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Quem são os “Mórmons”? Conheça a religião

Tempo de leitura: 7 minutos

Os Santos dos Últimos Dias (SUD), popularmente conhecidos como mórmons, fazem parte de uma religião cristã originária dos Estados Unidos.

Os Santos dos Últimos Dias (SUD) são popularmente conhecidos como “Mórmons”.

O título está relacionado à crença em uma das escrituras da religião, “O Livro de Mórmon”, relatando a visita de Jesus Cristo ressuscitado às antigas civilizações americanas.

Assim como Deus falou a Moisés e Noé na Bíblia, Ele também falou às pessoas das Américas”, explica Nei Garcia, assessor de imprensa da Igreja no Brasil.

O Livro de Mórmon (Outro Testamento de Jesus Cristo), relatando a visita de Jesus Cristo ressuscitado às antigas civilizações americanas.

Os escritos do Livro de Mórmon não substituem a Bíblia Sagrada, referência nas religiões de origem cristã. Ambos são usados lado a lado na pregação e estudo pessoal dos membros.

Além do Livro de Mórmon e da Bíblia Sagrada, os Santos dos Últimos Dias seguem as “Doutrinas e Convênios” e a “Pérola de Grande Valor”, contendo escritos de Joseph Smith Jr., fundador da denominação.

Joseph Smith Jr. foi um religioso e o primeiro presidente de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias.

As Doutrinas e Convênios são descritas pela Igreja em seu portal como “uma coleção de revelações divinas”, a maioria de Joseph Smith, com adições de seus sucessores.

A Pérola de Grande Valor também inclui textos de Smith, mas relacionados à fé e doutrina da Igreja.

Quem são os “Mórmons“: origem do mormonismo

O movimento religioso teve origem no século XIX, quando Joseph Smith Jr. afirmou ter recebido a visita de um anjo chamado Morôni em sua juventude.

A figura avisou Smith sobre a presença de placas de ouro na colina Cumorah, localizada num monte próximo à casa do jovem Profeta.

Smith – que viveu durante um período de alto fervor religioso nos Estados Unidos em 1820, conhecido por Segundo Grande Despertar – declarou anteriormente ter rezado para Deus, perguntando sobre qual seria a denominação religiosa verdadeira.

As placas foram desenterradas anos depois, revelando “hieróglifos, cujo conhecimento foi “perdido para o mundo”, como relata Smith na introdução ao Livro de Mórmon.

A tradução, ditada por Joseph, ocorreu “pelo dom e poder de Deus”.

Morôni, filho de Mórmon, colocando as placas de ouro no solo da colina Cumorah.

O editor de livros Oliver Cowdery foi um dos escribas responsáveis, além de Emma Hale Smith, esposa de Joseph. Cowdery foi uma das testemunhas citadas como prova da veracidade das placas, publicadas como “O Livro de Mórmon”.

O Profeta Joseph Smith Jr. Morôni, filho de Mórmon, colocando as placas de ouro no solo da colina Cumorah.

Quem são os “Mórmons“: o que fala o livro sagrado deles?

A história abordada pelo Livro de Mórmon é considerada um outro testamento de Jesus Cristo, relatando sua visita ao povo da América antiga após a ressurreição.

O registro se divide em duas grandes civilizações. Uma delas foi posteriormente dividida entre duas nações, os “nefitas” e os “lamanitas”, enquanto a outra, mais antiga, são os “jareditas”, dispersos da Torre de Babel.

O Profeta Joseph Smith Jr. pregando aos lamanitas, em 1890.

O livro descreve o documento a partir do que seriam profetas antigos, cujas palavras, escritas em placas de ouro, foram citadas e resumidas por um profeta-historiador chamado Mórmon.

Mórmon é o nome de um profeta que viveu no continente americano cerca de 400 anos depois de Cristo”, explica o assessor Nei Garcia sobre a figura.

Ainda em seguimento com o informe oficial do “Livro de Mórmon”, o profeta-historiador entregou o relato a seu filho Morôni, que adicionou suas impressões e ocultou o objeto.

Joseph Smith Jr. afirmou que o anjo Morôni o guiou a placas douradas escritas com o registro sagrado de um povo esquecido.

O mesmo Morôni, então um ser ressurreto e glorificado, apareceu ao Profeta Joseph Smith e instruiu-o a respeito do antigo registro”, destaca a introdução.

Desde a primeira publicação original na língua inglesa em 1830, o Livro de Mórmon já foi traduzido em 82 idiomas. A impressão da escritura totaliza mais de 150 milhões de exemplares, segundo referência da assessoria de imprensa da Igreja.

