Piauí emitiu a Declaração de Óbito de Janaína da Silva Bezerra, estudante morta nesse sábado no prédio da Universidade Federal do Piauí, em Teresina.

A causa da morte aponta para trauma raquimedular por ação contundente, ou seja, houve uma contusão na coluna vertebral a nível cervical, o que causou lesão da medula espinhal e a morte.

Segundo a legista, a ação contundente pode ter sido causada por pancada, torcendo a coluna vertebral ou traumatizando, ação das mãos no pescoço com intuito de matar ou fazer asfixia, queda, luta, dentre outras possibilidades que estão sendo analisadas junto às investigações do caso.

Em depoimento à Policia Civil, o acusado com as iniciais T. M. S. B afirmou que já conhecia a vítima e teriam “ficado” em outras ocasiões.

O acusado disse que estavam em uma “calourada” na UFPI e que por volta das 2h convidou a jovem para seguirem a um corredor e em seguida se dirigiram a uma das salas de aula onde praticaram sexo consensual e que após a prática sexual a vítima teria ficado desacordada por duas ocasiões, sendo a última por volta das 4h.

Ele alega que permaneceu ao lado do corpo da vítima durante toda a madrugada e solicitou socorro à segurança da Universidade por volta das 9h, que conduziu a vítima ao Hospital da Primavera, onde foi constatado o óbito.

A Polícia Civil solicitou a prisão preventiva do acusado, que encontra-se neste momento em audiência de custódia. Segundo o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa – DHPP, foram adotadas todas as providências necessárias para o fiel esclarecimento do caso, com a realização de entrevistas e a realização de exames periciais, além de perícia no local do crime. O inquérito policial será concluído em até dez dias“.

Festa não autorizada

A Universidade Federal do Piauí (UFPI) informou que a administração não havia autorizado a festa realizada na sexta-feira (27Janeiro2023). Em nota, a instituição afirmou ainda que está colaborando com as investigações e que vai buscar imagens de câmeras de segurança para ajudar.

A instituição declarou que que repudia a “violência cometida contra a aluna” e que desaprova condutas que coloquem em risco estudantes, professores ou funcionários. Segundo a UFPI, o ato violento “também agride cada uma das mulheres que integram a comunidade ufpiana“.

Conforme a entidade, a guarda da UFPI é majoritariamente patrimonial, e não contempla a necessidade de segurança da comunidade acadêmica.

Nota da UFPI

Com imenso pesar, a Universidade Federal do Piauí (UFPI) comunica e lamenta profundamente que, na manhã de hoje (28Janeiro2023), a Coordenadoria de Segurança e Vigilância da Instituição encontrou, no espaço da sede do Diretório Central dos Estudantes (DCE), no Campus de Teresina, uma jovem desacordada, que foi urgentemente levada, por equipe de seguranças da Universidade, para o Hospital da Primavera.

Até o momento da elaboração desta nota, não há identificação formal da vítima e divulgação de laudo pericial pelo órgão responsável. Todas as providências para colaborar com as investigações das autoridades policiais, como isolamento da referida área no campus e boletim de ocorrência, foram adotadas imediatamente pela UFPI. Além disso, a Universidade está efetuando o levantamento de todas as imagens captadas por câmeras de segurança.

O fato aconteceu em festa promovida pelo DCE, nas instalações do próprio Diretório, sediado no prédio do Centro de Ciências da Natureza (CCN), sem autorização de qualquer autoridade da Universidade.

A UFPI desaprova quaisquer eventos que adotem condutas que coloquem em risco a comunidade acadêmica, e preza pela segurança e bem estar de estudantes, professores e servidores técnico-administrativos, com a adoção de diversas estratégias constantemente divulgadas à comunidade.

As primeiras informações apontam para a ligação do fato a um suspeito já detido pelas autoridades policiais, após condução do mesmo por seguranças da UFPI. A Administração Superior continuará acompanhando as informações oficiais sobre o fato e se une à sociedade no desejo por justiça.

