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Guaritas vazias, efetivo baixo: A fuga do traficante que matou o próprio advogado

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Três criminosos de alta periculosidade escaparam da Penitenciária Lemos Brito, que fica dentro do Complexo de Gericinó, em Bangu. De acordo com o documento, das sete guaritas da unidade, quatro estavam sem a presença de policiais penais.

Um relatório enviado pela Seap à Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro (VEP) e, obtido pela CNN, aponta que a maior parte das guaritas do Presídio Lemos de Brito estava vazia na madrugada do domingo (29Janeiro2023), em que o traficante “Jean do 18” fugiu com outros dois comparsas.

De acordo com o documento, das sete guaritas da unidade, quatro estavam sem a presença de policiais penais. Duas delas na parte externa do presídio, onde os detentos fugiram usando uma corda feita de lençóis.

Em resposta ao judiciário, a Seap também revelou que no dia da fuga, dos onze postos de trabalho, apenas cinco estavam cobertos e que havia somente seis servidores atuando na revisão dos presos.

Em comunicado recente, o Sindicato dos Policiais Penais do Rio denunciou que apenas 5 servidores tomavam conta de mais de 770 detentos na Penitenciária Lemos de Brito.

Dentre os questionamentos, a VEP também quis saber porque as câmeras de monitoramento não funcionaram e se houve falta de energia. Sobre o assunto, a Seap afirmou que não foram registradas no livro de ocorrência a falta de energia e a inoperância das câmeras.

A secretaria informou, ainda, que abriu uma sindicância para apurar os fatos, que transferiu 22 presos e que suspendeu as visitas no presídio para que seja feito o reparo das grades, além de uma vistoria minuciosa na penitenciária.

O relatório foi assinado pela secretária de Administração Penitenciária do Rio, Maria Rosa Nebel, conforme determinação do juiz Bruno Rulière, da Vara de Execuções Penais, que deu 48 horas para receber as informações sobre a fuga.

A fuga

Na madrugada de domingo (29Janeiro2023), os presos Jean Carlos Nascimento dos Santos, conhecido como ‘Jean do 18’, Lucas Apostólico e Marcelo Almeida fugiram Penitenciária Lemos de Brito, no Complexo de Gericinó, em Bangu, na zona oeste do Rio.

Os três escaparam após serrar as grades da penitenciária e conseguir fugir pelos fundos do presídio usando uma escada feita de lençóis e pedaços de madeira. Segundo a polícia, “Jean do 18” é apontado como um dos traficantes mais perigosos e violentos do Estado.

O criminoso chefiava o tráfico no Morro do 18, em Água Santa, zona norte do Rio. Em sua ficha criminal consta uma tentativa de invasão ao fórum de Bangu, em 2013. O objetivo do traficante era executar um juiz e resgatar criminosos que prestariam depoimento. Durante a ação, uma criança e um PM acabaram morrendo.

Em 2016, Jean do 18 foi indiciado por matar o próprio advogado, identificado como Roberto Rodrigues. O motivo: ele não conseguiu libertar dois comparsas do traficante que estavam presos.

Celular na cela

A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) revelou que encontrou, no domingo (29Janeiro2023), um celular na cela dos três detentos foragidos da Penitenciária Lemos Brito. O aparelho já foi encaminhado para a 34ª DP (Bangu), responsável pelas investigações, que está analisando as informações contidas no objeto.

Além disso, a Seap também informou que os servidores que estavam de plantão na unidade no momento da fuga foram substituídos por outros funcionários, para garantir maior segurança.

Ainda no domingo (29Janeiro2023), a secretária Maria Rosa Lo Duca Nebel colocou a Divisão de Recaptura (Recap) da Polícia Penal na rua em busca dos foragidos e determinou a transferência imediata de Alcimar Pereira dos Santos, Anderson Ribeiro Dias e outros 13 detentos pertencentes à mesma facção dos foragidos, para o presídio de segurança máxima Bangu 1.

Sindicato dos Policiais Penais denuncia efetivo insuficiente

Segundo o Sindicato dos Policiais Penais, no dia da fuga, apenas cinco policiais tomavam conta de 778 presos da Penitenciária Lemos de Brito.

Ainda de acordo com o comunicado, das sete guaritas no entorno da penitenciária apenas uma estava aparelhada, em razão do déficit de servidores.

O sistema penitenciário opera com o mesmo efetivo de policiais penais desde 2003, quando a população carcerária era, aproximadamente, de 15 mil presos. Atualmente, com cerca de 45 mil presos, entre condenados e provisórios, não houve avanços que tornassem a prestação do serviço minimamente seguro para que eventos dessa natureza não voltasse a acontecer”, afirma o comunicado.

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