Com menos bebês e população envelhecida, país tem a maior proporção de estrangeiros no rol das nações ricas.
Uma imensidão de terra que abriga cartões-postais em série, cidades que oferecem uma experiência urbana organizada e renda per capita três vezes superior à média global. Bem-vindo ao Canadá, país que desde os primórdios se constituiu de gente que aportava naquelas bandas frias do planeta atrás de riquezas e vida nova – a começar pelos vikings, por volta dos anos 1000, seguidos de ingleses, portugueses e franceses, no século XVI.
As levas vindas de fora nunca cessaram, estimuladas por políticas que, a partir dos anos 1960, foram estabelecidas para cumprir com o eterno desafio local de ocupar os grandes vazios no território que dá aos canadenses o segundo lugar entre as maiores nações do planeta, atrás apenas da Rússia.
Montreal – A capital gastronomica do Canadá é considerada como a Europa canadense, Com uma população de 1,7 milhão de habitantes, está localizada na Província de Quebec.
Pois o xadrez ficou ainda mais complexo agora, com os ventos demográficos que vêm derrubando as taxas de natalidade – enquanto a população de 38 milhões de habitantes envelhece – e escasseando a cada ano a fatia das pessoas em idade produtiva.
Acendeu-se então a luz amarela, e o governo encabeçado pelo liberal Justin Trudeau anunciou recentemente a mais radical de todas as políticas de atração de imigrantes da história do Canadá. “Olha, é simples. Precisamos de mais gente”, resumiu o ministro Sean Fraser, à frente da pasta da Imigração.
Justin Pierre James Trudeau é um educador e político canadense que atua como o 23º primeiro-ministro do Canadá desde 2015 e Líder do Partido Liberal desde 2013.
A ideia é preencher lacunas em diversos setores e níveis da cadeia produtiva, onde faltam cérebros em áreas como tecnologia da informação e finanças, mas também trazer motoristas de caminhão, operadores de equipamentos pesados, profissionais para a hotelaria e auxiliares de enfermagem – uma mescla de qualificações que difere das iniciativas anteriores.
Com tão amplo leque, a meta é atrair 500 000 estrangeiros anualmente pelo menos até 2025, o que vai tornar os atuais números ainda mais superlativos. Hoje, 25% dos habitantes de lá vieram de fora. Nenhum país do G7, o clube dos mais ricos, apresenta proporção parecida – nos Estados Unidos, conhecido caldeirão de nacionalidades (o melting pot), ela é quase a metade, 14%.
A cidade de Quebec fica às margens do rio São Lourenço, na província canadense de Quebec, onde a maioria da população fala francês. Fundada em 1608, ela tem um centro colonial fortificado, com uma população de aproximadamente 600 mil habitantes.
A multidão grisalha avança rapidamente mundo afora. Segundo estimativas da ONU, 61 países observarão declínio de habitantes até 2050, incluindo o Brasil. A situação é particularmente preocupante entre os mais desenvolvidos, que já se descolaram há tempos da chamada taxa de reposição – aquela de dois filhos por casal, na qual não há encolhimento populacional.
Nem todos, porém, são afeitos à estratégia de atrair estrangeiros, por enraizadas questões culturais. “Em geral, países mais homogêneos em termos raciais, como Japão, Coreia do Sul e Taiwan, não cultivam a imigração”, explica o demógrafo José Eustáquio.
Eles têm procurado suprir a necessidade de mão de obra implantando uma fórmula de mais investimentos em tecnologia e educação, para obter ganhos de produtividade, e de estímulo à permanência dos mais velhos no mercado de trabalho.
Calgary é uma das cidades mais populosas do Canadá, com 1,2 milhão de habitantes e um centro financeiro e comercial, onde estão localizadas as sedes das principais empresas petrolíferas do país. Também é lar de uma diversificada gama de indústrias, incluindo energia, finanças, manufatura, transporte, tecnologia, cinema e setores da indústria criativa. Calgary, aliás, tem sido procurada por brasileiros que querem aprender o idioma e fugir das grandes cidades, onde é possível encontrar conterrâneos.
No caso do Canadá, além do caldo cultural simpático ao ingresso dos que vêm de fora, aliado à constante demanda por mais gente, há ainda nos dias de hoje um ambiente político favorável. Até o Partido Conservador, da oposição, apoia a enfática iniciativa de Trudeau. “Não importa se seu nome é Martin ou Mohamed, você pode realizar seus sonhos neste país”, discursou o recém-eleito líder conservador Pierre Poilievre, cuja esposa, aliás, veio da Venezuela.
Nos Estados Unidos, o eldorado por excelência de quem busca condições melhores, o assunto é um espinhoso enrosco para o governo Joe Biden, que ainda não acertou uma política para lidar com as aglomerações que se formam na fronteira com o México e vive desafiado por republicanos que despacham os que chegam em estados comandados por eles, como o Texas, para domínios democratas, como Nova York. Mesmo assim, 1 milhão de imigrantes são absorvidos em solo americano todos os anos.
Joseph Robinette “Joe” Biden Jr. é um advogado e político norte-americano que serve atualmente como o 46.º presidente dos Estados Unidos. Filiado ao Partido Democrata, serviu também como o 47.º vice-presidente de 2009 a 2017 no governo Obama.
Na Europa, palco de dramáticas crises migratórias e manifestações de xenofobia, as portas têm sido mais abertas, é verdade, mas só para a camada mais qualificada dos que querem vir.
Ainda que o Canadá tenha facilitado o afluxo de estrangeiros – a burocracia se descomplicou e um visto de residência pode levar seis meses no lugar dos dois anos de antes -, nunca é simples se estabelecer em uma terra nova.