Na manhã do sábado (28Janeiro2023), o Reitor da UFPI determinou a imediata instauração de processo administrativo para apuração dos fatos, bem como a responsabilização dos envolvidos e disponibilizará todo o apoio que possa auxiliar no trabalho das autoridades policiais.

Este é um momento de grande dor e tristeza, que deixa consternada toda a comunidade ufpiana. A UFPI se solidariza com familiares e amigos da vítima, e se coloca à disposição para apoio e providências. Manifesta as mais sinceras condolências diante do triste acontecimento.

Jovem morreu após festa

O Diretório Central dos Estudantes (DCE) da universidade divulgou nota informando que cede espaço para realização das calouradas, mas que os eventos são de responsabilidade dos respectivos centros acadêmicos (CAs) e/ou coletivos que compõe a instituição.

Segundo o Diretório Central dos Estudantes, contudo, as atividades culturais promovidas dentro da instituição nunca precisaram ser diretamente comunicadas, já que são realizadas em espaço destinado às ações estudantis.

O DCE destacou, ainda, que uma luta antiga do Diretório é mais segurança para os estudantes, que têm constantemente relatado assaltos e outros crimes dentro do campus em Teresina.

Leia o comunicado:

Nota do DCE UFPI

“O Diretório Central dos Estudantes da UFPI (DCE UFPI) vem por meio desta nota tornar público a confirmação de falecimento de uma estudante nas dependências da Universidade Federal do Piauí (UFPI) hoje (27Janeiro2023).

A Direção da atual Comissão Gestora tomou conhecimento por informações nas redes sociais nesta manhã e logo em seguida entrou em contato com a Universidade para confirmação do ocorrido.

No entanto, ainda não há informações sobre identidade da vítima, sobre as circunstâncias do ocorrido ou quaisquer informações que elucidem a causa da morte.

As informações iniciais que temos é que hoje, pela manhã, a vítima, estudante de Jornalismo da UFPI, foi encontrada desacordada por um profissional da instituição e, logo em seguida, encaminhada para o hospital. A ocorrência foi feita dentro do Centro onde fica o DCE.

As calouradas que ocorrem no espaço em frente ao DCE é cedida pelo Diretório para que os estudantes, centros acadêmicos (CAs) e coletivos que compõe a Universidade possam ter uma forma de integração entre cultura e arte ao ensino, como também autofinanciamento coletivo dos Estudantes para subsidiar projetos estudantis.

O debate de segurança na UFPI, embora lamentavelmente tenha chegado a esse ponto, não é novidade para o DCE. No último ano (2022), nós, junto com os CAs, buscamos fomento de iniciativas que garantissem minimamente segurança dentro do Campus Ministro Petrônio Portela.

No final do ano, em debate de semanas, conseguimos uma Comissão para dar início neste ano o atendimento a estudantes que sofrem com assédio na Universidade. Temos nítido, no entanto, que esse não é o máximo que a Administração Superior possa fazer para sanar a situação que ocorre hoje, sabemos que o debate de segurança na Universidade passa por um debate patrimônio e não de vida dos estudantes, e também que esse debate não acontece só na Universidade, mas no mundo que é cercado por uma super estrutura de violência.

O DCE se coloca a disposição para ajudar no que for preciso a família da vítima e também presta solidariedade aos amigos e a todo o corpo estudantil.

Nesse momento tão triste, de luto coletivo, nós estamos comprometidos em fazer todos os debates necessários para que nossa Universidade seja segura para todo o corpo estudantil“.

Estuprada duas vezes

A família da estudante de jornalismo, Janaína Bezerra, morta após uma calourada na UFPI, disse em entrevista, que acredita que o crime tenha sido praticado por duas pessoas.

De acordo com a mãe de Janaína, Maria do Socorro da Silva, além do principal suspeito, Thiago Mayson da Silva Barbosa, outro homem teria ainda tentado ocultar o corpo da vítima. Segundo ela, a estudante teria sido estuprada duas vezes após ter sido morta.

