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Quaresma: Por que algumas pessoas não comem carne nesta época ?

Tempo de leitura: 4 minutos

Mesmo que você não seja um cristão devoto, certamente já ouviu falar da quaresma e do costume de não comer carne durante esse período.

No entanto, você sabe qual é a origem desse intervalo de penitência, o que ele representa e por que algumas pessoas deixam de ser “carnívoras” nesta época do ano?.

Como o próprio nome quaresma sugere, trata-se de um período de quarenta dias que começa na Quarta-feira de Cinzas e termina na Páscoa, descontando os domingos.

Esse intervalo serve para que os cristãos se preparem para celebrar a ressurreição de Cristo, e é marcado por penitências que, além da famosa abstenção à carne, incluem sacrifícios como o jejum, a prática da caridade, as mortificações – punições físicas ou mentais por amor a Deus – e muitas orações.

Desconsiderando as prováveis origens pagãs do costume, existem registros históricos que se referem à prática de penitências como forma de preparação para a Páscoa desde os primórdios do cristianismo.

Contudo, os períodos variavam entre horas ou dias, passando por semanas inteiras e até mesmo intervalos maiores, e cada crente seguia o ritual que achasse melhor.

Foi só no século IV que o período de 40 dias foi estabelecido e a duração está baseada em várias referências bíblicas relacionadas com o número.

Entre as mais significativas, está o intervalo de tempo em que Jesus teria permanecido no deserto, a duração do dilúvio que inundou a Terra – lembra-se de Noé? -, quantos anos demorou a jornada dos israelitas que partiram do Egito com destino à Terra Prometida, o período que Moisés passou no Monte Sinai, etc.

Hoje em dia, o mais comum é que os cristãos mais devotos façam alguns jejuns, promessas e deixem de comer carne durante a quaresma. Mas no passado as coisas eram bem diferentes e restritivas.

No século V, por exemplo, existiam os que riscavam completamente do cardápio a carne de qualquer animal, enquanto outros abriam exceções para os peixes e, em alguns casos, para as aves também.

Além disso, havia quem evitasse frutos com cascas duras e ovos, enquanto os devotos mais fervorosos contemplavam o sacrifício de fazer jejum durante 24 horas inteiras ou mais durante a Semana Santa, e até os que restringiam as refeições a apenas uma ou duas por semana nesse período.

Entretanto, a “regra” mesmo era a de que as pessoas fizessem apenas uma refeição ao dia – pela noite – e evitassem totalmente a carne e o vinho; o consumo de laticínios só era permitido em troca da prática de caridades.

Atualmente, além da Igreja Católica, a Anglicana, a Ortodoxa, a Luterana e determinadas evangélicas seguem a tradição, e as penitências se tornaram muito mais brandas do que as de antigamente.

Com o passar dos séculos, algumas modificações foram sendo permitidas e respeitar a quaresma ficou um pouco mais fácil.

O período de penitências ainda começa na Quarta-feira de Cinzas e transcorre durante 40 dias, excluindo os domingos, e os mais devotos se limitam a fazer apenas uma refeição por dia – e sem carne no cardápio – na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa.

A carne também fica proibida nas demais sextas-feiras da quaresma e os fiéis são encorajados a fazer algum sacrifício – como abrir mão de consumir chocolate ou bebidas alcoólicas, por exemplo – durante esse período. Contudo, “tecnicamente”, o tal sacrifício fica suspenso no dia de São José (19 de março) e no Dia da Anunciação (25 de março), quando os penitentes estão liberados para esquecer suas promessas.

E os domingos?

Como você sabe, os discípulos de Jesus eram judeus e, sendo assim, guardavam o sábado – ou Sabbath – como dia de descanso e adoração. Isso porque, segundo o Gênesis, após criar o mundo, Deus descansou no sétimo dia, designando o sábado como dia de repouso.

Entretanto, como Cristo ressuscitou em um domingo, os cristãos transferiram o dia de descanso, e todos os domingos passaram a ser considerados dias para celebrar a sua ressurreição.

Portanto, assim como acontece com os judeus e o Sabbath, os cristãos ficaram proibidos de jejuar ou fazer penitências aos domingos e, por essa razão, esses dias da semana ficam fora do “calendário” da quaresma.

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