Uma pesquisa conduzida pela Associação de Estudos Canadenses mostra que, embora prevaleça uma boa vontade com os que ali aportam, quase metade dos canadenses considera elevada a meta do governo e três de cada quatro se dizem preocupados em algum grau com os efeitos do novo plano sobre os serviços (educação, saúde) e o mercado imobiliário.
Toronto é a mais populosa cidade do país com 5 milhões de habitantes. É a cidade que mais oferece opção de restaurantes, casas noturnas e shows. O número de imigrantes presentes em Toronto também transforma a cidade em um caldeirão cultural. Pesquisas apontam que são mais de 80 grupos étnicos reunidos em um mesmo lugar. É conhecida por recepcionar muito bem quem vem de fora, com equipes multilíngues nas principais atrações turísticas.
Habitação, por sinal, é um tema sensível, já que os preços escalaram às alturas com o incentivo aos investimentos estrangeiros no setor, capitaneados pelo capital chinês. Em cidades como Toronto e Vancouver, os valores dispararam, tanto para compra quanto para aluguel. “Se os imigrantes estão aí para ser um alívio para nossos gargalos econômicos e demográficos, eles devem ser capazes de encontrar uma boa casa e arranjar emprego”, alerta a pesquisadora Rupa Banerjee, da Toronto Metropolitan University.
Os recém-chegados, que recebem majoritariamente visto de residência e não de cidadania, não precisam ter arranjado um emprego antes de embarcar, embora ajude no processo. E, ainda que não seja mais um pré-requisito, uma boa formação certamente facilita as coisas.
A Professora Dra. Rupa Banerjee é a Cátedra de Pesquisa do Canadá em Inclusão Econômica, Emprego e Empreendedorismo dos Imigrantes do Canadá e Professora Associada de Gestão de Recursos Humanos e Comportamento Organizacional. Seu principal interesse de pesquisa está na integração profissional de novos imigrantes no Canadá e nas barreiras institucionais enfrentadas pelos novos imigrantes no mercado de trabalho canadense.
A mistura de nacionalidades que adotam o Canadá é liderada por indianos (30%), seguida de chineses – os brasileiros aparecem em 7º lugar. E eles vão se encaixando no convidativo mercado de trabalho canadense, que registrou mais de 1 milhão de postos vagos no cenário pós-pandemia. “A imigração tem sido uma eficiente resposta à nova onda demográfica”, avalia Rupa Banerjee. São tempos de oportunidade para quem se desloca em busca de vida melhor.
Canadá
O Canadá é um país norte-americano que ocupa grande parte da América do Norte se estendendo desde os EUA, no sul, até o Círculo Polar Ártico (Oceano Ártico), no norte. A leste se estende desde o oceano Atlântico e a oeste até o oceano Pacífico. É o segundo maior país do mundo em área total, superado apenas pela Rússia, e a sua fronteira comum com os Estados Unidos, no sul e no noroeste, é a mais longa fronteira terrestre do mundo.
As vastas regiões de natureza selvagem do Canadá compreendem o Parque Nacional de Banff, repleto de lagos nas Montanhas Rochosas. Abriga também as Cataratas do Niágara, um famoso conjunto de enormes cachoeiras. Entre suas grandes cidades estão a gigantesca Toronto; Vancouver, centro cinematográfico da costa oeste; Montreal e Québec City, que falam francês; e a capital, Ottawa.
Com uma população de 2,6 milhões de habitantes, em Vancouver os programadores também têm grandes chances de fazer carreira, já que a cidade apresenta grande apelo tecnológico seja através de formações, seja na própria oferta de trabalho.
As terras ocupadas pelo Canadá são habitadas há milênios por diferentes grupos de povos aborígines. Começando no fim do século XV, expedições britânicas, portuguesas e francesas exploraram e, mais tarde, se estabeleceram ao longo da costa Atlântica do país. A França cedeu quase todas as suas colônias na América do Norte em 1763 depois da Guerra dos Sete Anos.
Em 1867, com a união de três colônias britânicas da América do Norte em uma confederação, o Canadá foi formado como um domínio federal de quatro províncias. Isto começou com um acréscimo de províncias e territórios e com um processo de aumento de autonomia do Reino Unido. Esta ampliação de autonomia foi salientada pelo Estatuto de Westminster de 1931 e culminou no Canada Act de 1982, que eliminou os vestígios de dependência jurídica do Parlamento Britânico.
Vancouver apresenta um visual com praias, ilhas e inúmeras atrações outdoor. A cidade recepciona – muito bem – os estrangeiros e é conhecida por seus programas inovadores nas áreas de sustentabilidade ambiental, acessibilidade e inclusão.
O Canadá é uma federação composta por dez províncias e três territórios, uma democracia parlamentar e uma monarquia constitucional, com o rei Carlos III como chefe de Estado – um símbolo dos laços históricos do Canadá com o Reino Unido – sendo o governo dirigido por um primeiro-ministro, cargo ocupado atualmente (2023) por Justin Trudeau.
É um país bilíngue e multicultural, com o inglês e o francês como línguas oficiais. Um dos países mais desenvolvidos do mundo, o Canadá tem uma economia diversificada, dependente dos seus abundantes recursos naturais e do comércio, particularmente com os Estados Unidos, país com que o Canadá tem um relacionamento longo e complexo.
É um membro do G7, do G20, da OTAN, da OCDE, da OMC, da Comunidade das Nações, da Francofonia, da OEA, da APEC e das Nações Unidas.