Tem um que foi preso, que confessou. O outro que ia desovar minha filha também foi preso. A gente nem ia achar o corpo. Minha filha foi morta e sofreu dois estupros. Eles acabaram com ela. Cada marquinha nela me dói, quando penso no rostinho dela. Eles arrastaram ela e quebraram unha por unha por maldade. Minha filha sofreu nas mãos desses bandidos. Eu sinto cada dor porque mesmo depois de morta eles fizeram isso. A Janaína não ia ceder. Ela tem tinha ódio de homem machista”, disse a mãe muito abalada.

Mais suspeitos

A Polícia Civil do Piauí vai investigar se houve a participação de mais suspeitos nos crimes de feminicídio e estupro contra a estudante Janaína da Silva Bezerra, 21, da Universidade Federal do Piauí. A aluna do curso de jornalismo foi violentada sexualmente e morta em um dos prédios da instituição durante uma festa universitária no sábado (28Janeiro2023).

Além da eventual participação de mais envolvidos no crime, o delegado Francisco Costa Baretta, do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), afirmou que a polícia vai apurar como se deu a organização da festa e a presença um colchão com sangue na sala onde ocorreu o crime. “A linha de investigação está definida, construímos uma cadeia de evidências provando que houve um crime e quem o cometeu. Pedimos uma série de documentos que comprovaram as lesões que a moça sofreu“.

O suspeito Thiago Mayson Barbosa, 29, é estudante do mestrado em matemática da UFPI. Preso em flagrante, ele foi ouvido em audiência de custódia no domingo (29Janeiro2023). Em depoimento à polícia, ele disse que ambos “praticaram sexo consensual e que, após a prática sexual, a vítima teria ficado desacordada“.

Participação de mais suspeitos

Segundo o delegado, não há, até o momento, indícios da participação direta de mais pessoas no estupro. No entanto, a polícia vai investigar participações indiretas na violência. “Não detectamos a presença de outra pessoa na cena do crime, mas, se aparecer, será enquadrado conforme a lei“.

A polícia tem ouvidos testemunhas. O delegado não revelou quem será interrogado, apenas disse que serão entrevistadas pessoas que conviveram com ambos. Como a festa foi organizada A polícia quer apurar como a festa ocorreu. “Vamos intimar a Administração Superior da faculdade para ver quem é que liberou a festa, que horas começou e terminou“, disse Baretta.

Eventual falha de segurança

A polícia quer saber se houve falha de segurança nas áreas internas da instituição. “Vamos identificar qual foi a falha na segurança interna da faculdade“, disse Baretta.

O suspeito disse à polícia que ambos estavam em uma calourada na UFPI e que, por volta das 2h do sábado, teria convidado a jovem para ir a um corredor. Em seguida, foram a uma das salas de aula onde ocorreu o crime.

Colchão com sangue

A perícia apontou a presença de um colchão com manchas de sangue na sala. Vestígios de sangue também foram encontrados nas partes íntimas da vítima e no corredor próximo da sala. Esses elementos serão considerados pela polícia para conclusão do inquérito.

Um laudo do Instituto de Medicina Legal do Piauí apontou indícios de violência sexual contra Janaína e que a causa da morte foi um “trauma raquimedular [lesão na medula] por ação contundente“.

Segundo o documento, houve uma contusão na coluna vertebral, o que causou a lesão da medula espinhal e a morte. A lesão pode ter sido causada por pancada, que teria torcido ou traumatizado a coluna vertebral.

Uma das possibilidades investigadas é a ação das mãos no pescoço da vítima “com intuito de matar ou fazer asfixia, queda, luta“.

Relato de testemunhas

A polícia concentrará o trabalho, nessa semana, na coleta de depoimentos. “Vamos buscar outros elementos, pessoas que estavam com ela. Algumas foram ouvidas e outras serão“, disse Baretta. Segundo ele, há um clima de comoção e revolta entre os amigos e familiares da vítima. “Todo mundo clamando por justiça“.

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