Os cientistas do Laboratório Ulrich, do Fundo Nacional para a Ciência da Suíça, descobriram que formigas-fusca (Formica fusca) podem ser treinadas para detectar câncer.
O animal foi bem sucedido em treinamento para farejar o odor de células carcinogênicas em ratos de laboratório.
Basicamente, os cientistas deram recompensas alimentares para as formigas que farejassem as urinas cancerígenas. Em minutos, elas começaram a se aglomerar em outras poças de xixi de ratinhos que estavam com tumores.
“As formigas podem ser treinadas em dez minutos para sentir o cheiro do câncer na urina dos ratos”, diz Baptiste Piqueret, principal autor do estudo, à BBC.
⬆️The learned odour (e.g. mice with human tumours)
⬇️The novel odour (e.g. healthy mice)
⬅️➡️ Visual controlsAfter 2 min of test, we can see that ants spend more time next to the learned odour (⬆️) area than any other areas, demonstrating they can differenciate both odours. https://t.co/637Lkglfkk
— Baptiste Piqueret (@picreet) January 25, 2023
Les fourmis peuvent-elles détecter le cancer ?
Oui !
Un grand merci à @EttorrePatrizia et Jean-Christophe Sandoz pour leur soutien durant ma thèse 🙂@LEEC_USPN https://t.co/iGVixzYeHv
— Baptiste Piqueret (@picreet) March 9, 2022
Transmissão rápida de conhecimento
O pesquisador afirma que cerca de 10% de uma colônia pode ensinar o conhecimento para os outros 90%. O conhecimento se espalha muito rapidamente entre as formigas da mesma espécie que vivem juntas.
Apesar de a descoberta ser incrível, não é possível afirmar com certeza que as formigas poderão identificar células cancerígenas em seres humanos.
Diversos estudos com o ótimo olfato dos cães já foram feitos com fins similares, mas nenhum acabou sendo positivo.
Nenhum teste foi feito com as formigas. E o pesquisador é cauteloso: “Os seres humanos não têm os mesmos odores, eles se diferem de pessoa para pessoa, e não sabemos se as formigas podem se concentrar apenas nas células cancerígenas”, explica Piqueret ao mesmo veículo britânico.
A pesquisa foi publicada na revista Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences em janeiro de 2023. Além de Baptiste, assinam o artigo os cientistas Elodie Montaudon, Paul Devienne, Chloé Leroy, Elisabetta Marangoni, Jean-Christophe Sanz e Patrizia d’Ettorre.