Joseph Smith Jr., fundador do Mormonismo e da Igreja dos Santos dos Últimos Dias, recebendo a visita de um anjo chamado Morôni em sua juventude.

Os Santos dos Últimos Dias no Brasil

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (vulgarmente conhecida como A Igreja Mórmon) é uma igreja de fundamentação cristã com características restauracionistas, sendo a maior denominação originária do Movimento dos Santos dos Últimos Dias.

A sede mundial de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias está localizada no centro de Salt Lake City, Utah, (EUA), desde que os pioneiros estabeleceram a comunidade em 1847.

A sede da Igreja situa-se em Salt Lake City, Utah, Estados Unidos da América e estabeleceu congregações em todo o mundo. Na Conferência Geral de 2015, a Igreja divulgou o número de 15.372.337 de membros da Igreja, referente ao relatório anual de 2015.

Em 2009, a Igreja relatou um pouco mais de 13,8 milhões de adeptos em todo o mundo, um crescimento de 27,4% comparado ao ano de 2006, onde eram 12,5 milhões de adeptos mundialmente, enquanto em 1990 eram apenas 7,7 milhões.

Joseph Smith Jr. foi o fundador e primeiro presidente de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. Ele e cinco amigos organizaram a Igreja em Fayette, Nova York (EUA), no dia 6 de abril de 1830. Ele presidiu a Igreja até 27 de junho de 1844, quando foi martirizado.

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias no Brasil relata agregar ao redor de 1.456.238 membros e cerca de 2.176 congregações.

Além disso, possuem 445 Centros de História da Família no País, responsáveis pela realização de pesquisas genealógicas, um crescimento de aproximadamente 460% nos últimos seis anos.

A presença da religião em território brasileiro remonta a meados de 1923, com a chegada de imigrantes da Alemanha. Entre os membros, a senhora August “enviou uma carta para a sede da Igreja pedindo materiais e livros para serem usados no Brasil”.

Ainda de acordo com Nei Garcia, o presidente da Missão Sul-Americana, Reinhold Stoff, deixou Buenos Aires para visitar o Brasil, retornando em 1928 com missionários.

O Templo e o centro de visitantes de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias no Brasil. Sede da Igreja no Brasil localizada na cidade de São Paulo, no estado de São Paulo.

Esses pioneiros residiam na região da Ipoméia, estado de Santa Catarina”, esclareceu Garcia. Em 1929, o primeiro membro da Igreja no Brasil foi batizado em Joinville, mesma cidade da construção da primeira capela na América do Sul, em 1931.

Quem são os “Mórmons“: é verdade que eles são poligâmicos?

Atualmente, os Santos dos Últimos Dias não praticam a poligamia, sistema de matrimônio no qual um homem pode se relacionar com mais de uma mulher.

O precedente de casamentos plurais pode ser encontrado no Antigo Testamento da Bíblia. Acredita-se que o Profeta Joseph Smith perguntou em oração sobre a validade da prática em sua época, resultando em uma instrução divina para restituí-la, de acordo com as informações contidas no portal oficial da Igreja.

A historiadora Fawn Brodie afirmou em sua biografia sobre Joseph Smith (“No Man Knows My History”, sem versão publicada em português) que “provavelmente ninguém saberá exatamente com quantas mulheres Joseph Smith se casou”.

Wilford Woodruff – 4º Presidente da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Ùltimos Dias.

O casamento plural como ordem divina terminou em 1890, com o quarto presidente da Igreja, Wilford Woodruff.

A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias declara não possuir qualquer ligação com “polígamos e organizações de polígamos em áreas do oeste dos Estados Unidos e do Canadá”.

Quem são os “Mórmons“: por que eles não tomam café?

No livro de escrituras “Doutrinas e Convênios” está registrada a “Palavra da Sabedoria”, considerada um código de saúde revelado a Joseph Smith por Deus em 1833.

Na Palavra da Sabedoria, os SUD devem se abster do consumo de todo tipo de bebida alcóolica e “bebidas quentes”, em referência ao café e ao chá de ervas. Os mórmons também precisam evitar o consumo de drogas legais e ilegais.

E também as bebidas fortes não são para o ventre, mas para lavar vosso corpo”, relata Smith sobre o café e outras “bebidas quentes” na Palavra da Sabedoria (D&C 89:7).

As instruções vão além do não-consumo e aconselham outros alimentos que fazem bem ao corpo, como frutas e vegetais “com prudência e ação de graças” (D&C 89:11) e as carnes de animais com moderação.

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